[CINEMA] “Tangerine” e a falta de oportunidades para atrizes trans

[CINEMA] “Tangerine” e a falta de oportunidades para atrizes trans

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Tangerine foi lançado em julho de 2015 pela Magnolia Pictures, dirigido por Sean Baker. Nele são apresentadas Alexandra (Mya Taylor) e Sin-Dee Rella (Kitana Kiki Rodriguez), duas prostitutas transexuais percorrendo as ruas atrás de Chester, o namorado de Sin-Dee que a traiu enquanto ela estava na prisão.

[NÃO CONTÉM SPOILERS]

Tangerine-1-970-80Embora a sinopse do filme não prometa muito, ele tem conteúdo a mostrar. Devido à falta de investimentos para o filme, toda a filmagem foi feita com três iPhones 5S e um aplicativo chamado Filmic, a ideia era focar no que estava sendo filmado ao invés de com o que. Mais detalhes sobre as filmagens e equipamentos podem ser vistos aqui (em inglês). Além do destaque em relação aos equipamentos de filmagem, o filme foi aclamado por ter todas as personagens trans interpretadas por mulheres trans.

Todo o filme acontece em um único dia, durante a véspera de natal, quando Sin-Dee Rella é liberada após passar um mês na prisão. No primeiro diálogo do filme Sin-Dee já descobre que Chester a traiu nesse tempo.

A cena inicial pode ser vista aqui (em inglês):

No início do filme somos largados no meio do nada, sem apresentações das personagens ou ambientação, mas conforme a história avança, elas vão sendo construídas com uma boa dose de comédia. Embora o cenário do filme seja estereotipado, isso é aproveitado da melhor forma. Alexandra e Sin-Dee são duas prostitutas negras transexuais, o que é de fato um estereótipo, mas também uma realidade, acredito que quase toda cidade tenha o tal “ponto de travestis”. E é nesse contexto que o filme acontece, mas ao invés de vermos elas de roupas sensuais, paradas em alguma esquina esperando clientes, vemos elas como pessoas com ambições, amizades e problemas. Alexandra e Sin-Dee são pessoas completamente diferentes e formam uma ótima dupla. Sin-Dee é a troublemaker, uma pessoa impulsiva, que sai percorrendo a cidade para descobrir quem é a mulher que anda com Chester e tirar as devidas satisfações com eles. Alexandra é calma e sensata, quem tenta impedir que a amiga faça alguma bobagem com toda a impulsividade. No final, eu diria que o filme é sobre a amizade delas, que mostrou ser a parte mais importante de toda a história.

Tangerine

O filme teve boa repercussão entre críticos e Mya Taylor venceu o Independent Spirit Awads como melhor atriz coadjuvante. Depois da premiação, Mya contou ter se inscrito para 186 empregos até conseguir o papel nesse filme. Por isso, achei interessante pesquisar sobre a filmografia das duas atrizes. Kitana Kiki Rodriguez não fez nenhum filme antes ou depois de Tangerine, tendo esse sido o único papel da atriz. Quanto a Mya Taylor, não participou de nenhum filme antes de Tangerine, mas estará em dois curtas previstos para 2016. O primeiro é “Happy Birthday, Marsha!”, com previsão de lançamento para 1º de julho. O curta mostra Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera algumas horas antes da Rebelião de Stonewall em 1969, uma série de manifestações consideradas muito importantes para o movimento LGBT. O segundo curta é “Diane from the Moon”, que mostra Diane depois do termino de um relacionamento e sua luta contra o alcoolismo e a solidão. O curta terá entre 10 e 15 minutos e no momento o projeto depende de financiamento coletivo.


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Apaixonada por livros de capa dura, filmes com bastante drama, histórias em quadrinho, jogos de estratégia e essas coisitas mais. Sempre começa a escrever mais textos do que é capaz de terminar. Formada em desenvolvimento de sistemas, fã de Tolkien e criadora do Dragões Encaixotados.
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