Halloween: a força feminina contra um perigo antigo

Halloween: a força feminina contra um perigo antigo

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Fomos conferir a pré-estreia do novo filme Halloween, que aconteceu no último Noitão da Caixa Belas Artes, dia 19 de outubro. O novo filme, com estreia prevista para 25 de outubro, foi dirigido por David Gordon Green, com produção da Blumhouse, John Carpenter e Jamie Lee Curtis.

O filme narra a fuga de Michael Myers 40 anos após os crimes cometidos em 1978, sendo uma sequência direta do primeiro filme e ignorando todos os outros. Vemos uma Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) lidando com os traumas daquela noite de Halloween, tendo seus problemas com sua filha Karen Strode (Judy Greer) e com sua neta Allyson (Andy Matichak).

Laurie Strode, depois de 40 anos, se tornou uma mulher amedrontada e preparada para qualquer situação. Em sua casa isolada, com cercas e (muitas!) trancas, ela vive aguardando o momento que Michael Myers vai voltar para pegá-la, a única que esteve em seu caminho e que não foi morta por ele, a única que o desafiou e conseguiu pará-lo. Graças à Laurie Strode, os crimes de Michael Myers não foram piores naquele Halloween de 1978, em Haddonfield. O problema é que, em como qualquer outro filme da franquia de sucesso, Myers escapa. Mas dessa vez, talvez ele é quem devesse se preocupar.

Halloween

Dentre todos os acertos do novo Halloween, talvez a melhor de todas as escolhas tenha sido centralizar a história na luta da personagem de Laurie, em como aquela noite de 1978 afetou sua vida desde então. Por mais que alguns personagens do filme possam querer compreender o lado de Michael da história, puxando a narrativa para que ele seja o elemento central, tentando humanizar aquele que vive embaixo da máscara, o recado é bem simples: Michael cometeu erros e tomou um caminho de violência, e aqueles que ficaram para trás perderam muito com isso. Tentar controlar a força do serial killer é um erro que não deveriam cometer.

As personagens femininas 

A representação feminina nesse novo Halloween é interessante. O drama familiar da família Strode, suas intrigas durante tantos anos, toda a sombra que a maldade de Myers deixou pelo caminho, destruindo essas relações, fez com que essas mulheres tivessem seus problemas de confiança umas nas outras. Laurie negligenciou a sua filha Karen, fazendo com que essa não se sentisse feliz na presença dela; Karen, por sua vez, é uma mãe que não quer que a filha passe pelas tristezas que ela passou na infância; e Allyson é uma garota que quer que seus laços com sua avó sejam mais fortes. Allyson, inclusive, é uma adolescente incrível: seguindo os passos de sua avó, com uma personalidade bastante semelhante, não leva desaforos pra casa. Pode até ser uma moça calma, até que alguém a magoe. Assim como sua avó, seus livros são seus grandes amigos. E assim como sua avó, o mal em forma humana vai cruzar seu caminho.

Mas diferente de sua avó, Allyson tem alguém que está preparada para detê-lo. A força e a luta das mulheres em Halloween (2018), contra um homem que personificou a crueldade, que acha que é imparável, é emocionante e inspiradora. Como a própria Jamie Lee Curtis disse em entrevista, é uma clara retomada às vozes das mulheres, algo que vem acontecendo com frequência nos filmes de terror e que agradecemos muito quando é bem trabalhado, como é o caso de Halloween.

Halloween

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O filme traz uma série de referências aos filmes antigos, mesmo que não seja sequência de nenhum deles e ignore suas histórias (o que já era algo esperado antes do lançamento). Mas, tenta explicar algumas pontas soltas para aqueles que ainda tenham dúvidas, explicando alguns pontos importantes da história entre Laurie Strode versus Michael Myers. O filme tem cenas fortes e pesadas, mas a história ainda é o ponto principal a ser observado. 

Sem dúvida, é uma experiência que merece ser vista no cinema, mas acima de tudo merece ser vista de qualquer forma. Se você gosta de filmes de terror, mesmo que não consiga ir ao cinema, assista ao filme e dê uma chance para esse novo Halloween. Ele reúne pontos importantes das narrativas antigas do gênero com novas abordagens, fazendo um filme assustador e incrível para os fãs.

Confira o trailer abaixo:

É difícil encontrar diretoras mulheres?

É necessário mencionar o infeliz comentário que Jason Blum, o cara por trás do estúdio Blumhouse, fez recentemente. Ao ser perguntado por Matt Patches, do site Polygon, do por quê a Blumhouse não teria ainda feito nenhum filme dirigido por uma mulher, Blum disse ter dificuldade em encontrar diretoras mulheres, e ainda mais diretoras mulheres inclinadas para o terror. Algo, no mínimo, absurdo, visto que o gênero do terror sempre teve diretoras incríveis. Sendo assim, algumas listas de filmes de terror dirigidos por mulheres começaram a circular pela internet (como esta de Kate Hagen no Medium, e esta escrita por Katie Rife para o Av Club). Felizmente existem sim muitas mulheres dirigindo terror atualmente. Jason Blum talvez devesse prestar um pouco mais de atenção.


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Autora

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.
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