[QUADRINHOS] 5 escritoras que estão mudando o cenário dos quadrinhos

[QUADRINHOS] 5 escritoras que estão mudando o cenário dos quadrinhos

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Embora o meio dos quadrinhos ainda seja predominantemente machista, podemos ver a mudança acontecendo aos poucos com a grande repercussão de heroínas como Ms. Marvel, que teve seu quadrinho entre os mais vendidos da Marvel e os novos quadrinhos da Thor, que vendeu mais que o antigo personagem. Também teremos finalmente as adaptações de Mulher Maravilha e Capitã Marvel para o cinema, e esse ano tivemos a história da Harpia que falou diretamente sobre sexismo nos quadrinhos (e teve uma grande repercussão por causa disso). Esse post traz uma lista de 5 escritoras de quadrinhos que tiveram uma participação importante nessa mudança de cenário.

G Willow Wilson

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gwillowwilson.com

Willow nasceu na Nova Jersey em 1982 e se converteu ao islamismo enquanto cursava faculdade em Boston. Começou a carreira de escritora em um jornal de Boston escrevendo sobre música, passando depois por uma série de outros jornais. Ela viveu algum tempo em Cairo, no Egito, que rendeu o livro “A Leitora do Alcorão”, onde conta sobre seus estudos do islamismo na faculdade, sua decisão de morar no Egito e a conversão ao islamismo, assim como os choques culturais e as dificuldades encontradas no trajeto.

No meio dos quadrinhos, ela passou por edições de alguns heróis na DC, como Aquaman e Super Homem e escreveu uma minissérie sobre a Vixen. Mas se popularizou mais pelos trabalhos na Vertigo, “Air” e “Cairo”.

“Air” possui 24 volumes e conta a história de Blythe, uma comissária de bordo que tem acrofobia, o medo de locais altos. A história começa quando Blythe é enganada e acaba envolvida em um plano terrorista. Depois de conseguir escapar com a ajuda de Zayn, eles acabam na cidade de Narimar, um local que não aparece nos mapas desde a divisão da Índia em 1947. A história explora viagens dimensionais, ficção científica, tecnologia e religião. Já “Cairo” trata de um grupo de seis pessoas que encontram um narguile roubado e acabam envolvidos com um mundo espiritual e um gênio.

Mas seu maior destaque vai para a criação da Kamala Khan, a nova Ms. Marvel. Ela apresentou uma palestra no TED onde conta sobre a criação da personagem, as expectativas que tinham e sobre a surpresa quando a revista foi (muito) melhor recebida do que imaginavam, chegando a ser a revista digital mais vendida da Marvel. Além de outros quadrinhos da Marvel, ela também participou de “A-Force“, que traz um grupo composto apenas por heroínas.

Willow vem ganhando prêmios desde 2012 pelo seu romance “Alif, O Invisível“, e em 2015 ganhou o Hugo Awards de Melhor História em Quadrinho pela história “Nada Normal” da Ms. Marvel e em 2016 o prêmio Dwayne McDuffie Award for Diversity também pelos quadrinhos da Ms. Marvel.

Gail Simone

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happystains.blogspot.com.br

Gail nasceu nos Estados Unidos em 1974, cursou faculdade de teatro e trabalhou como cabeleireira antes de se tornar escritora. Ela começou a se destacar com o site Women in Refrigerators (Mulheres na Geladeira) em 1999, um site que se dedicava a identificar personagens femininas que haviam sido mortas, estupradas ou passavam por demais experiências traumáticas como forma de enriquecer ou dar sentido à história de algum personagem masculino. O nome se dá pela cena na edição #54 do Lanterna Verde, onde Alexandra DeWitt, namorada do herói, é assassinada e colocada dentro da geladeira dele. Leia mais sobre Mulheres na Geladeira aqui.

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Cena de Lanterna Verde #54

Depois disso ela trabalhou com a Bongo comics, escrevendo quadrinhos baseado em “Os Simpsons”, e com a Marvel, escrevendo histórias para “Deadpool” e “Agent X”. Mas o seu destaque foi na DC com o quadrinho “Aves de Rapina”, um grupo de super-heroínas formado por Oráculo, Canário Negro, Caçadora e Falcão Negro. Gail assumiu o quadrinho na edição #56, quando a série passava por um momento de incerteza e corria o risco de ser cancelada. Gail introduziu a Caçadora no time, reforçou a amizade entre as personagens e revitalizou o título.

Depois disso trabalhou em uma série de outros títulos, como:

  • Action Comics

  • Villains United

  • Sexteto Secreto

  • Rose and Thorn

  • Killer Princesses

  • Red Sonja

Também participou da criação de Ryan Choi, novo Eléktron e de “Welcome to Tranquility”, que traz uma comunidade de aposentadoria para super-heróis. Além disso, foi a mulher a ficar mais tempo responsável pelas histórias da Mulher Maravilha, e em 2011 contribuiu para o projeto “The Power Within”, que focava em bullying e adolescência.

Nos Novos 52 ela ficou responsável pela Batgirl, onde Barbara Gordon volta a caminhar depois de uma cirurgia, trazendo um história que explora temas como estresse pós-traumático e síndrome do sobrevivente.

Kelly Sue DeConnick

escritoras

kellysue.tumblr.com

Kelly Sue nasceu em Ohio em 1970, graduou em teatro na Universidade do Texas e trabalhou por um tempo no site Artbomb catalogando histórias em quadrinhos. Depois, trabalhou como auxiliar na tradução de mangás, onde ela precisava garantir que a tradução dos diálogos mantinha o sentido original das conversas e fazia sentido em inglês.

Seus destaques vão para duas histórias publicadas pela Image Comics, “Pretty Deadly” e “Bitch Planet” e pela transformação de Carol Danvers em Capitã Marvel.

“Pretty Deadly”, ainda em publicação, mistura terror com mitologia em uma história passada no século XIX. “Bitch Planet”, também em publicação, chamada de distopia feminista, traz uma prisão feminina localizada fora do planeta, para onde são enviadas mulheres “não-complacentes”. A história alterna entre o presente na prisão e o passado das detentas, mostrando como cada uma delas acabou lá.

Em 2012, Kelly assumiu a história de Carol Danvers, que tomava o manto de Capitã Marvel. A nova fase da personagem teve uma boa recepção e adquiriu uma grande quantidade de fãs fiéis que se denominaram Carol Corps, e a personagem veio a ganhar um papel importante na Guerra Civil II, último grande evento da Marvel.

A autora também trabalhou em uma série de outros quadrinhos, como:

  • Osborn

  • CBGB

  • Supergirl

  • Ghost

Alison Bechdel

escritoras

dykestowatchoutfor.com

Alison nasceu na Pensilvânia em 1960 e graduou em artes de estúdio e história da arte na universidade de Oberlin. Ela começou trabalhando em um jornal feminista chamado WomaNews (que ainda possui seus arquivos disponíveis) publicando tiras, que mais tarde vieram a originar a série “Dykes to Watch Out For”, mesma que deu origem ao Teste de Bechdel.

“Dykes to Watch Out For” foi publicado entre 1983 e 2008, se encontrando atualmente em um hiato sem previsão de volta. A história é contada em tiras, e traz um grupo de personagens com personalidades diferentes, sendo a maioria delas lésbica. As tiras focam na questão da sexualidade e teve boa recepção, tendo sido publicada em diversas revistas com temáticas LGBT ou feminista.

Depois, Alison publicou “Fun Home: A Family Tragicomic”, onde narra sua infância e fala sobre o suicídio de seu pai, um veterano de guerra, e os efeitos disso em sua família, tratando também de questões como sexualidade e papeis de gênero. “Fun Home” teve uma boa recepção e ficou duas semanas entre os best-sellers de não-ficção do New York Times, ganhando também uma adaptação em formato de musical em 2013 feita por Lisa Kron e Jeanine Tesori, que venceu cinco Tony Awards, incluindo o de Melhor Musical.

Enquanto “Fun Home” foca na relação com seu pai, “Are You My Mother?: A Comic Drama” tem como principal a relação com sua mãe, uma atriz que não demonstrava muito afeto pelos filhos e não parecia feliz no próprio casamento. Ela faz uma série de análises psicológicas que buscam explicar a complexidade de sua infância, analisando seus sonhos e citandoautores como Donald Winnicott, Adrienne Rich, Virginia Woolf e Freud.

“Fun Home” recebeu dois prêmios em 2007, Eisner Award por Best Reality-Based Work e o Stonewall Book Awards – Israel Fishman em não-ficção. “Are You My Mother” venceu o Judy Grahn Award para não-ficção lésbica em 2013. Além dos prêmios recebidos pelas obras em específico, Alison recebeu o Bill Whitehead Award por Lifetime Achievement da Publishing Triangle em 2012, o MacArthur Fellowship em 2014, que premia trabalhadores de qualquer área, buscando pessoas originais e dedicadas em suas buscas criativas, o International Forum for Psychoanalytic Education Distinguished Educator Award em 2013, Lambda Board of Trustees Award for Excellence in Literature em 2014 e o Erikson Institute Prize for Excellence in Mental Health Media em 2015, que premia escritores, jornalistas ou produtores que criam trabalhos sofisticados e acessíveis sobre saúde mental.

Becky Cloonan

escritoras

www.beckycloonan.net

Becky nasceu em Pisa, na Itália em 1980 e frequentou a Escola de Artes Visuais de Nova Iorque. Além de escrever, ela também fez a arte de alguns de seus trabalhos. Ela começou trabalhando com minicomics, que foram mais tarde publicadas na antologia “Meathaus”.

Em 2003, começou a trabalhar com Brian Wood ilustrando “Channel Zero: Jennie One” e “Demo”, um quadrinho com 12 volumes que veio a ser o seu trabalho mais popular.

Em 2006 foi publicado pela Tokyopop seu primeiro trabalho solo, “East Coast Rising”, um quadrinho em estilo de mangá onde ela trabalhou tanto na escrita como ilustração. A história acompanha um grupo de piratas na costa leste dos Estados Unidos em um universo onde Nova Jersey e Nova Iorque estão submergidas.

Em 2012, entrou para o time de Batman, ficando responsável pela arte e sendo a primeira mulher a desenhar o título principal de Batman. Em 2013, fez a arte pra o quadrinho “The True Lives of the Fabulous Killjoys”, escrita por Gerard Way e Shaun Simon.

escritoras
Arte de The True Lives of theFabulous Killjoys

Entre outros títulos em que ela trabalhou estão:

  • Nebuli

  • MINIS

  • Pixu

  • Buffy the Vampire Slayer: Tales of the Vampires

  • American Vampire Anthology

  • Gotham Academy

  • Marvel Knights: Strange Tales II

  • The Punisher v11

Veja também:
>> [QUADRINHOS] Mulheres nos Quadrinhos: Karen Berger

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Autora

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Apaixonada por livros de capa dura, filmes com bastante drama, histórias em quadrinho, jogos de estratégia e essas coisitas mais. Sempre começa a escrever mais textos do que é capaz de terminar. Formada em desenvolvimento de sistemas, fã de Tolkien e criadora do Dragões Encaixotados.
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