A Despedida: um olhar sobre a eutanásia

A Despedida: um olhar sobre a eutanásia

Em A Despedida, Lily (Susan Sarandon) convida a família para passar um fim de semana em sua casa na praia. Suas duas filhas, Jennifer (Kate Winslet) e Anna (Mia Wasikowska), vêm com seus respectivos cônjuges. Em meio às celebrações, logo somos informadas de que Lily sofre de uma doença degenerativa e decidiu, com a compreensão da família, encurtar seu sofrimento antes que a doença se apodere totalmente de seu corpo.

Cena de “A Despedida” | Imagem: reprodução

Claro que, como em todo bom drama familiar, tudo não é tão simples quanto parece. Algumas questões não resolvidas do passado voltam à tona, algumas pessoas pensam duas vezes sobre sua aceitação em relação à decisão de Lily, alguns outros segredos são descobertos e assim por diante.

Leia também >> “Noiva em Fuga” e a reivindicação do game over feminino

Tema importante, mas roteiro superficial

O filme, apesar do elenco estrelado e talentoso, sofre com um roteiro superficial que não se aprofunda nas personagens e nem nos conflitos que apresenta. Uma filha é careta e rígida, a outra é desvairada e tem problemas com drogas – estereótipos calculados para gerar mil conflitos e que de fato o filme tenta explorar.

Kate Winslet e Mia Wasikowska em “A Despedida” | Imagem: reprodução

Lily e seu marido (Sam Neil) são caracterizados de forma mais genérica ainda. Apesar de Lily rememorar alguns episódios do passado ao longo do filme, eles poucos contribuem para montar um perfil mais rico de sua personagem; tão pouco é falado sobre o marido que ele permanece uma incógnita.

Leia também >> Por que ficções científicas adoram falar sobre maternidade?

Os demais personagens (uma melhor amiga e um neto) de A Despedida seguem na mesma linha, todos rasos – e quando há alguma cena que tenta caracterizá-los melhor, como uma em que o neto revela qual profissão quer seguir no futuro, parece calculada e pouco orgânica. Nem o talento dos atores prestigiados consegue salvar tais cenas.

Cena de “A Despedida” | Imagem: reprodução

Quanto à narrativa, à medida que o filme avança os conflitos ficam com explicações cada vez mais insatisfatórias e pouco convincentes. As tentativas de incluir qualquer discussão sobre eutanásia, seja filosófica, humana ou de qualquer natureza, também são extremamente breves e superficiais.

Leia também >> Garota Infernal: amizades problemáticas e possessões demoníacas

A Despedida vale a pena apenas pelas atrizes

A Despedida, um remake do filme dinamarquês Silent Heart, pelo menos não é entediante. Passa rápido e nos oferece uma chance de rever algumas ótimas atrizes em cena, mas provavelmente será logo esquecido pela espectadora. Um triste desperdício de uma história com enorme potencial.

O filme está disponível nas plataformas de streaming Now, Google Play, Youtube Filmes, Vivo Play e Sky Play.

Imagem: reprodução

Revisão por Gabriela Prado.

Publicidade

Autora:

86 textos

Cineasta, musicista e apaixonada por astronomia. Formada em Audiovisual, faz de tudo um pouco no cinema, mas sua paixão é direção de atores.
Todos os textos
Follow Me :