[CCXP 2018] Diversidade, outras representações e empoderamento na Comic Con Experience!

[CCXP 2018] Diversidade, outras representações e empoderamento na Comic Con Experience!

A 5ª edição da CCXP 2018, que aconteceu entre os dias 6 e 9 de dezembro no São Paulo Expo, foi um presente para quem estuda e discute diversidade, novas representações e empoderamento na cultura pop. Com os painéis sobre representatividade foi possível conhecer a história, o trabalho e a visão de mundo de pessoas que esbanjam talento, mas que, infelizmente, não tem a devida atenção nas mídias tradicionais. A CCXP deste ano ampliou o espaço e a voz destas pessoas que cada vez mais merecem o nosso olhar atento, por seu trabalho impecável e pelas mensagens de empoderamento, sempre necessárias.

CCXP 2018
Foto: I Hate Flash (divulgação)

A quinta-feira começou com um painel incrível para refletir sobre o mercado editorial: Representação e diversidade nos quadrinhos, mediado por Cris Peter, trouxe ao palco os quadrinistas Dika Araújo e Rafael Calça, a jornalista Gabriela Borges (Mina de HQ), e os youtubers Load e Leo Hwan, que falaram sobre a importância de criar representações mais diversas que inspirem a comunidade como um todo e como a falta de diversidade marcou suas trajetórias de vida.

Questionando o sistema em que vivemos, no qual o padrão é sempre branco/cis/heteronormativo, os convidados também reiteraram que a mudança acontece em outros níveis, não apenas na criação de personagens com os quais podemos nos identificar: é preciso diversificar nos bastidores, incluir mulheres, negros, a comunidade LGBT+ e outras “minorias” na produção destes produtos de entretenimento. E é preciso fazer isso não como um favor para estes grupos, que nem são tão minorias assim, mas porque diversidade importa, cria possibilidades de narrativas que incluem pessoais reais, de todos os tipos e origens, que enfim poderão se enxergar em um personagem e sentir-se representado de verdade.

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Foto: I Hate Flash (divulgação)

Na sexta-feira, o painel Furiosas! Mulheres que chutam bundas, foi simplesmente sensacional! Mediado por Anne Quiangala (Preta e Nerd), a retrospectiva de 2018 contou com as quadrinistas Ana Cardoso, Rebeca Prado, Cinthia Saty Fujii Brendda Maria, e também Clarice França, editora do Nebulla.co.

As convidadas foram unânimes em afirmar que 2018 foi muito bom no quesito representação feminina, mas que ainda é possível melhorar – e muito! Foi um ano para se considerar bem servida, com grandes personagens femininas, fortes e inspiradoras, mas ainda é preciso bater na tecla da representatividade nos bastidores: tem muita mulher produzindo coisas legais em várias mídias e a gente precisa lutar por espaço e pela ampliação das vozes destes talentos.

As convidadas também falaram sobre a importância de consumir mais do mercado nacional e latino-americano, ainda mais quando se trata de produções feitas e protagonizadas por mulheres. Dessa forma, a demanda por histórias reais, criadas e ilustradas por pessoas reais, evidenciará estas mulheres diferentes, com histórias de vida e visões de mundo diversas, e isso só enriquece a cena, além de empoderar ainda mais mulheres.

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Foto: I Hate Flash (divulgação)

O sábado foi presenteado com 2 momentos incríveis: o primeiro trouxe ao palco Edênia Garcia, no painel Super-heróis da vida real. A nadadora paralímpica que conquistou medalhas nos Jogos Paralímpicos de 2004, 2008, 2012 e 2016, falou sobre a sua carreira, as pequenas conquistas diárias dos atletas paralímpicos e como a inclusão acontece no dia a dia, a partir de ações de todos, não apenas de quem convive ou está próximo de portadores de necessidade especiais.

A atleta também confessou ser fã de séries e comentou que, assim como hoje existe uma preocupação em repensar a representação feminina, já chegou o momento de questionar e exigir a representação de pessoas com deficiências físicas em produtos midiáticos, pois estas pessoas existem, tem muita história pra contar e, convenhamos, passou da hora de incluí-las em filmes, séries e quadrinhos.

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Foto: I Hate Flash (divulgação)

O segundo painel do dia, Narrativa e Diversidade, foi igualmente incrível com os quadrinistas Marcelo D’Salete, Ryot, Luiza Lemos, Mário Cezar, além de Anne Quiangala (Preta e Nerd), e mediado por Rebecca Puig, editora do Nebulla.co.

A conversa sobre a importância da diversidade em narrativas apenas confirmou o que nós já sabemos: a sociedade só tem a ganhar quando proporciona visibilidade para as pessoas historicamente invisíveis, silenciadas e à margem da sociedade. É preciso estimular e empoderar quem não faz parte do que conhecemos como “padrão”, pois nada é melhor do que os membros destes outros grupos, tidos como minorias, para representar suas próprias histórias.

Os convidados também falaram sobre como o atual momento político assusta essas “minorias”, mas que ao mesmo tempo é um combustível poderoso para continuar produzindo e lutando por mais espaço, voz e direitos.

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Foto: I Hate Flash (divulgação)

E no domingo, último dia de CCXP18, o painel Mulheres que fazem quadrinhos, com as quadrinistas Germana Viana, Cris Peter, Adriana Melo e Julia Bax.

Falando sobre a carreira e os desafios de criar histórias em quadrinhos, elas deram aula sobre acreditar em si mesma e dar o melhor de si, independente do que os outros vão dizer ou pensar a respeito de seu trabalho. É claro que, como em qualquer área do entretenimento, mulheres não são levadas a sério, mas a mensagem que elas deixaram foi sobre trabalhar sempre para fazer o melhor possível dentro do seu nicho, porque é isso que garante seu lugar ao sol, no fim das contas.

Foi uma conversa muito legal que passou longe do caricato “como é ser uma mulher quadrinista”, e a plateia pode contar com a experiência dessas mulheres talentosíssimas, que deram dicas sobre como organizar os prazos, como gerenciar o tempo e a produção, como conciliar aquele trabalho autoral que te dá prazer e satisfação com aqueles trabalhos que precisam ser feitos, porque, né, todo mundo precisa pagar os boletos!

CCXP 2018
Foto: I Hate Flash (divulgação)

Nem é preciso dizer que foi inspirador em muitos níveis ver tanta gente talentosa junto! As mensagens de empoderamento, as críticas sempre necessárias ao mercado cinematográfico e de quadrinhos, e a esperança que transmitiram a quem estava presente ficará na história dessa Comic Con. Saímos de cada painel com a fé na humanidade restaurada e a certeza de que dá pra chegar lá, não importa o que este “lá” signifique para cada espectador.

Tem muita gente incrível trabalhando com o que gosta e inspirando pessoas a fazer o mesmo, principalmente aquelas que sempre foram negligenciadas por uma sociedade que adora segregar o que é “diferente”. Esperamos que a próxima CCXP continue investindo em painéis como esses e que o diverso seja o padrão daqui pra frente!

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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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