[SÉRIE] Vale a pena assistir “Unbreakable Kimmy Schimdt”?

[SÉRIE] Vale a pena assistir “Unbreakable Kimmy Schimdt”?

Como uma boa viciada em séries, resolvi assistir um episódio curto qualquer enquanto a comida não ficava pronta. E olha que séries com episódios curtos estão ficando cada dia mais raros! Mas lá estava “Unbreakable Kimmy Schimdt” como destaque na Netflix, por suas indicações ao Emmy 2016. Nunca tinha me interessado pela série, mas achei que ela podia se encaixar no meu conceito de séries-pra-desligar-o-cérebro, aqueles bons 20 minutos de descanso entre uma maratona densa de GoT e OITNB! 

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Entre produções incríveis e de gosto duvidoso, a Netflix vem trazendo um repertório bem diversificado de filmes e séries pra gente. “Unbreakable Kimmy Schimdt” é uma série de comédia criada por Tina Fey e Robert Carlock, repetindo a parceria de “30 Rock”. O elenco tem atores já conhecidos de outras séries como Ellie Kemper (The Office), que interpreta a protagonista, Tituss Burgess (30 Rock) e Jane Krakowski (30 Rock).

Sinopse

Kimmy faz parte de um grupo de quatro mulheres que ficaram presas durante 15 anos em um bunker, enganadas por um fanático religioso que as fez acreditar que o mundo havia acabado e elas eram as últimas representantes de uma população “burra”. Ao ser libertada e ficar famosa, Kimmy resolve morar em Nova York, convencida de que lá ninguém vai reconhecê-la nem tratá-la como vítima.

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O que torna a série mais nonsense do que esse começo bizarro é a personalidade de Kimmy. Sabe aquelas pessoas tão felizes e saltitantes que dão nos nervos?! Ela é essa pessoa! O olhar de Kimmy é de uma criança cheia de esperança, olhando em volta e se encantando com tudo que é novo pra ela. E como contraponto perfeito temos seu roommate Titus Andromedon, um negro gay egocêntrico que sonha em trabalhar na Broadway.

No geral, Kimmy se vê como uma espécie de super heroína, que ninguém pode derrotar. Seu otimismo ingênuo ultrapassa a realidade e ela transforma toda situação ruim numa lição de vida e superação, mesmo que o resultado não seja lá muito positivo.

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O estilo de comédia da série é bem ácida e rápida. Tem crítica pra todo lado explorando estereótipos e tratando de assuntos polêmicos com piadas muito bem escritas, como preconceito racial, de classe, machismo, uso da tecnologia, sistema de educação, american way of life… Fora as muitas referências. Preparem seus repertórios de filmes, séries e músicas!

Mesmo assim, dá pra desligar o cérebro e curtir sem se aprofundar, a crítica continua viva e as piadas continuam ótimas. A trama não é nada complicada e a trajetória de Kimmy não deixa de ser hilária.

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Uma escolha polêmica

Um dos grandes problemas que geraram uma onda de críticas na 1ª temporada foi o papel de Jane Krakowski. Ela é Jacqueline Voorhees, uma socialite para quem Kimmy trabalha, que é dependente do marido rico e faz um esforço tremendo para negar sua origem indígena. A questão é que a atriz é branca, voltando à problematização de “se a personagem tem origem indígena, por que não contratar uma atriz indígena?”.

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Se você está por dentro dos trabalhos anteriores de Tina Fey e Robert Carlock, sabe que os dois não economizam em piadas auto-irônicas. Na 2ª temporada, Titus resolve interpretar uma gueixa no teatro, atraindo uma chuva de ódio dos asiáticos por ele ser um ator negro, uma resposta à crítica negativa que a série recebeu na 1ª temporada.

É difícil opinar de fato sobre a escolha da atriz, já que a ideia era fazer a personagem não parecer indígena de jeito nenhum, mas a problematização é importante, porque seria igualmente fácil transformar uma mulher de origem indígena nessa personagem, com maquiagem e boa interpretação.

Uma teoria

Você vai ler isso aqui e depois deleta da memória, porque não é nem uma teoria. É mais um ponto de vista bizarro sobre “Unbreakable Kimmy Schimdt”. Obrigada, de nada!

A premissa da série de imaginar a vida de uma mulher libertada de um cárcere de 15 anos é genial. E bem, Tina Fey além de muito polêmica, é uma feminista bem ácida – e polêmica (eu sei que escrevi “polêmica” duas vezes, foi intencional). Então fiquei imaginando se teria algo por traz dessa premissa, além das críticas por trás das piadas.

Além de Kimmy, mais três mulheres foram vítimas de um homem que ditou as regras e as chamou de burras por 15 anos. Numa entrevista após a libertação, elas participam de um talk show onde uma delas revela que resolveu acompanhar o fanático religioso para não ser rude. Ao voltar pra casa ela aceita todo tipo de ajuda, mesmo que sejam mentiras. Para viver a vida perfeita que sonhou, ela escolhe viver como vítima. E outra delas apesar de entender o que viveu, continua apaixonada pelo homem, talvez vítima da Síndrome de Estocolmo.

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Isso tudo me fez pensar como Kimmy representa um libertação da mulher, inserida num contexto histórico mundial. As outras mulheres preferem não sair do bunker, simbolicamente. Estão presas a anos de opressão, porque aprenderam a viver daquela maneira. Não consegui não pensar em como o feminismo vem avançando com tanta resistência, não só da sociedade em geral, como de mulheres que não sabem viver fora dessa opressão. E mesmo com tanta dificuldade, é preciso permanecer na luta, inquebráveis, depois de anos tendo homens dizendo como deveríamos viver e o que deveríamos sentir.

E agora é a hora de você deletar isso da mente, porque pra começo de conversa, as 4 mulheres são libertadas do bunker por homens, então não existe esse paralelo que eu falei, ok?! Mas achei legal compartilhar essa visão isolada do contexto. “Females are strong as hell”, como diz a abertura. E por falar nela…

Uma palavra sobre a abertura: GRITO!

Eu sou apaixonada por aberturas de séries. Algumas produções são maravilhosamente lindas, ou épicas, ou blowing minds. E aí eu estou assistindo o piloto de “Unbreakable Kimmy Schimdt” e começa esse auto tune em cima de uma entrevista do vizinho do bunker, inspirado no vídeo viral sobre uma invasão nos EUA. O mais provável é que eu seja muito besta, mas ri tanto que não pulei a abertura em nenhum episódio!  Vou deixar aí pra vocês tirarem suas próprias conclusões:

E então? Vale a pena ou não vale? Vale! Não assista esperando ver a série ultimate da comédia mundial, mas Kimmy e Titus são um ótimo descanso para o cérebro. Já assistiu? Deixe aí sua opinião sobre a série, as escolhas, as polêmicas, tudo! 

Escrito por:

39 Textos

Bagunceira e bagunçada, por dentro e por fora. Prefere ver séries em maratonas, menos Game of Thrones, porque detesta spoiler. Totalmente apaixonada por desenho e animação. Tem mania de citar filmes em conversas, conselhos, brigas ou onde couber uma referência. Prefere gastar dinheiro com quadrinhos do que com comida, sendo muito entusiasta do quadrinho nacional e graphic novels em geral. Formada em Jornalismo, mas queria mesmo trabalhar com roteiro e ilustração.
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