[SÉRIES] Riverdale: uma tentativa de discutir o feminismo em produções juvenis

[SÉRIES] Riverdale: uma tentativa de discutir o feminismo em produções juvenis

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Renovada há pouco tempo para uma segunda temporada, Riverdale, série da CW, mostra que tem conquistado fãs mesmo entre aqueles que desconheciam os quadrinhos que lhe deram origem. Baseada nas histórias da Archie Comics, a série envolve mistério e romance, não obstante traga personagens que apresentam uma nova proposta de mentalidade juvenil, sobretudo no que se refere às diferenças sociais e ao papel da mulher em sociedade.

[NÃO CONTÉM SPOILERS]

Riverdale

Situada na pequena Riverdale, a série gira em torno de um grupo de adolescentes que precisam conviver com suas escolhas e com um misterioso assassinato durante o feriado de 4 de julho. Enquanto todos estavam entretidos pelas mudanças comuns à adolescência após um período de férias, o jovem Jason Blossom (Trevor Stines) desapareceu. O protagonista é Archie Andrews (KJ Apa), talvez o menos carismático dos personagens. Após um intenso verão trabalhando para o pai, o protagonista retorna com uma nova perspectiva em sua vida. Não somente decidiu seguir a carreira de música, como se apaixonou por uma mulher mais velha.

Riverdale - Betty Cooper (Lily Reinhart)
Betty Cooper (Lily Reinhart)

O relacionamento, por si, já é encarado como problemático em uma sociedade que tolera – e, por vezes, promove – o relacionamento entre homens maduros e mulheres ainda em desenvolvimento, mas recrimina o contrário sob a alegação de imaturidade dos homens. Todavia, na série, ele também ganha outros contornos enquanto representa um obstáculo à paixão da melhor amiga de Archie, Betty Cooper (Lily Reinhart), e da recém-chegada Veronica Lodge (Camila Mendes).

Os quadrinhos que originaram a série são famosos pelo triângulo amoroso que se desenvolve entre os três personagens. Archie é o típico galã colegial que se coloca entre duas possíveis amigas, transformadas em rivais na disputa pela atenção de um homem. Na história original, o relacionamento entre Betty – a adolescente doce e esforçada que precisa se libertar das expectativas familiares – e Veronica – a mimada e determinada adolescente que se muda de Nova York após a prisão do pai – oscila entre períodos de amizade e de conflitos. O que se percebe na série é uma tentativa de manter a amizade acima da disputa romântica, inclusive colocando outros interesses amorosos para os protagonistas, e de evidenciar a união entre jovens mulheres.

Riverdale - Veronica Lodge (Camila Mendes)
Veronica Lodge (Camila Mendes)

Os episódios, de modo geral, tentam abordar a força feminina e incluir outros problemas caros aos adolescentes, também através de outros personagens, como Josie (Ashleigh Murray), uma adolescente negra que tenta ultrapassar os obstáculos que lhe são socialmente impostos através da sua poderosa banda de “gatinhas”, e Cheryl (Madelaine Petsch, irmã gêmea de Jason, que sempre fora ofuscada por ele perante a família.

Riverdale - Josie (Ashleigh Murray)
Josie (Ashleigh Murray)

Entre os episódios já lançados, é provável que o que mais evidencie a tentativa da emissora de lançar uma série juvenil mais condizente com questionamentos sociais relevantes, seja o terceiro, intitulado “Chapter Three: Body Double”. O episódio é de importância porque coloca em evidência a visão da mulher na sociedade e como as jovens são afetadas por ela. Não somente porque aborda a questão do “slut-shaming” e da objetificação da mulher, como traz a perspectiva de uma jovem negra e de sua luta por destaque. Acima de tudo, é um episódio em que as mulheres conseguem colocar conflitos secundários – inimizades juvenis e interesses românticos – de lado em prol de uma causa maior.

Riverdale

A série, que ainda está na metade de sua primeira temporada, tem mostrado um bom desenvolvimento. Aos poucos, o mistério do desaparecimento de Jason Blossom e sua conexão com a vida dos demais personagens são explorados, e poucas são as incoerências até o momento. O enredo é promissor e instiga a continuação. Por fim, se o protagonista não possui o carisma necessário para mantê-la, o mesmo não se pode dizer dos outros personagens, sobretudo das personagens femininas apresentadas, as quais compensam com sua força e roubam o foco da série.


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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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