[CINEMA] “A Economia do Amor”: o valor de uma relação (Festival do Rio)

[CINEMA] “A Economia do Amor”: o valor de uma relação (Festival do Rio)

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A filmografia do cineasta belga Joachim Lafosse não costuma ser de fácil digestão. E não poderia ser diferente com esse drama, que retrata a história de um casal que, após 15 anos juntos, decide se separar. O principal entrave (aparente) para que o divórcio seja possível é a divisão da casa, a qual foi comprada por Marie com a ajuda de sua mãe e totalmente reformada por Boris, que é arquiteto. Na economia para calcular como ficaria a partilha de bens, sofrem todos, mas em especial as filhas do casal.

Com um jogo espetacular de plano e contraplano, aliado ao uso constante do extra campo, o diretor vai nos colocando no interior daquela casa, que apesar de construída com muito amor, está ruindo. O ambiente se torna claustrofóbico a cada novo embate do casal. Ninguém passa ileso. Não existem vítimas ou culpados. E esse jogo verborrágico vai dando o tom do roteiro que é assinado também por Mazarine Pingeot e Fanny Burdino, além de Lafosse.

Mas o grande trunfo do filme é a excelente direção de atores. Bérénice Bejo encarna uma Marie dura, seca, contida e objetiva, bastante diferente, por exemplo, da protagonista insegura e mais histriônica de “O Passado”, dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi.

Em ambos os filmes a atriz mostra a grandiosidade do seu trabalho, justamente porque é possível fazer um controponto de atuações tão distintas em papéis semelhantes. Da mesma forma, Marthe Keller interpreta um pai amoroso, mas que se demonstra extremamente imaturo na condução da vida conjugal.

A Economia do Amor“, que foi exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes (2016) é, além de tudo, um filme que fala sobre umas das grandes conquistas das mulheres, que é a garantia legal de ter a opção de poder se divorciar.


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Autora

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Aquariana, mora no Rio de Janeiro, graduada em Ciências Sociais e em Direito, com mestrado em Sociologia e Antropologia pelo PPGSA/UFRJ, curadora do Cineclube Delas, colaboradora do Podcast Feito por Elas, integrante da #partidA e das Elviras - Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema. Obcecada por filmes e livros, ainda consegue ver séries de TV e peças teatrais nas horas vagas.
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