Pai Mãe Irmã Irmão é o filme mais recente do cineasta estadunidense Jim Jarmusch.
O longa que venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2025, passou pelo Brasil durante a Mostra de Cinema de São Paulo e, no dia 09 de Abril de 2026, chega às salas de cinema de todo o país.
A produção é estrelada por Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Cate Blanchett, Vicky Krieps, Indya Moore e Luka Sabbat.
Pai Mãe Irmã Irmão
Como o título indica, o filme de Jim Jarmusch, importante diretor do cinema independente norte-americano, retrata histórias de relações familiares, expondo tensões e distanciamentos que podem fazer parte dessas dinâmicas.
O longa se divide em três capítulos que focam em diferentes personagens e famílias.
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Em “Pai” seguimos Jeff (Adam Driver) e Emily (Mayim Bialik) em uma visita ao seu pai (Tom Waits), com quem eles têm uma relação distante.
Durante a visita fica clara a dinâmica familiar em que um dos filhos se ocupa em ser útil ao pai, enquanto o outro se mantém distante, refletindo a maneira defensiva na qual são tratados pelo pai.

Já durante o capítulo “Mãe”, vemos como as relações de competição entre irmãos e a busca por afeto ou aprovação da mãe interferem nas trocas familiares.
Lilith (Vicky Krieps) e Timothea (Cate Blanchett) realizam a visita anual a casa da mãe (Charlotte Rampling), mesmo vivendo na mesma cidade. O rápido chá da tarde é marcado por perguntas protocolares e pouco interesse em saber ou responder com sinceridade.
No último capítulo, “Irmã Irmão”, seguimos Skye e Billy enquanto os irmãos se reencontram em Paris, após a morte de seus pais.
Eles reafirmam laços de afeto enquanto observam artefatos da vida confusa e disfuncional que os pais viveram e, assim, também encontram informações sobre as próprias identidades.
Diferentes reflexos de famílias
Esse formato de diferentes histórias conectadas apenas por um tema em comum permite ao filme explorar um elenco diverso enquanto foca em poucos personagens por vez.
O curto tempo que permanecemos com cada família não permite que o público desenvolva um interesse real sobre as motivações de cada personagem.
Ainda assim, contribui para que o filme não se torne cansativo, mantendo-se longe também de narrativas melodramáticas comuns a representações de famílias disfuncionais, como acontece em obras como Álbum de Família (2013) ou Os Descendentes (2011).
O objetivo não parece ser chegar ao cerne das relações apresentadas, mas como as personagens navegam tais relações e os conflitos silenciosos que permanecem sem resolução.
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O elenco é o ponto alto do filme, desempenhando performances que convencem a espectadora mesmo quando o roteiro oferece pouco com o que trabalhar.
Aliás, o elenco termina por ser mal aproveitado, com nomes como Charlotte Rampling e Cate Blanchett conferindo tanta verdade às personagens que deixam o público com vontade de saber mais sobre suas histórias.
Assim como Indya Moore e Luka Sabbat, nomes menos conhecidos do elenco, mas que protagonizam a porção mais interessante do filme.

Mesmo com o pouco tempo de tela que têm, constroem uma química fraternal baseada em experiências compartilhadas que não apenas convence o público de sua história, mas também consegue tecer uma conclusão para as três histórias retratadas pelo longa.
Pai Mãe Irmã Irmão e o público
Em Pai Mãe Irmã Irmão, Jarmusch apresenta diferentes exemplos de relações familiares disfuncionais.
Seja um pai que mente para os filhos, filhas que mentem para a mãe ou até mesmo filhos que percebem não saber muita coisa sobre os seus pais.
Essas relações, quando apresentadas uma após a outra, levam-nos a refletir sobre as implicações do formato tradicional de família nuclear.
Nessas famílias, pais, mães e filhos se protegem de decepções e desgostos construindo barreiras invisíveis entre eles.
Pouca informação é trocada e demonstrações de afeto, menos ainda; por vezes, as conversas são conduzidas com a precisão de transações profissionais.
Contudo, ao retratar também a dinâmica entre irmãos, o filme explora as trocas silenciosas ou não entre indivíduos que identificam entre si as mesmas cicatrizes.
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Dessas trocas surgem cúmplices e algozes.
Em determinado momento, a personagem de Adam Driver diz que “não se pode escolher a família” para descrever a própria família.
O que o filme propõe é uma reflexão sobre o que mantém filhos presos aos pais e vice-versa. Não se pode escolher a família, mas por que continuamos escolhendo voltar?
As velhas estruturas permanecem
Assim como títulos anteriores de Jim Jarmusch, Pai Mãe Irmã Irmão faz uso de um ritmo mais lento para que a espectadora sinta a presença de cada personagem.
Nesse caso, observamos de longe, sem adentrar de fato nas motivações de cada um. É como se fôssemos mais um dentro daquelas famílias de estranhos.






