The Witcher 3: onde estão as mulheres da franquia?

The Witcher 3: onde estão as mulheres da franquia?

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Já estamos em maio, então por que falar de um jogo que foi lançado no ano anterior? Bom, quando qualquer obra, seja um livro, um quadrinho, uma série de TV, enfim… Quando algo que é considerado o melhor de seu meio, o mais bem sucedido e, esta obra não representa corretamente uma grande parte de seu público alvo, algo precisa ser discutido. E é justamente isso que quero fazer hoje.

The Witcher 3 – Wild Hunt (PC, PS4, XBOX ONE), desenvolvido pela CD Projekt RED, foi aclamado pela crítica dos games no final de 2015. Os prêmios e indicações são tantos que resolvi só deixar o link aqui, são pelo menos mais de 30. Todos eles merecidos, disso eu tenho certeza.

Mas vamos lá, qual a história de The Witcher 3? Alguns podem não saber mas, o game é baseado em uma série de dois compilados de contos e cinco romances, A Saga do Bruxo Geralt de Rívia, escritos pelo polonês Andrzej Sapkowski. Também acompanho os livros, em breve teremos algumas resenhas aqui no blog!

No jogo, entramos na pele de Geralt de Rívia, um witcher (uma espécie de caçador de monstros com poderes mágicos e mutação genética). Pouquíssimos ainda existem no mundo quando a narrativa se inicia. São treinados desde crianças para este fim e apenas três entre cada dez garotos sobrevivem às mutações genéticas necessárias para se tornar umwitcher. O enredo principal gira em torno, não do bruxo – como foi traduzido para o português – mas de sua filha adotiva Cirila. A jovem foi treinada como um witcher, mas é na verdade a princesa herdeira de um dos muitos reinos que o jogo nos mostra.

Este é, definitivamente, o melhor game que tive a oportunidade de jogar este ano. Em termos de gráficos, jogabilidade, enredo, dublagem, design, tudo nota mil, sem dúvidas! Poderia fazer um texto ainda maior e mais detalhado sobre vários aspectos dele, mas não é isso que vim fazer aqui. É preciso olhar com olhos críticos aquilo de que gostamos, então vamos ao que interessa: Onde estão as mulheres no melhor game de 2015?

The Witcher 3

 (DANDELION, O BARDO, CIRILA, TRISS, YENNEFER E GERALT)

Infelizmente, este é o aspecto em que o jogo mais peca. Os três personagens de maior relevância para a história, além de Geralt, são mulheres. Sua filha Cirila, Yennefer e Triss, duas feiticeiras poderosas e possíveis romances do bruxo. O game acerta em muitas coisas, isso é verdade. A personalidade de cada uma delas é muito complexa e bem construída. Particularmente, me identifiquei com Yennefer, uma mulher orgulhosa, inteligente e um pouco arrogante. E por mais estranho que pareça, é a vida de Geralt que parece girar ao redor de Cirila e Yennefer e não o contrário, como acontece em muito games.

A abertura cinematográfica de The Witcher 3 mostra Yennefer em um campo de batalha matando dezenas de homens armados apenas com suas habilidades mágicas, enquanto Geralt e um companheiro procuram por pistas sobre o paradeiro dela num futuro próximo naquele mesmo local. A coisa toda é muito bonita e bem feita, pode conferir:

Nos é mostrando então, como prólogo do jogo, um sonho de Geralt. A partir daí, bem… não sei mais como defender. Mulheres nuas/seminuas com corpos perfeitos em vídeo games não são nenhuma novidade e The Witcher 3 está cheia delas. É difícil por em palavras o quanto o fã service erótico do jogo me irrita. Se você ainda não estiver satisfeito com as muitas cenas de nudez e sexo que são jogadas no seu colo em vários momentos da história, é só entrar em um dos prostíbulos do jogo e escolher a “cortesã” que mais lhe agrada!

Durante as quests principais, surgem oportunidades de diálogo e romance com ambas as feiticeiras, e uma ou duas personagens menos importantes. Você pode escolher com qual das mulheres Geralt deve ficar, Triss ou Yennefer. Algumas cenas e diálogos são tocantes, bem feitos, não dá pra negar. Mas é bem claro que elas estão ali apenas porque também podem mostrar bundas e peitinhos. Um jogo com personagens femininas fortes sem dezenas de cenas de nudez e sexo? Imagine só!

A relação de Geralt e sua protegida Cirila é de uma sensibilidade que até então não presenciei em outros títulos do gênero. Ele a criou e treinou desde que era uma menina, e os dois não se vêem a alguns anos, quando finalmente presenciamos seu reencontro. O modo com ele a protege e estima é algo muito, muito fofo. Os melhores, dos poucos sorrisos do personagem são sempre na presença da menina, e Cirila por si só já teria material para um game inteiro apenas sobre suas aventuras.

Obviamente ela possui o mesmo corpo computadorizado de Triss e Yennefer, e pasmem, corre, luta e pula por aí de SALTO ALTO! Sério mesmo? Duas feiticeiras que não precisam de muita mobilidade, a gente até engole. Mas uma guerreira? Chega a ser ridículo! Não sei onde os desenvolvedores do jogo estavam com a cabeça, simplesmente não faz nenhum sentido!

Fico chateada mesmo, por um game desta qualidade pecar em erros deste tipo, quando outras questões como preconceito e fanatismo religioso conseguem ser abordados de forma tão natural durante a narrativa. Talvez ainda seja preciso utilizar destes atributos para deixar o público masculino totalmente “satisfeito”. E enquanto jogos do calibre de The Witcher 3 não tomarem as rédeas em busca de melhorias, pouco tende a mudar.

As mulheres já representam uma grande fatia do público alvo da indústria de jogos. A cada ano vemos seus números aumentando nas pesquisas realizadas pelo setor. Por enquanto, vou terminar o jogo e continuar torcendo o nariz. Até o final de 2016 espero por um Melhor Jogo do Ano,com mulheres retratadas de forma muito melhor nele!


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Autora

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Estudante de Administração, cozinheira e confeiteira, que nas horas vagas ainda encontra um tempo pra se dedicar à escrita. Ama frio, livros de ficção, bons vinhos, bons restaurantes e filmes de época. Sonha em se tornar uma autora publicada e conhecer os quatro cantos do mundo.
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