Razão e Sensibilidade (2026): a mesma história sob novos olhos

Razão e Sensibilidade (2026): a mesma história sob novos olhos

Razão e Sensibilidade (2026) revisita a obra de Jane Austen com uma abordagem melancólica sobre o luto, o amor e a liberdade feminina.

Razão e Sensibilidade é a nova adaptação cinematográfica da obra homônima da escritora inglesa Jane Austen, publicada originalmente em 1811. O filme é estrelado por Daisy Edgar-Jones, Esme Creed-Miles e Bodhi Rae Breatnach, que interpretam as irmãs Dashwood, e por Caitriona Balfe, no papel da Sra. Dashwood. O elenco também conta com George MacKay, Herbert Nordrum, Fiona Shaw e Frank Dillane.

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Razão e Sensibilidade (2026): a história das irmãs Dashwood

O filme acompanha as transformações na vida das irmãs Dashwood após a morte do pai, quando o meio-irmão mais velho herda o dinheiro e as propriedades da família.

Elinor (Daisy Edgar-Jones), Marianne (Esme Creed-Miles) e Margaret (Bodhi Rae Breatnach), juntamente com a mãe (Caitriona Balfe), veem-se desamparadas, dependendo da bondade de outras pessoas e da promessa feita pelo irmão mais velho ao pai de que não as deixaria completamente desamparadas.

Porém, ainda que o meio-irmão tenha alguma intenção genuína de ajudar a família, ele esbarra na resistência da própria esposa, Fanny (Stacy Martin), que não aceita abrir mão de um centavo sequer em benefício das cunhadas e da viúva.

Em meio a isso, as irmãs mais velhas, Elinor e Marianne, precisam lidar com as expectativas em torno do amor e do casamento, além das possibilidades limitadas de liberdade para as mulheres de seu tempo.

É durante esse período que as irmãs conhecem Edward, irmão de Fanny, além do coronel Brandon e do Sr. Willoughby. Esses personagens movimentam a trama ao redor das Dashwood, criando momentos de tensão e alívio que as levam a questionar suas convicções e reavaliar a própria relação entre elas.

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Razão e Sensibilidade (2026) | Imagem: Reprodução

Das páginas à tela: a nova adaptação de Jane Austen

Com direção de Georgia Oakley e roteiro de Diana Reid, a adaptação de Razão e Sensibilidade (2026) apresenta uma abordagem mais séria do que sua predecessora mais famosa, lançada em 1995, que rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado a Emma Thompson.

Ao construir uma atmosfera mais melancólica, o filme dá maior peso ao luto pela morte do pai e ao trauma de precisar reconstruir a vida com muito menos recursos do que o esperado.

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Razão e Sensibilidade (2026) | Imagem: Reprodução

O filme segue um ritmo mais lento e contemplativo, dando preferência à ambientação das personagens nos espaços retratados e, de certa forma, também na época em que a história se passa.

A iluminação é um dos elementos que se destacam, ao tentar reproduzir a baixa luminosidade de um período em que os ambientes eram iluminados por velas. Essa escolha leva as personagens a permanecerem fisicamente mais próximas umas das outras, reforçando as relações construídas ao longo da trama.

O ambiente que cerca as Dashwood torna-se mais um personagem, com ênfase nos cenários naturais, que vão de florestas a praias, além das longas viagens de carruagem. Os morros e as florestas característicos da paisagem inglesa são apresentados de forma quase mística, principalmente quando o destaque é Marianne, que surge na tela como uma força difícil de ser contida. Assim como a natureza.

Essa escolha parece ser um aceno à tendência contemporânea do cinema hollywoodiano de privilegiar uma estética mais realista. Em Razão e Sensibilidade (2026), as cores quentes ficam para trás, enquanto os tons terrosos e os jogos de luz e sombra ganham destaque.

Essa estética oferece uma nova maneira de interpretar a história escrita por Jane Austen, agora muito mais centrada nas perdas sofridas pelas irmãs.

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Uma história escrita por mulheres

A diferença entre as mulheres Dashwood, assim como entre as demais personagens femininas da história, está na maneira como cada uma acessa – evocando o título da obra – a razão e a sensibilidade.

A história se passa na virada do século XVIII para o XIX, um período marcado por transformações políticas e culturais na Europa e no mundo, incluindo revoluções e guerras de independência. Foi também nesse contexto que Mary Wollstonecraft escreveu Reivindicação dos Direitos da Mulher (1792).

Ter ou não essas questões em mente não afeta diretamente a experiência de assistir ao filme, mas talvez ajude a compreender melhor as escolhas da diretora nessa adaptação. Jane Austen escreve sobre as estratégias necessárias para que as mulheres de sua época pudessem sobreviver, enquanto Georgia Oakley e Diana Reid parecem identificar experiências contemporâneas nessas histórias. Por isso, em alguns momentos, as personagens soam anacrônicas.

Isso se torna mais evidente na caracterização das irmãs, principalmente de Marianne, que aparece em diversos momentos do filme com os cabelos soltos e bagunçados e os vestidos sujos de lama. A forma de representar o espírito livre e a força das personagens cria a impressão de que elas viajaram dos anos 2020 de volta para o final do século XVIII.

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Razão e Sensibilidade (2026) | Imagem: Reprodução

Marianne é o caso mais extremo, enquanto Elinor estabelece um equilíbrio. Já Fanny, com sua aparência e seu comportamento mais conservadores, assume uma posição próxima à de uma vilã na narrativa.

Podemos modernizar a representação do passado, mas também é interessante lembrar que essas mulheres existiram e resistiram dentro das possibilidades que seu contexto lhes permitia, incluindo figuras como Fanny. Na adaptação de 2026, a caracterização de cada personagem ganha um tom de juízo de valor, que vai da mulher mais livre à mais reprimida.

A rebeldia já estava presente nas páginas, no próprio ato de Austen de escrever sobre essas mulheres. Ela existiu de fato e não precisaria ser reforçada por estratégias de representação tão simplificadas.

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Onde a sensibilidade resiste, mas a razão prevalece

Assim, a necessidade de encontrar um equilíbrio entre razão e sensibilidade é apresentada visualmente ao espectador.

A intensidade de Marianne transforma-se em uma desvantagem, do mesmo modo que o autocontrole de Elinor acaba atrapalhando sua jornada. Ainda assim, o filme exagera no tom sério, mesmo quando apresenta personagens cômicos, que parecem deslocados na história.

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Razão e Sensibilidade (2026) | Imagem: Reprodução

Essa nova interpretação de Razão e Sensibilidade faz um trabalho legítimo ao nos lembrar de que, além do romance, há uma tragédia envolvendo as personagens, agravada pelo lugar que as mulheres ocupavam na sociedade da época.

No entanto, ao enfatizar essa dimensão trágica, a adaptação também diminui o calor e o acolhimento que essas mesmas personagens carregam. O resultado é um filme que se prolonga além do necessário e termina perdido entre diferentes épocas.

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Historiadora e Mestre em Cinema e Audiovisual. Pesquisando estética, identidade e como desafiar os padrões. Nerd desde do berço e apaixonada por arte, cinema e educação.
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