O que eu aprendi com “My Mad Fat Diary”

O que eu aprendi com “My Mad Fat Diary”

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“My Mad Fat Diary” é uma série britânica baseada no livro “My Fat, Mad, Teenage Diary” de Rachel Earl, que foi transmitida pelo canal E4 até 2015. Com 3 temporadas e apenas 16 episódios, a história, que é baseada em fatos reais, se passa em 1996 e gira entorno da vida da protagonista Rae Earl, que mantém um diário onde ela conta suas histórias e revela seus sentimentos mais íntimos.

A vida de Rae (Shaaron Rooney) está longe de ser fácil, ela tem 16 anos, tem um péssimo relacionamento com sua mãe, sofre de problemas psicológicos, baixa autoestima e gordofobia. No primeiro episódio somos convidados a acompanhar a sua trajetória após sair de um hospital psiquiátrico, onde ela ficou internada por 4 meses após uma tentativa de suicídio. Assim, passamos a conhecer o seu grupo de amigos compostos por Chloe (Jodie Comer), Izzy (Ciara Baxendale) , Chop (Jordan Murphy), Archie (Dan Cohen) e Finn (Nico Miragrello) e acompanhamos a forma com que Rae passa a enfrentar o mundo real, enquanto mantém o tratamento psicológico com seu médico Kester (Ian Hart). – As cenas de terapia são, na minha opinião, as melhores e mais tocantes da série.

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My Mad Fat Diary

Eu comecei a assistir My Mad Fat Diary no segundo ano do ensino médio e soube imediatamente que seria um dos meus programas favoritos, não só pela estética maravilhosa e pela trilha sonora incrível, com músicas de bandas da época como Blur, Radiohead e Oasis, mas também por conseguir trazer uma nova abordagem para temas como amizade, amor, depressão, sexualidade, perdas e autoestima além de falar de temas que são raramente retratados, como a gordofobia.

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A série se destaca pela sua representatividade, pois é uma das únicas produções que possui uma protagonista gorda e fora dos padrões como Rooney, indo na contramão dos filmes de Hollywood que colocam atrizes gordas em papéis de “alívio cômico”, como Pitch Perfect ou aqueles que mostram que a personagem principal precisa passar por uma transformação na sua aparência para ter um final feliz, como “O diário de uma princesa”.

Rae é gorda, e ela continua sendo em todas as temporadas sem precisar emagrecer para conseguir amigos, felicidade ou demonstrar a sua sexualidade. A sua vivência como adolescente gorda é retratada de forma complexa e real, o que dificilmente encontramos nas séries de TV, e o fato da história ser narrada toda sob a sua perspectiva me faz acreditar que é praticamente impossível não se identificar com pelo menos alguns dos seus sentimentos. 

Mesmo que hoje eu já tenha acabado de ver a série, ela continua sendo uma das que mais me marcaram, por isso decidi contar um pouco sobre o que eu aprendi nessas 3 temporadas:

CUIDADO! CONTÉM SPOILERS

1. Sempre entenda o lado dos outros

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Ao longo dos episódios é fácil perceber que Rae tem uma baixa autoestima, ela se acha feia e inferior a todos e as suas inseguranças acabam muitas vezes interferindo nos seus relacionamentos. Um exemplo disso é a sua melhor amiga Chloe, que é vista e retratada pela protagonista como alguém muito superior, devido à sua beleza padrão e sua facilidade de conseguir atenção de meninos. Rae se sente um patinho feio ao lado da amiga, tendo muitas vezes inveja da sua vida que parece “perfeita”, mas a série consegue mostrar o lado de Chloe desenvolvendo seus sentimentos, construindo uma personagem complexa que vai muito além do estereótipo de “mean girl”, mostrando que todos nós lidamos com problemas e que muitas vezes estamos tão consumidos por nossa própria vida e nosso complexo de inferioridade, que passamos a idealizar as pessoas ao invés de enxergá-las como seres humanos que tem inseguranças como as nossas.

2. Está tudo bem aceitar que alguém te ame antes que você se ame

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As pessoas costumam dizer que para você ser amada por alguém é preciso se amar primeiro, entretanto My Mad Fat Diary mostra que o amor de outra pessoa pode muito bem ser uma passagem para o amor próprio, e que todos nós, mesmo aqueles que lidam com problemas de autoestima por estarem fora dos padrões estéticos como Rae, merecemos ser amados. Rae tem um crush em Finn desde o começo da série, mas ela sempre o vê como alguém inatingível, acreditando que por ser gorda não merece um cara tão “perfeito” como ele que sempre iria preferir as meninas dentro do padrão. As coisas mudam logo no final da primeira temporada quando eles ficam juntos e começam a namorar na temporada seguinte. Finn se mostra completamente apaixonado por Rae, mesmo que ela não seja apaixonada por si mesma ainda, e o relacionamento deles se desenvolve demonstrando o crescimento dos personagens no decorrer das temporadas.  

3. Autoaceitação não é fácil

Aceitar a si mesmo não é algo fácil. É normal sentir que não somos bons o suficiente, principalmente quando se trata de meninas que, como Rae, cresceram fora dos padrões estéticos e sofrem de problemas psicológicos. My Mad Fat Diary consegue tratar desse assunto de forma natural, mostrando que não existe uma fórmula mágica ou um caminho fácil para o amor próprio. Em suas sessões de terapia Rae fala sobre os diversos problemas que enfrenta e vai aprendendo aos poucos da onde eles surgem e como a forma com que os outros a veem influência a sua vida. 


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Feminista. 20 anos. Libriana indecisa com ascendente em leão que sonha em viajar o mundo. Estudante de publicidade e propaganda, apaixonada por séries, livros, filmes e levemente viciada em ver fotos de animais fofinhos na internet.
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