Viúva Negra: dicas de HQs para conhecer um pouco mais sobre a heroína

Viúva Negra: dicas de HQs para conhecer um pouco mais sobre a heroína

Natasha Romanoff, codinome Viúva Negra, é atualmente uma das super-heroínas mais conhecidas pelo grande público, graças às suas aparições cinematográficas no MCU ao lado de seus colegas Vingadores, fazendo com que Scarlett Johansson se tornasse uma das atrizes mais lucrativas de Hollywood, ficando na lista da Forbes em 2016 na frente de atores como Robert Downey Jr., Ben Affleck, e Jennifer Lawrence. Por isso resolvemos discutir e indicar algumas histórias de suas diferentes fases para quem quiser conhecer um pouco mais da Vingadora russa.

No encadernado “Os heróis mais poderosos da Marvel – Viúva Negra”, publicado aqui no Brasil pela Salvat em 2015, estão presentes três histórias de períodos diferentes da heroína. A primeira, “O Dínamo Escarlate ataca outra vez” foi publicada originalmente em “Tales of Suspense #52”, com argumento de Stan Lee, roteiro de N. Korok e arte de Don Heck. Ela foi a história de estreia da personagem, naquele momento uma vilã russa trabalhando para capturar o Dínamo Escarlate, que havia desertado das fileiras soviéticas e se unido ao Homem de Ferro. Da década de 1960, a história conta com um ritmo bem diferente das HQs atuais, com a presença de balões de pensamento no formato nuvem, narrador onisciente, visuais bem coloridos e o bom e velho embate entre capitalistas e comunistas durante a Guerra Fria.

Viúva Negra
Capa de “Tales of Suspense” n°52

A segunda história presente na edição foi originalmente publicada em “Amazing Spider-man” n°86. Escrita por Stan Lee e desenhada por  John Romita e Jim Mooney, “Cuidado com a Viúva Negra” faz uma recapitulação das experiências da época de Natasha como espiã soviética e de seu trabalho em parceria com os Vingadores. Sendo claramente uma edição para reintroduzir e reformular a personagem, Lee, Romita e Mooney apresentam um novo uniforme para a personagem (muito próximo do uniforme atual, e provavelmente baseado nos seriados de espionagem famosos na década de 70) e estabelecem as motivações que a fazem querer se tornar uma heroína; utilizando o confronto com o Homem Aranha para fazer uma demonstração dos poderes e apetrechos que ela possui (chegando ponto do próprio narrador admitir que a história foi “um jeito discreto” de abrir o apetite do leitor da Viúva).

Viúva Negra
Quadro de página de Amazing Spider-man n°86, onde é apresentado o novo uniforme da Viúva Negra

Estas duas histórias valeriam a pena de serem conferidas somente por mostrarem, respectivamente, a primeira aparição da Viúva e a criação de seu uniforme atual (e de certa forma ter estabelecido a personagem como ela é hoje em dia), mas elas também são uma possibilidade de ler histórias originais do escritor símbolo da Marvel, que muita gente só conhece por seus cameos nos filmes protagonizados pelos personagens da editora.

A terceira e principal história da edição é “Viúva Negra: Volta para Casa”, história lançada originalmente em 2005, escrita por Richard K. Morgan, e desenhada por Bill Sienkiewicz e Goran Parlov. O enredo gira em torno da tentativa de Natasha, agora aposentada depois de anos de serviço para a Shield, de descobrir quem é a pessoa responsável pelas mortes de ex-agentes soviéticos da KGB (especialmente uma mulher que havia sido assassinada durante um protesto em defesa do direito de aborto). Ameaçada por um inimigo desconhecido, Natasha conta com a ajuda de Phil Dexter, um ex-agente da Shield; e em sua busca por respostas ela acaba descobrindo sobre seu treinamento na Sala Vermelha (assim como as torturas e modificações biológicas).

Viúva Negra
Página de “Viúva Negra: Volta para Casa”

A história acaba colocando várias discussões de cunho feminista durante a narrativa: a mais evidente delas é a questão do domínio da mulher sobre o seu próprio corpo, sendo pelo direito da escolha do aborto (colocado na figura da ativista assassinada) ou pelo direito de se manter uma gravidez (trabalhado a partir da descoberta de Romanoff de que todas as operativas da Sala Vermelha tiveram suas características biológicas modificadas para que seus corpos repelissem qualquer coisa que as pudesse deixar mais fracas, o que inclui um bebê sugando nutrientes, impossibilitando essas mulheres de manterem uma gravidez).

 Morgan, Sienkiewicz e Parlov deram ainda à HQ bons elementos de histórias de espionagem, invertendo papéis  normalmente dados dentro desse gênero (deixando, por exemplo, o personagem masculino para trás, enquanto a personagem feminina faz a investigação e  está em todas as sequências de lutas), fazendo, além disso, umas história com um bom fluxo de leitura e muito bem desenhada.

Viúva Negra
Capa de “Viúva Negra” n°1, de Waid e Samnee

Atualmente, desde março de 2016, a Marvel vem lançando a revista mensal da heroína. São até o momento dez edições que (com exceção das edições n°3 e n°5 escritas por Nathan Edmondson e desenhadas por Phil Noto) foram escritas por Mark Waid e Chris Samnee, com desenhos de Samnee, que dá ao visual clássico da personagem linhas de contorno único, dando bastante destaque a sua movimentação, deixando claro a aproximação com os passos de balé (elemento muito associado ao treinamento das garotas submetidas a Sala Vermelha).

O enredo dessas primeiras edições está relacionado ao passado da Viúva, mostrando o tipo de treinamento imposto a ela, e as consequências de seus atos da época em que era obrigada a trabalhar para a Sala Vermelha. A primeira edição conta com uma incrível cena de perseguição a bordo do porta aviões da Shield (que lembra um pouco a cena de fuga do Capitão América na HQ de Guerra Civil), tendo, nas edições seguintes, aparições de personagens como o Homem de Ferro (que cita a luta dele contra a Viúva e o Dínamo Escarlate), Nick Fury, e James ‘Bucky’ Barnes. Com o arco ainda em aberto, Waid e Samnee estão utilizando as relações de Romanoff com outros personagens e com o seu próprio passado para poder criar uma nova narrativa preocupada em  estabelecer a Vingadora russa na linha Marvel.

Ainda muito ligada a participação em grupos (sejam os Vingadores ou a Shield) a Viúva Negra tem um potencial de expansão para o enredo de suas histórias, que até hoje ainda estão muito ligadas ao seu passado, colocando-a sempre para enfrentar de alguma forma membros da Sala Vermelha. Isto também pode estar ligado ao fato de que a Marvel (como editora e como estúdio) não conseguiu enxergar esse potencial. Esperemos que novas histórias sejam contadas e que, cada vez mais, a Viúva consiga um lugar de destaque no panteão da Casa das Ideias.

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Bat-fã, que ama cachorros, quadrinhos, chocolates e coisas velhas. Formada em História pela Universidade de São Paulo; tem como metas de vida trabalhar com arquivo histórico e HQs (de preferência ao mesmo tempo), e convencer sua irmã mais velha de que a Canário Negro venceria em um combate corpo a corpo contra a Caçadora.
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