[CINEMA] “As Virgens Suicidas” (resenha sem spoiler)

[CINEMA] “As Virgens Suicidas” (resenha sem spoiler)

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Recentemente, na vibe do filme do “Esquadrão Suicida”, a atriz Kirsten Dunst brincou em seu twitter que o verdadeiro esquadrão suicida era as meninas do filme “As Virgens Suicidas” (1999), dirigido por Sofia Coppola e estrelado pela Kirsten Dunst. O filme foi baseado no livro homônimo de Jeffrey Eugenides.

virgens suicidasRealmente, se formos falar de suicídio, as virgens têm um final bem mais dramático e poético do que o dos vilões. O esquadrão pode ser tudo, menos suicida. Apesar do risco de morte iminente, eles buscam sobreviver da missão a qualquer custo, enquanto as Virgens Suicidas buscam exatamente o contrário: encontrar uma forma rápida de morrer e acabar com o sofrimento que assombra suas vidas.

O filme conta a histórias das cinco irmãs Lisbon, que são criadas pelos pais autoritários no subúrbio do Estados Unidos, nos anos de 1970. A história é narrada pelos garotos da vizinhança, que eram apaixonados pelos mistérios exalados pelas cinco irmãs.

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O filme começa com a tentativa de suicídio da primeira irmã, Cecília (a caçula) de 13 anos, que corta os pulsos dentro da banheira. Mas a primeira tentativa é frustrada pelos paramédicos. Após a recuperação da menina, a família resolve dar uma festa no porão da casa para tentar animar a garota. Mas ela aproveita a movimentação da festa e se joga da janela do banheiro do segundo andar, em direção às grades pontiagudas do jardim, conseguindo finalmente dar um fim a sua vida.

Após o suicídio, a vida das irmãs piora com aumento de controle dos pais. As garotas estão todas em idade escolar, e tentam agir como adolescentes normais. Os  planos delas são frustrados devido ao controle dos pais. Mas o garoto mais popular da escola começa a se interessar por Lux – e ela resolve se envolver com ele- o que desde o início aparenta ser uma relação que não vai dar certo. As coisas começam a piorar para as meninas, que devido ao namoro da irmã tem ainda mais proibições impostas pelos pais. No filme, a motivação para suicídio não fica clara, não há cartas; os motivos ficam subentendidos às situações que cada uma das meninas vive ao longo do desenrolar da história.

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O filme tem um ritmo lento e melancólico, mas ao mesmo tempo tem uma paleta de cores em tons pastéis que deixa o filme com um ar onírico. As roupas das meninas seguem em cores claras e tecidos leves, transmitindo um ar de irrealidade, como um sonho aparentemente bonito, que na verdade é sombrio e melancólico. Outro ponto interessante é que o filme tem poucas falas. Os gestos e atitudes dos personagens, o cenário e as músicas são os elementos que narram o filme.

Ao final, fica o pensamento de como a vida pode ser frágil e o que leva uma pessoa a tirar a sua própria vida. Pensar como a psique humana é complexa e ao mesmo tempo tão frágil. Assim como aconteceu com as irmãs, pode acontecer com muitas pessoas a sua volta. O filme é brilhante, pois de forma sutil e com leveza consegue tratar de um assunto mórbido sem perder a sensibilidade do espírito humano.

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Nós não conseguimos imaginar o vazio  de uma criatura que coloca uma navalha em seu pulso e abre (corta) suas veias, o vazio e a calma” – As Virgens Suicidas.

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Autora

Formada em museologia, mestranda em Preservação do Patrimônio Cultural. Ilustradora e quadrinista amadora. Amante de animação, quadrinhos, artes e cultura geek. Fã do CLAMP, Arakawa Hiromu e Neil Gailman. Esse aristas influenciaram seu gosto por fantasia e por querer entrar no mundo de quadrinho. Apaixonada por dragões, se possível teria um de estimação. Sonha em conseguir publicar suas história e viver delas.
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