[ENTREVISTA] Gleici Duarte: Youtube e feminismo

[ENTREVISTA] Gleici Duarte: Youtube e feminismo

Farmacêutica, feminista e mãe de dois gatos, é assim que a goiana Gleici Duarte se descreve. A blogueira, que escreve no blog Desocupada é a mãe?, começou a fazer vídeos no Youtube para falar sobre beleza e cabelo, mas depois passou a incluir também temas sobre comportamento, feminismo e empoderamento feminino.

Hoje em dia, em seu canal, que já conta com mais de 50 mil seguidores, é possível encontrar vídeos que falam sobre relacionamento abusivo, sexo, métodos contraceptivos e pornografia, intercalados com outros sobre coloração de cabelo e produtos de maquiagem, tendo assim uma variedade de assuntos para o público feminino, sem estereotipa-lo ou reduzi-lo como a maioria dos canais e programas de TV fazem. 

Por isso, decidimos entrevista-la para saber um pouco mais sobre como é ser mulher feminista no youtube! Confira:

DN – Como surgiu a ideia de começar o canal?

Gleici – Eu comecei a gravar porque era um material que complementava o meu trabalho do Blog, eu sempre escrevi mais no blog. O youtube veio mais no caráter complementar, antes de existir grandes youtubers e tudo mais. Agora que eu estou investindo um pouco mais sério no canal.

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DN – Qual é o processo de criação dos vídeos, como você pensa no tema que será abordado em cada um?

O processo de criação é às vezes espontâneo e às vezes planejado. Quando eu tenho uma ideia e eu preciso trabalhar e ir pesquisando e pegando referências, eu geralmente deixo um bloco de anotações e vou salvando as ideias e vou pensando naquilo. Mas, às vezes, quando é um assunto que precisa ser abordado antes do tema sair de pauta, eu já gravo o vídeo de uma vez.

DN – Como foi o seu começo com a militância feminista? Quando você passou a se declarar feminista?

Eu não lembro exatamente quando comecei a me considerar feminista, acho que faz sei la, uns 3 anos, e foi por causa do Facebook. Eu acompanhava algumas amigas que eram feministas e comecei a pesquisar e ler sobre.

DN – Você segue alguma vertente dentro do feminismo?

Eu não sigo nenhuma vertente, mas sou alinhada ao feminismo radical. Eu não sou feminista radical mas dentre todas as vertentes, a que tem as pautas que tem mais a ver com a minha ideologia é a radical.

DN – Como é geralmente o feedback do canal? Os comentário são mais positivos ou negativos?

O meu canal é muito sobre cabelo e comportamento, e eu tenho muitos comentários positivos. Tem meninas que me agradecem por diversas situações, algumas que saíram de relacionamentos abusivos, outras que se encontraram dentro do feminismo, coisas assim, é bastante gratificante. Tem uns comentários negativos sim, mas 99% deles são homens, haters e fakes, então eu não me importo de maneira nenhuma.

DN – Você se inspira em alguma youtuber?

Tem algumas youtubers que eu acompanho mas não é necessariamente sobre feminismo, em geral tem ainda pouquíssimas youtubers feministas com um engajamento grande. Eu gosto da Jout Jout, apesar desse não ser o foco dela, e da Luiza Junqueira. Tem a Carol Wojtyla e a a Sofia in the Sky, que são feministas radicais que eu gosto, mas eu não acompanho com tanta frequência.

DN – Vimos que você já fez parcerias com outros canais, como a Luiza do “Ta Querida” e a Luhzinha do “Lu luna”, com quais outros ou outras youtubers você gostaria de colaborar?

Eu tenho muita vontade de colaborar com a minha chefe Karen Bachini.

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DN – E por fim, o que você diria para mulheres que pensam em começar a produzir conteúdo feminista na internet?

Eu acho que toda mulher que for abordar feminismo na internet tem que saber com qual público ela está falando, porque não adianta se entupir de teoria se ela vai falar com um público base, por exemplo. Ela tem que pensar se vai falar com adolescente, com mulher madura, se vai usar isso para um material didático, qual linguagem vai usar…

Então selecionar bem o público dela, definir exatamente as pautas que quer abordar, trazer um diferencial pro vídeo, seja na edição ou na linguagem, e começar a gravar. Gravar, divulgar e pedir pras pessoas compartilharem, é mais ou menos assim que funciona.

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Autora:

25 textos

Feminista. 20 anos. Libriana indecisa com ascendente em leão que sonha em viajar o mundo. Estudante de publicidade e propaganda, apaixonada por séries, livros, filmes e levemente viciada em ver fotos de animais fofinhos na internet.
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