Supergirl: diverte, mas peca ao não se confiar na protagonista

Supergirl: diverte, mas peca ao não se confiar na protagonista

Supergirl é o filme mais recente do novo DC Studios, dedicado a adaptar personagens e histórias da DC Comics. O longa dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya e Cruella) traz em seu centro a personagem titular, vivida por Milly Alcock. Além da atriz australiana, também se destacam no elenco Eve Ridley, Jason Momoa, Matthias Schoenaerts e David Corenswet, que retorna ao papel de Superman.

Supergirl e seu super cão

Em Supergirl encontramos Kara Zor-El da forma como ela havia sido apresentada em Superman (2025). A prima de Clark Kent parece perdida e submersa pelo luto e trauma causados pela perda do seu planeta natal e seus pais.

Kara então encontra conforto na companhia de Krypto, o seu cachorro, enquanto eles viajam pelo espaço em busca de música, bebidas e distrações de como ela realmente se sente.

Mulher loira com óculos escuros e fones de ouvido em estúdio, com um cão de pelo claro ao colo enquanto usa microfone no fundo desfocado.
Supergirl (2026) | Imagem: Reprodução

É nesse caminho, por um planeta de sol vermelho, que Kara conhece Ruthye (Eve Ridley), uma jovem que teve a família assassinada pelo mercenário Krem dos Montes Amarelos (Matthias Schoenaerts).

Ruthye está em busca de vingança e de alguém que a ajude a encontrar e matar Krem. Os caminhos das duas são entrecruzados quando o vilão envenena Krypto e Kara precisa ir atrás de Krem para conseguir o antídoto e salvar o seu cachorro. 

Elas partem em uma caçada interplanetária que vai tomando proporções cada vez maiores ao se depararem com mais crimes dos Krem. Enquanto isso Kara se vê cada vez mais encurralada pelas memórias que tenta ignorar e o conflito entre quem ela foi e quem se tornou.

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Os filmes de super-heroínas e o problema da falta de um protagonismo claro

Após a sua aparição em Superman, o filme solo da Supergirl se tornou uma esperada adição ao novo DCU, além de representar a estreia da heroína nas telas do cinema. Contudo, o resultado final mostra que ainda há uma dificuldade de Hollywood em adaptar narrativas de super-heroínas para o público mainstream

O principal problema que atrapalha o longa de 2026 é um roteiro que não consegue estabelecer as motivações e conexões entre as personagens de maneira que engaje a espectadora. Atrelado a isso está o que parece ser uma reluta, que se repete desde Capitã Marvel (2019), em entregar o protagonismo do filme a personagem título. 

Em Supergirl, conhecemos primeiro o trauma de Ruthye antes do de Kara, o que faz com que a menina se torne o ponto de foco e curiosidade da narrativa.

O filme assume que todos os seus espectadores já estão familiarizados com a história dos sobreviventes de Krypton e toda a mitologia por trás das personagens. Ao fazer isso ele deixa para o meio do longa a construção psicológica de Kara, diminuindo o impacto das suas ações até então. 

Mulher jovem em primeiro plano, olhando para a câmera, usando jaqueta escura com forro de pele e blusa marrom, em um cenário desfocado ao fundo com pessoas ao longe.
Supergirl (2026) | Imagem: Reprodução

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A aparição do anti-herói Lobo (Jason Momoa) é outro ponto que parece sem uma real função dentro do roteiro. O personagem surge e some sem grandes consequências para a narrativa.

Ele não serve ao desenvolvimento de Ruthye ou de Kara, além de desempenhar apenas um papel de “braço forte” a uma protagonista que é literalmente indestrutível (na maior parte do tempo). 

Supergirl em uma galáxia tão tão distante…

O filme pega emprestado o formato de ficções científicas fantásticas de sucesso, como Star Wars e Guardiões da Galáxia. Ainda assim, a forma como Kara pula de um lugar a outro, deixa a desejar na construção de mundo que sustentaria melhor o clímax do filme.

Algo que é prejudicada também pelo o plano de fundo sempre desfocado e em alguns momentos claramente descolado dos atores em primeiro plano. Deixando mais aparente o uso de CGI e cenários digitais

Cena em movimento de uma pessoa correndo em câmera lenta, com o cabelo ao vento, roupa azul e moletom marrom, no estilo cinematográfico e com luz quente ao fundo.
Supergirl (2026) | Imagem: Reprodução

A partir do arco dos Krem e dessa viagem de Kara por vários planetas, é apresentado uma trama que eleva o desafio e as possíveis consequências dessa caçada, mas parece não ter um impacto real nas decisões e no desenvolvimento da protagonista. Torna-se uma oportunidade mal aproveitada de aprofundar a personagem para além das motivações apresentadas no começo do filme – salvar seu cachorro. 

Craig Gillespie faz um trabalho competente, mas a montagem e roteiro deixam a desejar e acabam afetando o desempenho de um diretor que carrega êxitos com protagonistas femininas em seu currículo. O uso massivo do CGI volta como uma dificuldade contínua das super produções de heróis, algo que parece ter sido a norma nessas produções. 

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Nem tudo está perdido

O casting de Millie Alcock como Kara Zor-El foi um acerto. A atriz consegue imprimir profundidade a personagem e despertar a empatia da espectadora com a sua atuação, além de possuir um carisma que soma a construção de Kara e a sua química com as demais personagens. A jovem Eve Ridley também rouba a cena e faz com que esperemos o retorno de Ruthye às aventuras da Supergirl. 

A trilha sonora cria momentos divertidos que ditam o tom mais descontraído do filme (ainda assim, poderia dizer que sofre com a falta de músicas do Bikini Kill, Le Tigre, entre outras que comporiam perfeitamente a atmosfera de uma heroína rebelde e a estética da personagem).

Esse tom que também se beneficia da presença de Lobo como um alívio cômico eficaz. E que apresenta um desafio para Kara como a imagem de quem ela não deseja ser. 

O desfecho é, de certa forma, surpreendente, consolidando quem Kara é em relação ao seu famoso primo, conhecido por buscar agir sempre de forma moralmente correta. Isso representa não apenas um ponto positivo para o filme, mas também abre possibilidades interessantes para o desenvolvimento da personagem no futuro.

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Historiadora e Mestre em Cinema e Audiovisual. Pesquisando estética, identidade e como desafiar os padrões. Nerd desde do berço e apaixonada por arte, cinema e educação.
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