Vingadores: Ultimato – Sobre despedidas que entram para a história!

Vingadores: Ultimato – Sobre despedidas que entram para a história!

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Onze anos de uma revolução no que era apenas “filmes de heróis” chegou ao fim. Onze anos de histórias incríveis, filmes impressionantes e de uma relação criada com muito carinho, amor, risadas e às vezes até um pouco de raiva – isto é para você, Peter Quill – chega ao ápice e se encerra.

Era sabido que essa hora chegaria, não? Era. Mas não em forma de um final tão épico, emocionante e tão próximo como presenciamos em “Vingadores: Ultimato“. Não é racional esperar que os personagens que todos aprenderam a amar fiquem ali para todo o sempre, mas era isso o desejado. E a despedida é inevitável, uma hora ou outra ela chega.

Vingadores
Imagem: “Vingadores: Ultimato” (Marvel/divulgação)

O que Guerra Infinita deixou

A história começa em uma casa e termina em outra. Percebe-se que lares, famílias e relacionamentos são o centro da narrativa. Aquilo que se tem, aquilo que se perde, o que é reencontrado e aquilo que alguém escolhe para si. Ao entregar logo de cara a continuação do que acontece após o estalo de Thanos (Josh Brolin), sem abertura, sem preparação, “Vingadores: Ultimato” já arranca a casquinha da ferida que “Guerra Infinita” deixou: talvez o final não seja como o esperado.

Famílias e amigos perdidos, metade da vida no universo desapareceu, e o que acontece com os que ficam? Como isso afeta a todos? Lidar com as falhas, fracassos e perdas fazem parte do ser humano, e daqueles que estão além? Quem cuida dos cuidadores? Quem protege aqueles que juraram proteger a todos? Como seguir em frente? São nessas horas que se vê do que são feitos os seres, heróis ou não. Lidar com a falta e continuar.

Vingadores
Imagem: Cena de “Guerra Infinita”. Marvel/divulgação

A princípio estão todos os sobreviventes ali, em busca de Thanos, para recuperar a Manopla e trazer de volta todos que se foram, reparar os erros cometidos em “Guerra Infinita” e unir novamente a equipe, um tanto separada desde a cisão em “Guerra Civil“. E, em três horas de filme, era esperada a resolução lenta desse confronto inicial. Porém, para a surpresa de muitos na sessão, foi o contrário. E aqui o filme entrega outra característica que o acompanharia até o fim: não criem expectativas.

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Atenção! Contém spoilers de “Vingadores: Ultimato” a partir daqui

Perda da esperança em “Vingadores: Ultimato”

Cinco anos se passam, os Vingadores que restaram estão espalhados, tentando cuidar dos seus da melhor maneira possível – para aqueles que ainda tinham alguém para chamar de “seus”. Para aqueles que perderam o que chamavam de família, é o momento de se reinventar, de reencontrar o propósito para viver e seguir. Para os que já viviam sozinhos antes da Iniciativa Vingadores, resta lidar com a separação da família, construída cuidadosamente para um propósito maior.

Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), a Viúva Negra, assume um papel de liderança na central dos Vingadores, a sentinela na base, que se predispõe a ficar alerta e agir a qualquer momento. Conhecida por se criar sozinha, se adapta apenas superficialmente às condições atuais; percebe-se que aquela que o público viu no primeiro filme da equipe não existe mais. Natasha não só aprendeu a trabalhar em equipe, como construiu para si uma família além de seu velho amigo Clint Barton (Jeremy Renner), o Gavião Arqueiro, a quem procura por preocupação.

Vingadores
Imagem: “Vingadores: Ultimato” (Marvel/divulgação)

Até que Scott Lang (Paul Rudd), o Homem Formiga, retorna do mundo quântico com uma ideia complexa e perigosa, de voltar no tempo controlando a direção no mundo quântico. Para uns, é a única solução para trazer de volta quem amam, mas, para outros, é a chance de perder aquilo conquistado depois da tragédia. E aqui a maior manifestação de família criada para um propósito maior se apresenta, na junção das duas maiores mentes do MCU restante (uma bem diferente do visto anteriormente), para tornar possível o que até então parecia ser impossível.

Passados, futuros e finais em “Vingadores: Ultimato”

Voltar ao passado é perigoso, é sabido. Voltar a seu próprio passado pode ser mais ainda. Reencontrar o que se perdeu no tempo e não sucumbir à vontade natural de ficar, requer um esforço maior do que qualquer herói e humano aguentaria. E então o público é levado a uma retrospectiva dos últimos onze anos, uma viagem ao passado para as espectadoras também, e a família inconsciente que foi criada ao acompanhar do outro lado das telas tudo isso. O público pôde se lembrar das pessoas, dos comentários durante e depois das cenas, e como tudo mudou em mais de uma década. Como o próprio MCU mudou em si, como os atores e atrizes se transformaram, e como tais personagens se tornaram mais complexos.

Para as heroínas e os heróis na tela, reencontrar seus passados significou repensar as relações com os mesmos (e não apenas encontrar as Joias do Infinito antes de Thanos), não só com aqueles que ficaram por lá. Reencontrar pais, mães, amigos e amores renovou não só os sentimentos e as memórias, mas também serviu para um reencontro de si. Para alguns, voltar ao passado significou se encontrar com seu destino e, por consequência, seu fim – sofrido para todos. Voltar ao passado é também uma descoberta do desdobrar do destino e do tempo, e como esses se unem para chegarmos onde devemos.

Natasha novamente assume uma posição de liderança, o fim redentor. A Joia da Alma requer uma vida e, aquela que achava estar sozinha no mundo, se sacrifica ao perceber que sempre teve uma família em um grande amigo, um último ato de amor e abnegação, uma redenção para alguém que matava e traía por profissão. Natasha se sacrifica para o bem maior – mostrando que é ainda melhor quando em equipe.

Outras mulheres também são responsáveis pela conquista de outras Joias: a Anciã (Tilda Swinton), de “Doutor Estranho“, após uma longa conversa com o espectro de Bruce Banner (Mark Ruffalo), o ajuda a entender os desdobrares do destino e Frigga (Rene Russo), rainha de Asgard e mãe de Thor (Chris Hemsworth), o ajuda a compreender suas inseguranças, mostrando que para ser forte é preciso errar também, e aprender com as falhas. Mesmo servindo de suporte emocional e de inteligência para outros homens, essas personagens são essenciais para o desenrolar da história.

Frigga (Rene Russo) e Anciã (Tilda Swinton)
Imagem: Frigga (Rene Russo) e Anciã (Tilda Swinton) Marvel/divulgação
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Batalha, poder, redenção e as mulheres em “Vingadores: Ultimato”

Joias reunidas, uma nova manopla criada, e tudo para correr bem. Mas é importante lembrar: o filme já entregou que pode não ser da forma pensada. E assim o é. Passado, futuro e presente se enrolam, culminando na maior batalha já vista no MCU, repleta de momentos de felicidade, catarse e nervosismo. Thanos, Gamora (Zoe Saldana), Nebula (Karen Gillan) e Ronan do passado viajam ao futuro para pegar a nova manopla, Thanos repetindo ser “inevitável”, crente que triunfará novamente. Do outro lado da tela, pessoas tremendo em seus assentos, rezando em pequenas frases torcendo para que tudo acabasse bem.

Heróis e heroínas mostram do que são feitos em momentos assim, e podem ser todos aqueles que, unidos, lutam pela sobrevivência e bem do universo, não apenas os que possuem armaduras, roupas tecnológicas, poderes e artefatos poderosos. A união daqueles que são escolhidos e tidos como família faz todos mais fortes, todos são heróis e heroínas quando necessário.

Quando tudo parece perdido, no entanto, Carol Danvers (Brie Larson), a Capitã Marvel, surge com um potente ataque, e nota-se que ela está cada vez mais próxima da Carol que o público conhece dos quadrinhos, e mais próxima de sua forma mais poderosa. A ela se juntam as mulheres mais poderosas de todo MCU, em um momento que fez muitas mulheres pularem de alegria. Uma cena do mais puro poder feminino (literalmente), onde as mulheres tomam o protagonismo, completamente cientes de seus poderes e totalmente unidas por algo em comum. Com elas, homens capazes de perceber suas falhas e sentimentos. Outros não humanos lutando em solo terrestre pelo universo. Todos ali, enfrentando seu presente para criar futuro e passado diferentes.

Capitã Marvel
Imagem: Capitã Marvel (Marvel/divulgação)

Era sabido que seria um filme de despedidas, mas não tantas, até que em um último esforço, aquele que deu início a tudo encontra seu fim, salvando o universo, quando no começo só considerava seu planeta. Termina com uma família, humilde e consciente de sua insignificância, quando começou solitário, arrogante e cheio de soberba. O arco de redenção se repete, grandioso. Seu funeral reúne o futuro do MCU, o futuro do que revolucionou esse gênero do cinema, e que entra para a história.

Finais e recomeços

A casa que encerra o filme não é a mesma casa do início, mas é um recomeço para aquele que perdeu o grande amor da vida há tantos anos. O primeiro vingador – que já havia sido o responsável por um dos momentos de maior surpresa no filme, quando pega o Mjolnir de Thor – volta no tempo para cumprir sua última missão, mas decide não voltar ao presente. Escolhe para si uma vida pacata e repleta de amor, sabendo que já fez tudo o que podia, e reencontra amigos no fim da vida, passando seu bastão, sabendo que estará em ótimas mãos.

O público riu, chorou, gritou, tremeu, comemorou, lamentou e teve três horas para aceitar o fim, mas, mesmo assim, não estava preparado para as despedidas que teve que fazer. Surpresas ruins e surpresas incríveis, momentos para chorar de tristeza e de alegria, raiva, desespero, alívio e aceitação. Onze anos colocados em frente de todos, repassados e reconstruídos, um caminho pavimentado para um novo começo, uma nova jornada. Final perfeito para o que foi construído em equipe, e uma visão promissora do que está por vir.


Autora convidada: Amanda Santos é bacharel em Arquitetura e Urbanismo, mestre em História da Arte, pós-graduanda em Direção de Arte Audiovisual. Viciada em televisão seriada e cultura nerd, Pokémon tipo voador, corvina e membro da Casa Martell.

Edição realizada por Isabelle Simões.


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