[CINEMA] O Estranho Que Nós Amamos arranca aplausos em Cannes e Nicole Kidman fala da falta de diretoras mulheres

[CINEMA] O Estranho Que Nós Amamos arranca aplausos em Cannes e Nicole Kidman fala da falta de diretoras mulheres

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Em um evento cheio de diretores com filmes focados em personagens masculinos, O Estranho que nós amamos, filme da diretora Sofia Coppola, que venceu o prêmio de Melhor Direção, na 70ª edição do Festival de Cannes, dá uma guinada no filme original de 1971, com uma perspectiva feminina; e Sofia Coppola faz história, tornando-se a segunda mulher a ganhar o prêmio de Melhor Direção desde 1961, onde o júri concedeu o primeiro prêmio para a diretora Yuliya Solntseva, por “A Epopéia dos Anos de Fogo”.

O Estranho que nós amamos, de Sofia Coppola, foi exibido para a imprensa na manhã de quarta-feira passada em Cannes. O filme retrata lindamente uma batalha dos sexos, liderada pelo formidável duo Nicole Kidman e Colin Farrel (e ambos competiram em outra modalidade, com “The Killing of a Sacred Deer”), também com a estrela de “As Virgens Suicidas”, Kirsten Dunst e Elle Fanning, de “Um Lugar Qualquer”.

A diretora e roteirista Sofia Coppola reentra nos holofotes de Cannes com uma adaptação de alto nível do drama de guerra de 1971 dirigido por Don Siegel e com atuação de Clint Eastwood, baseado em uma novela escrita por Thomas Cullinan em 1966. Cerca de dois anos atrás, Anne Ross, designer de produção de Coppola, encorajou-a a refazer o filme – que foi um sucesso de crítica na época. O público não estava pronto para ver Eastwood, um soldado alto, obscuro e belo ser maltratado por uma escola cheia de mulheres vingativas. Julgado pela reação da imprensa na exibição, o público está aceitando mais agora.

E eis o que aprendemos na conferência de imprensa:

O Estranho Que Nós Amamos
O Estranho Que Nós Amamos (Reprodução)

É sobre Mulheres

Esta história tinha que ter sido dirigida por uma mulher”, Nicole Kidman contou ao Canal Plus antes da conferência de imprensa. “A essência dela é feminina, é vista por um ponto de vista feminino”. Na conferência, ela disse que a professora está “protegendo essas garotas em um momento difícil e traiçoeiro, e elas estão sobrevivendo. Sua motivação é guia-las e protege-las”.

Cada vez que um grupo de mulheres é tirado mundo, diferentes dinâmicas aparecem… eu tentei tirar da minha cabeça como contaria essa história e começaria novamente”, disse Coppola.

Farrel concluiu que “com a repressão, se há um cobertor em que as pessoas se encontram debaixo, haverá um pesado preço a pagar, não importa o gênero”.

Quando você está lidando com pessoas que estão juntas sob o mesmo teto”, disse Dunst, “não importa se são mulheres, homens ou uma mistura, algo vai acontecer. Agressões e sentimentos enclausurados serão liberados por causa dessa nova dinâmica.

Ele chega e estraga tudo!”, disse Kidman, encarnando a madame originalmente interpretada por Geraldine Page. “Estamos bem. A única coisa que não conseguíamos fazer era procriar. Que ele vá embora logo!

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Coppola também estava entusiasmada de estar reunida com suas estrelas, incluindo Dunst e Fanning.

Eu amei trabalhar com Kirsten e pude vê-la como a professora”, disse Coppola, sobre seu processo de seleção. “Sempre admirei Nicole e imaginei-a como a diretora enquanto eu escrevia. Soube que ela traria seu humor peculiar ao papel”.

Fanning, agora com 18, teria idade suficiente para interpretar uma jovem estudante. Coppola a descobriu aos 11 anos, com “Um Lugar Qualquer”.

Nós estamos fazendo o filme através de um ponto de vista feminino”, disse Coppola, “e isso foi parte da diversão. O núcleo do filme é a luta entre masculino e feminino, que é relevante em uma história que esperamos ser divertida e um ótimo entretenimento”.

Colin Farrell em O Estranho Que Nós Amamos (Reprodução)

E Um Homem

Eu tenho um pênis”, Farrel disse sobre seu papel em O Estranho que nós amamos, como um soldado da união ferido que uma jovem estudante leva para dentro de uma escola para garotas na Virginia. “Traição e humor acontecem.”

Ele levou na esportiva sobre ser nosso objeto”, disse Coppola.

Eu não tive que me preocupar em ser o símbolo masculino”, ele disse na conferência de imprensa. “Cresci com três mulheres muito fortes, brilhantes e bondosas em minha vida, minha mãe e duas irmãs. Ser cercado por mulheres talentosas, sérias, decentes, espertas, perspicazes e criativas – Eu foi mimado por Sofia Coppola, que criou uma atmosfera de conforte, confiança e tranquilidade. Isso me permite, como ator, encenar e explorar”.

Ele concluiu: “Tenho feito isso por 20 anos, e essa é a minha experiência favorita, meu filme favorito. Ela é elegante, esperta e tem um modo gentil, isso sem falar na inacreditável capacidade criativa interior. É ótimo ter essa elegância e doçura permeando toda a experiência”.

Farrel nunca se encontrou com Clint Eastwood, que fez o papel original. “Eu vi o filme há alguns anos; fiquei perturbado com o filme original, isso ficou comigo. Eu disse que nunca faria um remake novamente, mas quando isso chegou foi fácil dizer “sim. É um reconto, uma reinterpretação, o que significa que não falta originalidade. Sofia fez algo muito original com o filme. Clint estava extraordinário no filme de Siegel. Mas eu pude manter meu sotaque irlandês – o personagem é um soldado irlandês lutando da perspectiva de um mercenário. É um pouco uma história de imigração, ele acaba de sair do barco, como tantos outros fazendeiros que viajaram para a América para sobreviver. Isso foi único em nossa experiência de contar o filme.

Eu quis contrastar o soldado exótico e muito masculino com esse mundo feminino em que ele chega”, disse Coppola. “Colin é charmoso e carismático, e eu soube que ele encontraria um modo de conectar com cada personagem diferentemente. Ele se conectou com seu lado obscuro”.

Kidman Detona em Cannes!

Coppola foi ver Kidman em uma peça em Londres e jantou com ela em seguida. “Ela tinha esse roteiro”, disse a atriz. “Ela poderia ter me dado uma lista telefônica e eu faria”.

Kidman quer trabalhar com mais Diretoras, ela disse citando a sombria estatística de Women in Film (Mulheres nos Filmes) para Cinema e Televisão (apenas 4% dos grandes filmes do ano passado foram dirigidos por mulheres). “A importante coisa a dizer e a continuar dizendo é que temos Jane Campion aqui”, disse Nicole. “Nós mulheres temos que apoiar diretoras femininas, isso é um fato. Com sorte isso vai mudar com o tempo. Pessoas ficam dizendo que é tão diferente agora. Não é.”

Sofia Coppola no Festival de Cannes (Reprodução)

Coppola fez o filme para a telona

Coppola colaborou pela primeira vez com Philippe Le Soud, responsável pela fotografia de Wong Kar Wai, com resultados belíssimos em “O Homem que nós amamos”, filmado em 35mm. “Ele me ajudou a criar a atmosfera e o mundo do filme”, ela disse. “Com o belíssimo trabalho de Le Sourd, todo o trabalho [no filme], espero que as pessoas vejam a fotografia na tela dos cinemas”.

Sofia Coppola estava fazendo esse filme para os cinemas, no modo de enquadrar e todas as coisas que fazemos”, disse Kidman. “Ao mesmo tempo, precisamos de histórias, oportunidades e precisamos que as coisas sejam vistas, este mundo está mudando e temos que mudar com ele. Como atriz, tenho que trabalhar em todas as mídias. Jean-Marc Vallee dirigiu Big Little Lies para a Tv, Tenho experiência em todas as áreas”.

Ela concluiu, “Estou fazendo 50 neste ano. Eu nunca tive tanto trabalho como agora, parcialmente porque trabalho para a tv, e faço filmes para a tv e o cinema”.

Tradução livre do artigo de Anne Thompson, para o site IndieWire.


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Fundadora e editora-chefe do Delirium Nerd. Revisora. Apaixonada por gatos, café, cinema do oriente médio, quadrinhos e animações japonesas. Ouve muito Harry Styles e cantoras melancólicas.
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