[LIVRO] “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley (resenha)

[LIVRO] “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley (resenha)

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Talvez você já tenha ouvido falar destes livros, ou ao menos do filme de mesmo nome, estrelado por Anjelica Huston em 2001. Talvez, como eu, você o encontre na estante de sua mãe, afinal, os livros “As Brumas de Avalon” foram publicados pela primeira vez em 1979.

[NÃO CONTÉM SPOILER]

Imagino que todos estejam familiarizados com a lenda do rei Arthur. Existem centenas de filmes, livros e seriados que pintaram suas próprias versões dela. Eu mesma já assisti o longa metragem “Rei Arthur” (2004) com Keira Knithley e Clive Owen e folheei as páginas de “O Rei do Inverno”, de Bernard Cornwell, entre tantos outros. Por isso posso dizer com propriedade que nenhuma delas se equipara ao trabalho da norte-americana Marion Zimmer Bradley (1930 — 1999) em “As Brumas de Avalon“.

A série é dividida em quatro livros – na versão brasileira, a americana possui apenas um único volume – sendo estes: “A Senhora da Magia”, “A Grande Rainha”, “O Gamo Rei” e “O Prisioneiro da Árvore”. Cada um deles é narrado por protagonistas diferentes, todas mulheres envolvidas na vida de Arthur e no destino da Bretanha, de alguma maneira. Começando por sua mãe Igraine, a irmã Morgana, tia Viviane e sua futura esposa Gwenhwyfar, entre outras.

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Presenciamos toda a vida de Arthur, desde antes de seu nascimento – e como este foi manipulado a acontecer – até sua morte e um pouco além. Ainda sim, grande parte dos acontecimentos não são focamos nele, mas no interesse de outras pessoas para com ele e seu reinado. Pode parecer um pouco confuso. Sua vida é o centro da história e ainda sim não o acompanhamos o tempo todo, muito pelo contrário. Uma das angústias que senti durante a leitura foi em não saber o que Arthur realmente sentia sobre o destino que estava sendo traçado para ele.

Um dos pontos mais interessantes de “As Brumas de Avalon” é a complexidade que Bradley confere a suas personagens, principalmente as femininas. Elas são excepcionalmente bem escritas e diversificadas, cada uma com suas qualidades e defeitos. Conseguimos amar e odiar cada uma delas. Dentro do gênero da ficção histórica – ou fantasia, independente de como for denominado – não encontramos um volume significativo de obras tão bem construídas nesse aspecto. A dor, o preconceito, o simples “fardo” que ser uma mulher naquela época pode se tornar, é exemplificado de forma bastante natural e tocante. Seus conflitos psicológicos ainda são bastante atuais e qualquer mulher será capaz de se identificar com ao menos um deles.

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A “disputa” pela fé da Bretanha entre a religião pagã e centrada no feminino, praticada em Avalon, e o cristianismo repleto de preconceitos e limitações femininas é uma batalha interessante de presenciar. Como mulher leitora certamente você também se pegará torcendo para que Avalon triunfe no fim das contas. O modo como as mulheres sacerdotisas eram temidas e respeitadas por muitos homens, simplesmente por possuírem mais conhecimento do que uma esposa cristã da época, é mostrado sobre várias facetas. Afinal, como na vida real, cada pessoa reage ao diferente de várias maneiras. Esta, para mim, é uma das muitas belezas de “As Brumas de Avalon”.

Um dos indicativos de um bom livro é quando suas personagens são tão bem construídas, que torço e sofro por elas como se fossem pessoas reais. E como eu sofri lendo as “Brumas de Avalon”! É impossível não se emocionar com o enredo deste universo. Posso dizer que é a série de livros mais triste que já li. Triste mesmo, de uma maneira que faz o seu peito doer quando você finalmente termina o último livro e começa a refletir sobre o que aconteceu. E Bradley consegue fazer isso sem apelar aos clichês românticos ou trágicos de que muitos livros se utilizam hoje em dia.

Alguns anos depois de ler “As Brumas de Avalon” pela primeira vez – já foram quatro desde então – descobri que a série faz parte do Ciclo de Avalon. Os livros contam a história de personagens diferentes, mas ainda sim interligados espiritualmente. Em vários momentos da série você verá passagens em que esta ligação de vidas passadas é mencionada, mas não fica muito claro quem reencarnou em quem. Você também não precisa necessariamente começar sua leitura por “A Queda de Atlântida” para entender o que se passa em “As Brumas de Avalon”.

Segue abaixo a ordem dos livros em seus títulos traduzidos. Muitos podem ser difíceis de se encontrar na maioria das livrarias, você provavelmente terá mais sorte em algum sebo.

  • A Queda de Atlântida
    1. Teia da Luz
    2. Teia das Trevas
  • Os Ancestrais de Avalon
  • Os Corvos de Avalon
  • A Casa da Floresta
  • A Senhora de Avalon
  • A Sacerdotisa de Avalon
  • As Brumas de Avalon
    1. A Senhora da Magia
    2. A Grande-Rainha
    3. O Gamo-Rei
    4. O Prisioneiro da Árvore

Espero ter despertados a curiosidade de algumas pessoas sobre a obra de Bradley. Afinal boa literatura pode vir de qualquer época, país ou gênero.

6802840_1GG.jpgAs Brumas de Avalon

Marion Zimmer Bradley

Editora Imago

Livro 1: “A Senhora da Magia”. 252 páginas. Compre aqui: Submarino

Livro 2: “A Grande Rainha”. 231 páginas. Compre aqui:  Submarino

Livro 3: “O Gamo Rei”. 211 páginas. Compre aqui:  Submarino

Livro 4: “O Prisioneiro da Árvore”. 239 páginas. Compre aqui: Submarino


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Estudante de Administração, cozinheira e confeiteira, que nas horas vagas ainda encontra um tempo pra se dedicar à escrita. Ama frio, livros de ficção, bons vinhos, bons restaurantes e filmes de época. Sonha em se tornar uma autora publicada e conhecer os quatro cantos do mundo.
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