Vingadores Ultimato: Perfeito no apelo emocional, mas falho ao representar mulheres

Vingadores Ultimato: Perfeito no apelo emocional, mas falho ao representar mulheres

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Vingadores: Ultimato estreou em 25 de abril, levando o público ao delírio com cenas eletrizantes, repletas de emoção do início ao fim. Desde então tem quebrado recordes quase diariamente, levado os fãs às salas de cinemas repetidas vezes, e ainda tem alimentado teorias sobre os caminhos que o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) deve seguir a partir de agora. Mas para além do sucesso indiscutível, algo continua a incomodar as mulheres e aqueles com um pouco mais de sensibilidade sobre as questões de gênero: a representatividade feminina.

AVISO: pode conter spoilers!

Vingadores
Cena de “Vingadores: Ultimato”. Reprodução: Marvel Studios/Disney

Escrever sobre algo que amamos é sempre um desafio, por isso começamos com o início de “Ultimato”, que acontece bem antes da primeira cena: quando entramos na sala de cinema, nos sentamos procurando a posição mais confortável e trocamos olhares ao apertar as mãos da pessoa ao lado. Sabemos que ela também está sentindo a mesma ansiedade misturada com tristeza, pois esperamos por longos anos, e com expectativas muito altas, por este final.

Então vemos aquela abertura tão icônica dos quadrinhos e nos lembramos que, na verdade, “Vingadores: Ultimato” começou há anos. Essa é a primeira sensação que o filme arranca de nós, a nostalgia sobre algo que ainda não acabou – e o desejo que esse momento não passe depressa. Os arrepios, a surpresa coletiva e a vibração compartilhada com os espectadores da sala de cinema são um bom termômetro para mapear o sucesso do filme, pois não há um segundo em que não estejamos com nossos olhos, ouvidos, mentes e corações grudados na tela.

Vingadores
Capitã Marvel em “Vingadores: Ultimato”. Reprodução: Marvel Studios/Disney

TerminamosGuerra Infinitaesperando a salvação pelas mãos da Capitã Marvel (Brie Larson), vendida com tanto empenho pela Marvel como a heroína mais poderosa do universo, mas como imaginávamos, “Ultimato” é todo sobre os vingadores originais – como de fato deveria ser. Ver tão pouco de Carol Danvers foi bastante decepcionante, mas os personagens originais tão amados estão lá, e um por um completam a jornada do herói, caindo e levantando, fazendo questão de provar o seu valor e nos lembrando porque foram escolhidos para a iniciativa Vingadores. E assim Viúva Negra (Scarlett Johansson), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) se desenvolvem em suas próprias tramas.

Viúva Negra em "Vingadores: Ultimato"
Viúva Negra em “Vingadores: Ultimato”. Reprodução: Marvel Studios/Disney

E não podemos deixar de destacar a Viúva Negra, que brilha em “Ultimato” como em nenhum outro filme, ainda que com algumas ressalvas sobre o caráter mais maternal que assume após os acontecimentos de “Guerra Infinita”. A primeira heroína a entrar no grupo representou muito bem a força e a resiliência feminina, principalmente ao liderar quem sobreviveu ao estalar de dedos de Thanos (Josh Brolin). E muito além de ser essencial para salvar o dia, Natasha Romanoff trilhou um caminho de reencontro com seus propósitos e motivações. Infelizmente este caminho culminou em seu fim precoce e uma escolha narrativa difícil de engolir, visto que entre tantos personagens disponíveis no MCU, logo a primeira vingadora da formação original foi a escolhida para o sacrifício.

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Cena de Guerra Infinita. Gif: reprodução

No entanto, a mensagem inesquecível de “Guerra Infinita” mostra-se presente em vários momentos de “Ultimato”: ela não está sozinha! Nenhuma heroína está, pois de alguma forma elas têm umas às outras. A sororidade e a conexão entre Gamora (Zoe Saldana) e Nebula (Karen Gillan) é de arrepiar, pois em um momento em que ninguém sabe em quem confiar, com apenas um olhar, as duas irmãs se reconciliam e unem forças para salvar o universo. A ressurreição da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), que voltou com sangue nos olhos para acertar as contas com o Titã Louco, e sua garra para proteger as companheiras, também rendeu cenas emocionantes. Aliás, toda a sequência sobre a união das heroínas para entregar a manopla do infinito ao seu destino mostram que as personagens femininas não devem nada a ninguém!

Cena de Vingadores: Ultimato
Cena de “Vingadores: Ultimato”. Gif: reprodução

E depois de ver Homem de Ferro, Thor e Capitão América na estonteante batalha contra Thanos, ser recompensada com a aparição de todas as heroínas do MCU, que assumem a linha de frente com todo o seu potencial, é de tirar o fôlego! Em cenas épicas, a Marvel nos lembra de que nunca estamos sozinhas e que somos capazes de qualquer coisa! É preciso pontuar o pouco tempo de tela dedicado às personagens femininas e a representatividade tão pouco desenvolvida, pois parece que ficou a sensação amarga do “girl power suficiente apenas para cumprir uma agenda”. Mas ao mesmo tempo somos gratas por cenas tão importantes em um filme que já está marcado na história do cinema de super-heróis.

Cena de “Vingadores: Ultimato”. Reprodução: Marvel Studios/Disney

Mesmo com as inconsistências quando o assunto é representatividade feminina, “Ultimato” fecha uma era sem deixar pontas soltas. Nestes 22 filmes, a história foi muito bem contada, com início, meio e fim, e coerência suficiente até mesmo para alimentar o futuro do MCU. Fato é que entramos na sala de cinema de um jeito e saímos completamente diferentes. Os personagens passaram por ciclos e concluíram as histórias que começaram lá atrás, transformando a si mesmos e a nós, por consequência. E não há palavras para descrever o fim dessa jornada.

Ainda que soubéssemos que toda história tem um fim, “Vingadores: Ultimato” é um presente. É nítido o carinho e cuidado em cada etapa da produção, mas é ainda mais notável que este filme foi feito para nós, apaixonados pelo que a Marvel construiu nos cinemas. Tudo que queríamos e desejávamos estava lá, desde a ação frenética até a emoção de fazer chorar, passando pelas ótimas sacadas, referências e homenagens. Se ainda não viu, tenha certeza que suas expectativas serão superadas. Entre lágrimas, risadas e aplausos, cada cena é uma despedida. Mas diferente de “Guerra Infinita”, essa despedida não deixa gostinho de “quero mais”, mas sim a certeza de que o Universo Marvel foi eternizado.

Esse artigo foi escrito pela redatora Karin Cristina em parceria com a autora convidada Nathalia Akemi, publicitária e pesquisadora em Comunicação, apaixonada por estudos de gênero e identidade, e sagitariana viciada em séries e filmes de comédia, desenhos animados, mitologia e chá.


Edição realizada por Isabelle Simões.


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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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