[LEITURAS/LISTA] Melhores livros e quadrinhos lançados em 2017!

[LEITURAS/LISTA] Melhores livros e quadrinhos lançados em 2017!

Finalizando a nossa retrospectiva, 2017 foi um ano que tivemos a oportunidade de conferir diversas leituras marcantes e inesquecíveis. Encerramos o último texto do ano com a nossa lista especial relembrando alguns dos melhores livros e quadrinhos lançados em 2017!

Quadrinhos

Encruzilhada (Marcelo D’Salete, Ed. Veneta)

Melhores livros

Encruzilhada é o trabalho mais urbano de Marcelo D’Salete, diferente de Angola Janga, em que ele divide sua narrativa de mensagens tanto sutis quanto fortes e certeiras, em 6 pequenos contos acerca da vida urbana da cidade de São Paulo. As histórias retratam o cotidiano de pessoas assombradas pela desigualdade social e pela pobreza da periferia da cidade de São Paulo – como uma garota de programa, crianças de rua e vendedores de DVD pirata – de forma tão verossímil e dinâmica, que é fácil para o leitor ver a (triste) realidade apresentada no quadrinho. Não é fácil, porém, não se incomodar e manter-se indiferente diante do que lhe é mostrado na história em preto e branco. Somos levadas, através do olhar perspicaz e direto de D’Salete, a um mundo que por vezes nos passa despercebido ou, quando em foco, é deturpado de forma a culpar aqueles que são vítimas de todo um sistema construído sobre, e que ainda se alimenta de, tal culpabilização. Dito isso, a crítica do autor fica mais para a imaginação e choque do leitor do que propriamente se manifesta em palavras no quadrinho, mas isso não impede que a mensagem a ser passada seja, de alguma forma, menos fraca e necessária.

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>> Encruzilhada: Uma crítica ao estado atual da nossa sociedade racista e elitista

A Diferença Invisível (Julie Dachez e Mademoiselle Caroline, Ed. Nemo)

A Diferença Invisível, Melhores livros

Marguerite é uma mulher francesa de 28 anos que leva uma vida perfeita aos olhares alheios: ela trabalha, mora com o namorado e ama conviver com seus bichinhos de estimação. Porém, algumas atitudes em seu comportamento destoam do que é comum para a maioria das pessoas, o que incomoda seus conhecidos e ela própria; Marguerite não se sente à vontade em multidões, não consegue estabelecer contato por muito tempo com pessoas desconhecidas, segue à risca ordens e entende ao pé da letra muito do que lhe é dito, e também se sente desconfortável e pressionada quando precisa fazer alguma mudança repentina em sua rotina. Quando não consegue mais lidar com os pensamentos que a travam e fazem dela alguém “invisível” para os demais, Marguerite procura seus sintomas na internet e descobre que possivelmente tem Asperger, um dos espectros do autismo. À partir disto, parte em uma linda e sensível jornada sobre autoconhecimento e compreensão (de si e dos outros).

A Síndrome de Asperger muitas vezes passa despercebida durante a infância, uma vez que é uma forma muito branda de autismo. A parte cognitiva de um aspie, como são chamadas as pessoas que possuem esta síndrome, não é afetada, sendo o maior obstáculo para eles a convivência em sociedade. Marguerite na verdade é o alter ego da roteirista Julie Dachez, que ao ser diagnosticada com Asperger, também passou a respirar aliviada e respeitar seus próprios limites. O quadrinho surge para que Dachez dê vazão aos sentimentos tão lindos que moram dentro de sua mente e coração, com o bônus de ser extremamente importante e informativa. Mademoiselle Caroline assina a autoria dos desenhos que transbordam poesia e sensibilidade sobre um tema tão importante e pouco discutido. 

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>>  A Diferença Invisível: Precisamos conversar sobre a Síndrome de Asperger

Beasts of Burden (Evan Dorkin e Jill Thompson, Ed. Pipoca & Nanquim)

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Beasts of Burden  foi um dos quadrinhos mais comentados e esperados pelo público em 2017. A obra acompanha as aventuras de Pugs, Branquelo, Campeão, Rex e Jack, os cães e o gato Órfão, um grupo de animais habitantes de Burden Hill, uma pacata cidade que, do dia para a noite, passa a ser atormentada por acontecimentos sobrenaturais. Os seis, com a ajuda do Cão Sábio e de Miranda, dois cães que possuem uma conexão estreita com o além, investigam enfrentam com bravura chuvas de sapos, cães-fantasma, zumbis e rituais satânicos.

Cada capítulo do quadrinho segue uma história diferente dentro do mesmo universo que, mesmo contendo cenas gore e chocantes, também apresenta tramas extremamente sensíveis e tocantes como em Abandono, Um Cachorro e seu Menino e Perdido. Os diálogos, as referências aos clássicos do terror e horror e as aquarelas de Jill Thompson fazem de Beasts of Burden uma obra magistral e uma leitura obrigatória para fãs dos gêneros.

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>> Beasts of Burden: 5 motivos para ler e enfrentar os mistérios do além-túmulo em ótima companhia

Billie Holiday (José Muñoz e Carlos Sampayo, Ed. Mino)

Melhores livros

A graphic novel Billie Holiday conta passagens da vida de uma das vozes mais inesquecíveis do jazz, a nossa eterna Lady Day. A obra tem os traços de José Muñoz e roteiro de Carlos Sampayo, e foi prestigiada com o prêmio Grand Prix do Festival de Angoulême, chegando ao Brasil no início do ano pela Editora Mino. 

Billie Holiday conhecia as condições de suas opressões. Sabia que advinham da cor da sua pele e do seu gênero. Mulher negra e dona de uma das vozes mais marcantes e inesquecíveis do jazz, foi uma mulher muito além da denominação de “diva” do jazz, como geralmente é contemplada. A graphic novel traz uma importante lição sobre raça e gênero e foi uma das melhores leituras em quadrinhos de 2017. Apesar das passagens densas e tristes, os realizadores tiveram o cuidado de não banalizar a retratação das violências sofridas pela cantora, que foi uma mulher com muita coragem, capaz de afrontar a sociedade racista e machista de sua época com o poder de sua voz e presença. 

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>> Billie Holiday: O racismo e a misoginia destruíram nossa eterna Lady Day

Síncope (Aline Zouvi, Publicação independente)

Melhores livros

Síncope é um quadrinho independente com roteiro e traços de Aline Zouvi. A autora, que realizou seu mestrado à partir de estudos das HQs de Alison Bechdel, retratou em Síncope a vida de uma mulher instrumentista, onde mediante seu cotidiano de ensaios musicais, encontros e afazeres, precisa lidar com a condição de sua ansiedade. O quadrinho teve lançamento exclusivo na CCXP.

À medida que avançamos a leitura, o quadrinho nos proporciona uma conjunção sensorial como se estivéssemos por alguns minutos na mente e no corpo da protagonista da história. Sentimos toda a sua angústia e euforia, ocasionada pela chegada da ansiedade, que é retratada com o preenchimento de cores intensas através dos traços pretos de nanquim. Síncope é um belíssimo trabalho, onde mesmo quem nunca sofreu de tal condição é capaz de visualizar como a doença afeta a vida as pessoas. Obras artísticas sobre doenças mentais são essenciais para compreendermos e sabermos lidar com pessoas ao nosso redor que convivem com tal condição. Aline Zouvi, através do seu nanquim e giz pastel oleoso foi capaz de criar uma obra essencial sobre a ansiedade, uma vez que o Brasil é o país com a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo, segundo a OMS.

Onde comprar? Entre em contato com a autora pelo e-mail: [email protected]

Lacrimosa (Catharina Baltar, Publicação independente)

Lacrimosa é um quadrinho independente da artista formada em desenho industrial Catharina Baltar (que realizou também outro belíssimo trabalho chamado “Cerulean”), que foi lançado esse ano na CCXP.

Por meio de aquarelas em tons azuis suaves, a quadrinista conta a história de uma lágrima que ganha vida e busca trazer o conforto para uma jovem que não consegue parar de chorar. Em sua jornada, a pequena lágrima tenta descobrir qual o melhor caminho para dissipar a tristeza que carrega que a jovem carrega. A alegria da jovem é a libertação da lágrima, que também sente o o peso dos sentimentos dessa mulher. Lacrimosa é uma história sensível e tocante que Catharina Baltar consegue partir os corações mais duros após o final da leitura. 

Onde comprar? Entre em contato com a autora pela página: @catharinix

Livros

O Ódio que você Semeia (Angie Thomas, Galera Record)

Melhores livros

“ [Tu] ‘Pac disse que Thug Life, ‘vida bandida’, queria dizer The Hate You Give Little Infants Fucks Everybody, ou ‘o ódio que você passa pras criancinhas fode com todo mundo’.’’ A narrativa traz história de Starr, e de tantos que nem ele, sendo tão universal quanto atemporal.

O foco do livro O ódio que você semeia não é fazer uma análise formal do prejuízo sistemático que é o racismo, mas sim, retratar e apresentar o mesmo ao leitor de forma objetiva e usando de situações tão comuns quanto discriminatórias. Apesar de seu foco ser o público jovem, isto é, aqueles que serão os responsáveis pela mudança futura da atual situação, não há impedimentos ao entendimento da mensagem do livro por outras – todas – faixas etárias, já que o modo como ele é escrito permite um entendimento do caso de maneira transcendental não apenas a idades, mas a raças, etnias e vivências. O leitor – seja ele vítima ou opressor – é levado a fazer questionamentos ao longo de toda a leitura, sejam eles pessoais ou gerais, nos sendo indicado que a (provável) resposta para todos esses questionamentos é o que mais alegamos não sentir: o ódio.

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As Cientistas (Rachel Ignotofsky, Ed. Blucher)

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As cientistas, livro escrito e ilustrado por Rachel Ignotofsky, reúne informações sobre 50 de mulheres que atuaram na ciência e nos cativa pela sua importância para crianças e adolescentes. Conhecer a trajetória de mulheres como Maria Sibylla Merian e Mary Anning, nomes até então desconhecidos para muitas pessoas, pode nos fazer pensar em nossas próprias histórias e em como não conhecer mulheres como elas pode prejudicar nossa autoestima enquanto mulheres.

O machismo invisibiliza histórias e feitos femininos. Seus meios variam: muitas cientistas, por exemplo, sofreram com suas pesquisas e descobertas sendo atribuídas aos seus colegas homens. As consequências desse apagamento que vai muito além da área científica é a manutenção da ideia de que mulheres são menos capazes que homens. Expor as descobertas, invenções e pesquisas femininas é uma forma de combater a visão de que o mundo é feito por homens.

Com lindas ilustrações e um design marcante, o livro As cientistas é também um incentivo para a busca pelo conhecimento científico. Cada história carrega breves informações sobre o trabalho produzido pela mulher homenageada, o que mexe com a curiosidade do leitor. Sendo a curiosidade o motivador de praticamente todas as pesquisas do mundo, a obra alimenta a vontade de se fazer ciência.

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Outros Jeitos de Usar A Boca (Rupi Kaur, Ed. Planeta)

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Não é preciso muito para que um livro seja impactante. Não é a quantidade de palavras ou páginas, mas a intensidade do que se pretende passar. Outros Jeitos de Usar a Boca conquista pela simplicidade com que a autora Rupi Kaur consegue transmitir sentimentos de tantas mulheres. Ser mulher é enfrentar a opressão do berço à morte. É ter de superar agressão sob a forma de amor, abuso sob a forma de carinho. É lutar para assimilar que se merece mais do que o mundo oferta e de que não se está sozinha. Junto a tantos sofrimentos internos, existe uma cultura de violência que afeta a todas. A poesia de Rupi Kaur aborda o modo como mundo tenta calar as mulheres com afagos que machucam. Resume o que se gostaria de dizer tantas vezes. Mescla as palavras da poesia com ilustrações significativas.

O título original, Milk and Honey, refere-se à prosperidade com que tentam convencer as mulheres. Uma sociedade machista afirma que o amor ofertado é uma bênção. Porém, permanece sob o corpo o sentimento de que algo está errado. Na tradução, o título ganha outros contornos. Outros Jeitos de Usar a Boca quer revelar que a boca não é apenas mais símbolo de sexualidade, uma porta de entrada para a violência, mas o instrumento de luta através da fala. É pela boca que se manifesta a indignação, é pela boca que se exerce o direito de não permanecer calada.

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>> [LIVROS] Outros Jeitos de Usar a Boca: As mulheres e as relações de amor através da poesia de Rupi Kaur

A longa viagem a um pequeno planeta hostil (Becky Chambers, Ed. Darkside Books)

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O livro de estreia da autora Becky Chambers teve a sua própria jornada do herói, desde a sua publicação através de um sistema de crowdfunding até as indicações e vitórias em grandes prêmios dedicados à Ficção Científica. A longa viagem a um pequeno planeta hostil conquistou o público em diversos países e em 2017 chegou ao Brasil através da editora Darkside, em uma belíssima edição em capa dura.

O livro conta a história da tripulação da nave Andarilha, que, assim como a sua fuselagem, que é composta de partes de naves diferentes, possui membros de diversas raças e origens entre os planetas da Federação Galática. A Andarilha é uma nave perfuradora de buracos de minhoca que possibilitam a mobilidade entre os Sistemas Planetários membros da Federação. O pequeno planeta hostil do título faz parte de um sistema quase desconhecido pelo resto da união pelo fato de que a raça dominante vive em uma constante guerra interna. Quando um dessas tribos resolve se juntar à federação, a Andarilha recebe a missão de abrir o caminho até eles e para isso precisa enfrentar não apenas os perigos comuns que se pode pensar de uma viagem espacial, mas também perigos mais sutis como o tédio que corrói os tripulantes durante a longa viagem.

O diferencial do livro é que pode ser lido e aproveitado por fãs antigos da Ficção Científica, ou por quem começou agora a se aventurar pelo gênero. Os personagens são diversos e cativantes e a história prende do começo ao fim sem a necessidade de plots twists forçados e possui muitas reflexões que podem ser aproveitadas pelos leitores como, por exemplo, racismo e questões de gênero.

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>> A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil: a importância da diversidade na Sci-Fi!

A história da menina perdida (Elena Ferrante, Ed. Biblioteca Azul)

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História da menina perdida é o quarto volume da tetralogia napolitana, como são conhecidos os quatro livros que tratam da história de Lila e Lenú, duas amigas vivendo na Nápoles pós-II Guerra, em meio à pobreza, à violência masculina, aos desmandos da máfia e às reviravoltas políticas que marcaram a Itália a partir dos anos 60. Neste livro, Elena Ferrante, pseudônimo de uma escritora cuja identidade é desconhecida, aprimora e dá um desfecho ao arco narrativo das garotas, em meio a vários acontecimentos que irão marcar para sempre a vida das duas e de suas famílias.

No livro, descobrimos quem é a menina perdida do título, e como um acontecimento trágico marcou para sempre a vida de sua mãe, Lila, e também de Lenú, a narradora da história. Após fugir por anos do bairro violento onde cresceu, Lenú, agora escritora de sucesso, retorna para ele e passa a morar ao lado de Lila, sua grande amiga e rival. Essa convivência dolorosa e produtiva traz à tona as dores de dois temas muito caros a Ferrante: a maternidade e também a amizade entre mulheres.

Por meio de uma narrativa crua, honesta, por vezes brutal, História da menina perdida é, talvez, o volume mais denso e com mais reviravoltas da tetralogia. Os acontecimentos se desenrolam, um após o outro, e nele Ferrante aborda uma problemática cada vez mais presente nas discussões feministas: os privilégios masculinos, a sobrecarga da mulher que é mãe, o egoísmo e a vaidade dos homens e o sacrifício (da vida pessoal e pública) imposto às mulheres dentro das relações afetivas. Certamente, um dos melhores lançamentos de 2017.

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Kindred – Laços de sangue (Octavia Butler, Ed. Morro Branco)

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Impossível falar sobre ficção científica e não abordar esta obra de 1979 da escritora Octavia Butler – qualquer lista com os melhores livros do gênero que não contivesse Kindred – Laços de Sangue seria uma injustiça e um desperdício. Intitulada como “a grande dama da ficção científica”, Butler foi a primeira escritora negra a obter reconhecimento na área. Inventiva, original e corajosa por quebrar com os parâmetros do cânone, ela usou a ficção científica para, em pleno anos 70, falar de escravidão, misoginia, estupro, privilégios de classe e raciais e vários outros temas.

A narradora e protagonista da obra é Dana, uma mulher negra de 26 anos que vive na Califórnia e que, de repente, no dia de seu aniversário, é transportada para uma fazenda escravocrata nos arredores de Maryland, no sul dos EUA, no ano de 1819. Seu destino se cruza com o de Rufus, filho do senhor de escravos, a quem Dana é incumbida de salvar da morte em várias ocasiões. Ela não tem escapatória: seu próprio futuro depende dessas ações, embora Rufus seja um homem violento que a desumaniza e desumaniza os demais homens e mulheres negros ao seu redor.

A obra tem o poder de mostrar a desumanização da escravização, assim como a resistência e resiliência da população escravizada. É complexo por mostrar que as pessoas sobrevivem como podem, com os meios à sua disposição, e também sobre como a maneira pela qual somos lidas e lidos socialmente tem o poder de afetar nosso destino.

Como um mulher de pele negra, Dana se vê jogada numa engrenagem da qual é difícil escapar. Se tivesse voltado no tempo como um homem branco e proprietário, sua vida seria totalmente diferente e ela teria poder sobre si mesma. Mas ela volta em um período em que não era considerada sequer um ser humano. Como falar em mérito, superação individual, justiça e equidade em um contexto como esse? Quase 40 anos após sua publicação, Kindred tem mais a nos dizer do que muitas obras atuais. Uma pena que tenha demorado tanto tempo para ser traduzida e publicada no Brasil.

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>> Kindred – Laços de sangue: Nem todas as viagens no tempo são iguais

No Seu Pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie, Ed. Companhia das Letras)

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No Seu Pescoço, publicado em julho deste ano, reúne 12 contos da escritora Chimamanda Ngozi Adichie. Na obra somos apresentadas a diversas narrativas sobre a vivência de cidadãos africanos na Nigéria e como imigrantes nos EUA, abandonando a ideia de que a África é um continente pautado pela fome e guerras. A maioria das protagonistas dos contos são mulheres e junto com elas entendemos a complexidade de viver em uma sociedade moderna, mas que carrega ao mesmo tempo uma ancestralidade muito forte. Essas contradições são expostas nos contos, que também abordam temas como racismo, colorismo, colonialismo, machismo, relações familiares, política, violência policial, misticismo e a experiência de ser um imigrante africano nos EUA. Chimamanda também apresenta um pouco da situação política da Nigéria e nos insere nos conflitos étnicos de seu país pelo olhar de quem vivencia essa experiência, mas sem se preocupar em ser didática ou auto explicativa. No Seu Pescoço nos apresenta toda a diversidade de costumes, pessoas, personalidades e ancestralidade que os estereótipos não nos permitem explorar.

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>> No Seu Pescoço: Chimamanda nos apresenta as múltiplas realidades da Nigéria

Somos Guerreiras (Glennon Doyle Melton, Ed. Intrínseca) 

Melhores livros

Glennon Doyle Melton parecia ter a vida perfeita que todas nós mulheres devemos querer: sucesso profissional, filhos e um casamento com um homem bonito e atencioso que é o “pai perfeito”. Mas, ao invés de ter o final de conto de fadas que nos é prometido após essas conquistas, seu casamento entra em crise e ela tem que decidir se vai continuar ou não com seu marido. É assim que começa a história de Somos Guerreiras.

O livro, baseado em fatos reais da vida da autora, é um retrato infelizmente verdadeiro sobre o que é ser mulher hoje em dia. Lançado no Brasil pela editora Intrínseca, Somos Guerreiras, narra a vida de Glennon, desde a sua infância, até a adolescência e a fase adulta, para que o leitor possa entender como ela chegou até esse momento. Ao longo da história, ele aborda temas relativos à socialização feminina, como a bulimia e a pressão estética, e as suas consequências na vida da protagonista, que enfrenta vícios como o alcoolismo e problemas psicológicos como depressão, todos causados pelo simples fato dela ser mulher.

Ao retratar a forma como a socialização feminina nos ensina a odiar o nosso corpo e nos molda dentro de padrões estéticos e comportamentais através da violência, a autora consegue contar uma história envolvente, com a qual todas as mulheres podem se identificar pelo menos um pouco. No final da leitura, Somos Guerreiras nos passa uma mensagem positiva de esperança, que mostra a força das mulheres ao enfrentarem tudo isso e a nossa capacidade de mudar a realidade em que estamos inseridas. E, por isso, o livro se torna um dos melhores lançamentos desse ano.

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>> Somos Guerreiras: Como a socialização feminina molda as nossas experiências individuais
Esse texto foi escrito em conjunto com indicações de Camille, Laís, Athena, Thais, Vanessa, Tânia, Letícia e Isabelle.

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