[GAMES] “Virginia”: suspense policial com protagonismo feminino

[GAMES] “Virginia”: suspense policial com protagonismo feminino

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Diante de uma era de remakes e referências aos anos 90, com o sucesso absurdo de “Stranger Things”, por exemplo, nada mais normal que a tendência siga seu curso para os jogos. E aí, meus amigxs, surge “Virginia”, um game indie de investigação criminal com protagonismo feminino e baseado na série “Twin Peaks”, que ainda hoje é referência de muitas produções.

Todo jogado em primeira pessoa, “Virginia” é um thriller com uma narrativa meio sobrenatural que mistura realidade e alucinação. Talvez seja mais apropriado chamar “Virginia” de filme interativo. Não é à toa que no menu principal a opção para iniciar a partida é “Reproduzir filme”. De fato, não são apresentadas ao jogador opções que mudem o andamento da história, mas é preciso ficar bem atento a tudo com que se pode interagir, já que a construção é bem subjetiva e cada detalhe importa para entender o todo. Ainda mais considerando que o jogo não tem falas, ou seja, é pura interpretação.

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Anne Tarver e Maria Halperin, respectivamente

Pois bem, a personagem principal que você controla é uma recém-graduada agente especial do FBI, Anne Tarver. Seu primeiro caso é o desaparecimento de um garoto numa pequena cidade do estado de Virgínia, no verão de 1992. Sua parceira é a experiente agente especial Maria Halperin. As duas são mulheres negras. Em determinado momento do jogo, essa informação tem bastante relevância.

Logo nos primeiros minutos de jogo, Tarver é instruída a ficar de olho na parceira. O comportamento de Halperin demonstra uma certa desconfiança da Tarver e as duas parecem estar investigando muito mais que um desaparecimento, aumentando o nível de mistério em uns 200%!

image_1472150213_81880293Após esse início puramente policial, a história vai se desenvolvendo de um jeito muito louco, bagunçando um pouco a cronologia e trazendo elementos que não dá pra ter certeza se fazem parte da trama mesmo ou são alucinações. Mas eu digo “louco” de um jeito ótimo! É aí que entra o sobrenatural, com a presença de um passarinho vermelho, um búfalo, distorções do espaço e do tempo. O jogo também apresenta muitas metáforas dentro dessa construção, que vai fazer você conhecer melhor Anne Tarver e Maria Halperin.

O estilo gráfico é bem peculiar, simples mas muito bonito e bem feito. O formato de vídeo no jogo é o widescreen com mattes (aquelas barras pretas em cima e embaixo), com transições de cortes rápidos e secos, bem cinematográfico mesmo, explorando bem o efeito dramático.

A trilha sonora é um espetáculo à parte. Além de ter captado ridiculamente bem a referência dos anos 90, ela cria o clima certo para a imersão no jogo, é linda demais. Fora que foi toda gravada pela Orquestra Filarmônica de Praga, uma das orquestras mais conhecidas do mundo. Respeita esse indie, minha gente!

Se você curtiu “Stranger Things”, “True Detective”, ou séries mais antigas como “Twin Peaks” e “Arquivo X”, ou ainda o jogo “Life is Strange”, vale a pena conferir “Virginia”. O jogo está disponível completo para PC, Xbox One, PS4 e OS X. Mas também tem uma demo gratuita disponível na Steam pra quem quiser dar uma conferida antes. Fique então com o trailer:


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Bagunceira e bagunçada, por dentro e por fora. Prefere ver séries em maratonas, menos Game of Thrones, porque detesta spoiler. Totalmente apaixonada por desenho e animação. Tem mania de citar filmes em conversas, conselhos, brigas ou onde couber uma referência. Prefere gastar dinheiro com quadrinhos do que com comida, sendo muito entusiasta do quadrinho nacional e graphic novels em geral. Formada em Jornalismo, mas queria mesmo trabalhar com roteiro e ilustração.
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