[LIVRO] Neuromancer, de William Gibson (resenha)

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Foi na década de 1980, quando a Ficção Científica havia se tornado comportada demais e já se distanciava muito realidade do século XX, que o gênero Cyberpunk ganhou força com nomes como Bruce Sterling, Bruce Bethke e William Gibson.

A estética do gênero era permeada pelo conceito de alta tecnologia e baixa qualidade de vida num mundo distópico, cinzento, comandado por megacorporações onde os nossos piores pesadelos ambientais já são realidade e as pessoas são mais cínicas e desconfiadas do que no mundo real (quase uma descrição do Facebook), some a isso o vício pela tecnologia, enxertos cibernéticos e, claro a Matrix e o Cyberespaço, nas palavras do próprio Gibson: “Uma alucinação consensual vivenciada diariamente por bilhões de operadores autorizados em todas as nações…”, ou seja, uma versão hardcore da nossa internet, mas sem os gifs de gatos.

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Alguém falou em gifs de gatos?

Lançado em 1984, “Neuromancer” foi livro que mudou a forma como enxergamos a literatura de Ficção Científica e foi também o primeiro a levar a trindade de prêmios do gênero: O “Nebula”, o “Hugo” e o “Philip K. Dick Award”.

O impacto da obra de Gibson ainda se reflete em produções modernas, como a série “Mr. Robot”, ganhadora do Globo de Ouro de 2016 e é sem dúvida um dos melhores livros de Ficção Científica e leitura obrigatória para os fãs do gênero.

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“O céu sobre o porto tinha cor de televisão num canal fora do ar”. 

São essas as palavras que iniciam o primeiro capítulo e dão o clima do universo de “Neuromancer”. Aqui conhecemos Case, um cowboy de console, que após ser pego roubando dos próprios empregadores foi infectado com uma micotoxina que queimou seu sistema nervoso impedindo sua conexão com a Matrix. Após o incidente, Case foi para a cidade de Chiba, no Japão, onde gastou todos os seus recursos tentando, em vão, reparar os estragos causados pela toxina. Impossibilitado de exercer sua arte e preso no mundo da “carne”, Case se joga num caminho de auto destruição e abuso de drogas e é nesse estado que ele é encontrado por Molly e Armitage que oferecem a ele uma oportunidade de obter a cura que tanto procurou em troca de um trabalho envolto de mistérios e perigos.

“Novo demais para se lembrar da guerra, não é Case? – Armitage passou a mão grande pelos cabelos castanhos cortados rente. Um bracelete de ouro maciço reluziu no seu pulso. Leningrado, Kiev, Sibéria. Nós inventamos você na Sibéria, Case”.

Sobre a edição da Aleph:

Em 2014 o livro completou 30 anos e a Editora Aleph, que já o havia publicado em 1991 e 2010, trouxe aos leitores brasileiros a história de Case, Molly e Armitage em uma edição de luxo, com a tradução e revisão primorosa de Fábio Fernandes com um bônus de três contos inéditos no Brasil, dois dos quais fazem referência direta ao universo de Neuromancer: Johnny Mnemonic e Queimando Cromo, e uma entrevista com o próprio William Gibson que fala sobre todo o caminho percorrido durante esses trinta anos.

A edição é muito bonita e colorida, a Aleph teve o cuidado de usar um papel de qualidade amarelado, que possibilita uma leitura tranquila.

Minha única ressalva à edição de 30 anos foi a escolha de sua capa, ou a falta dela. Caindo na típica armadilha de ideia boa, mas execução pouco prática. O livro é apresentado como um miolo cujas capas tivessem sido arrancadas, talvez uma referência à pilha de livros decrépitos do Finlandês, um dos personagens mais icônicos do universo de Gibson, mas para mim isso só resultou em um material frágil que me dá medo até de virar a página, eu sou adepta da crença de que livros são para ler e não só para ficarem legais na estante.


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Neuromancer – Edição de 30 anos

William Gibson

Editora Aleph

416 páginas

Ano de publicação: 2014

Compre aqui: Amazon 


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Autora

49 Posts

Formada em Comunicação Social, mãe de um rebelde de cabelos cor de fogo e cinco gatos. Apaixonou-se por arte sequencial ainda na infância quando colocou as mãos em uma revista do Batman nos anos 90. Gosta de filmes, mas prefere os seriados. Caso encontrasse uma máquina do tempo, voltaria ao passado e ganharia a vida escrevendo histórias de terror para revistas Pulp. Holden Caulfield é o melhor dos seus amigos imaginários.
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