Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é a continuação da história das mulheres da família Owens.
Vinte e oito anos após o filme de 1998, adaptação do romance Practical Magic, de Alice Hoffman, Sandra Bullock, Nicole Kidman, Stockard Channing e Dianne Wiest retornam aos papéis das bruxas que conquistaram uma geração.
O filme também apresenta novos nomes ao universo da franquia, como Joey King, Maisie Williams, Lee Pace e Xolo Maridueña.
Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor
No primeiro filme, conhecemos as mulheres da família Owens e descobrimos que o dom da magia vem acompanhado de uma maldição deixada por uma de suas antepassadas, a bruxa Maria Owens: todo homem que se apaixonar por uma de suas descendentes morrerá prematuramente.
É em torno dessa maldição que se desenrolam os acontecimentos do filme de 1998, no qual Sally e Gillian aprendem que o maior poder que possuem está na irmandade que construíram. A história também permite uma leitura sobre violência masculina e relacionamentos abusivos, especialmente a partir da trajetória de Gillian.
No final do primeiro filme, as protagonistas triunfam sobre a maldição e acreditam que as mulheres da família Owens estão finalmente livres para amar sem medo. A continuação, porém, revela que a história não estava tão encerrada quanto parecia.
Dessa vez, Sally assume uma postura ainda mais radical após seu primeiro luto e decide afastar definitivamente a magia da vida de suas filhas. Ainda assim, a maldição encontra uma maneira de chegar até elas.

Novos vilões cruzam o caminho das Owens enquanto Sally e Gillian tentam impedir que outra tragédia aconteça. Ao mesmo tempo, o passado da família volta a assombrar as descendentes de Maria Owens, aumentando os riscos para as protagonistas.
Joey King e Maisie Williams interpretam as filhas de Sally, Kylie e Antonia, enquanto Lee Pace vive um feiticeiro a quem as protagonistas recorrem em busca de ajuda.
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Nostalgia não é mágica suficiente
O primeiro filme chegou aos cinemas em uma década especialmente marcada pela representação de bruxas no cinema e na televisão. De Sabrina e Halloweentown a Abracadabra e Jovens Bruxas, os anos 1990 foram um período fértil para histórias de magia voltadas a diferentes públicos.
A influência desse imaginário está presente em Da Magia à Sedução, tanto na narrativa quanto na estética da época, que combinava elementos de fantasia, horror, romance e melodrama.
Esses aspectos, somados à adaptação de uma história original e popular, foram essenciais para que o filme se tornasse não apenas um clássico de Halloween, mas também um marco das narrativas protagonizadas por mulheres.
É justamente ao tentar se apoiar nesse imaginário de uma época que a continuação falha em estabelecer uma conexão consistente com o público, seja ele antigo ou novo.

A textura granulada já não está mais lá, assim como o grande grupo de mulheres com personalidades e divergências distintas, mas que se unem para ajudar outra mulher em perigo.
Nesta continuação, a magia assume o protagonismo, enquanto as relações entre as irmãs – Sally e Gillian, as tias e as filhas de Sally – ficam em segundo plano.
Poder, vingança e medo passam a conduzir a narrativa, enquanto os elementos que relacionavam a magia à experiência feminina e tornaram o filme anterior tão singular parecem ter ficado para trás.
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Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor cai na armadilha das chamadas “continuações-remake”: retorna ao ponto inicial da história quando poderia ter avançado a partir do que já havia sido construído.
Ao voltar à “estaca zero”, o filme acaba anulando parte do desenvolvimento das protagonistas, que precisam enfrentar novamente conflitos semelhantes aos que pareciam ter sido superados no primeiro longa.
O carisma das protagonistas é o ponto forte do filme
Sandra Bullock e Nicole Kidman fazem parecer que pouco tempo se passou entre um filme e outro. As duas atrizes continuam provando por que se tornaram grandes nomes de Hollywood e carregam o longa com o carisma, a química e o timing cômico que são característicos de ambas.
Joey King também se destaca entre o novo elenco. A atriz substitui Evan Rachel Wood, que interpretou Kylie na infância, e assume uma personagem fundamental para o desenvolvimento da narrativa.
A troca de atrizes faz sentido dentro do enredo apresentado pelo filme. Se Sally tivesse uma filha de 39 anos, toda a construção das personagens e dos acontecimentos precisaria ser diferente.
Ainda assim, é uma pena que Maisie Williams não tenha sido igualmente aproveitada. Sua personagem recebe menos espaço do que Lee Pace, que funciona como uma nova tensão romântica para Sally.

O retorno de Dianne Wiest e Stockard Channing como as tias Jet e Frances é outro destaque que emociona, especialmente quando o filme falha em provocar esse sentimento por conta própria.
Vale mencionar também a trilha sonora, que conecta as vozes de Stevie Nicks e Olivia Rodrigo em um aceno tanto ao filme de 1998 quanto à cultura pop atual.
A magia na prática
A continuação deixa a desejar por não conseguir alcançar a mesma profundidade que o filme original encontrou em menos tempo. Ao tentar, sem muito sucesso, complexificar a mitologia por trás da história, deixa de lado os elementos que fizeram dela tão memorável.
No fim, pouco importava a magia em si, mas o amor e a cumplicidade entre as mulheres da família Owens. Enquanto Da Magia à Sedução parecia falar sobre a liberdade de Sally e Gillian, em Feitiço de Amor a urgência está em salvar os atuais e futuros parceiros das Owens.
O fator nostálgico não é suficiente para fazer essa história funcionar. Ainda existe alguma magia, mesmo que seja uma magia moldada pelos padrões do cinema dos anos 2020.
Talvez o problema esteja justamente nas tendências do audiovisual contemporâneo, cada vez mais voltado ao realismo, ao espetáculo e às grandes produções. Mas, no fim, sempre teremos o original.





