[ENTREVISTA] O Mundo Agridoce de Kim W. Andersson

[ENTREVISTA] O Mundo Agridoce de Kim W. Andersson

A leva de quadrinhos internacionais que prometeu chegar ao Brasil ao longo desse ano, já começou com um lançamento espetacular da Editora AVEC. Alena é a primeira graphic novel sueca lançada no Brasil, sendo ela a sucessora da compilação de quadrinhos curtos de terror e romance Love Hurts (ainda inédito no Brasil) e antecessora do mais novo trabalho do autor – também inédito no Brasil – Astrid. Entre sangue, romance e, agora, sci-fi, Kim W. Andersson construiu as mais diferentes histórias, conseguindo chegar até aqui, tamanho é o interesse que suas diversas – e intensas – histórias despertam nos fãs de quadrinhos.

Confira, então, a entrevista que nós fizemos com o autor de Alena – graphic novel vencedora do prêmio The Adamson Statue, onde mergulhamos em seu universo criativo e questionamos algumas polêmicas sobre o quadrinho.

Primeiramente, parabéns pelo trabalho em Alena; ficou maravilhosa. O que você acha da sua obra – a primeira graphic novel – chegando ao Brasil?

Eu estou muito animado com isso, na verdade eu descobri que é o primeiro quadrinho sueco a ser publicado no Brasil. E eu estou muito animado com isso!

Infelizmente sua outra obra, Love Hurts, ainda não chegou ao Brasil, mas sabemos que ela se trata de um mix de terror e romance. O quão diferente esse trabalho é de Alena?

A jornada é que primeiro eu fiz Love Hurts, que são quadrinhos curtos em que eu usei típicas histórias de terror, mas coloquei meu próprio jeito nelas, mas elas eram muito pequenas, então tive que usar simples personagens, arquétipos. Mas eu os adaptei ao meu próprio jeito também, tentando uma abordagem diferente de gêneros. Quando foi a hora de fazer Alena, eu já havia feito muitos quadrinhos de Love Hurts e eles haviam sido publicados na Suécia e eu gostava bastante deles, pois são sombrios, mas engraçados e Alena foi minha tentativa de fazer algo mais sério e mais real.

 Kim W. Andersson

Por que você quis fazer Alena mais sombria que Love Hurts?

Eu não sei (risos). Eu acho que eu queria fazer uma graphic novel que era mais séria, não só para crianças, mais adulta. Mas também, não adulta como crescida, já que eu fiz o quadrinho para os meus leitores, que são majoritariamente meninas adolescentes – desde que eu fui publicado com Love Hurts eu recebi essa base de fãs – e eu quis fazer um livro para essas garotas, leva-las a sério, então isso foi Alena. Mas, é claro, eu sou Alena e todas as garotas da história, essa história e seus diferentes elementos, são questões que eu lutei enquanto crescia. Foi um livro importante para eu fazer, foi terapêutico; eu li um tempo depois, enquanto fazíamos o filme, e percebi que quem escreveu era uma pessoa mais triste (risos).

Você estava em uma situação ruim quando escreveu Alena?

Sim, provavelmente, mas talvez o livro me ajudou a passar por isso. Ele me ajudou, como uma terapia.

Você é conhecido pela característica de terror romântico de suas histórias. Isso foi algo pelo qual você sempre teve interesse em escrever?

Eu sempre fui muito inspirado por terror, eu acho que é um gênero incrível, que se pode fazer muito com ele. E a mistura entre terror e romance vem naturalmente para mim; eu só acho que se uma história é verdadeiramente romântica ela precisa ser trágica. É por isso que Romeu e Julieta é a máxima história de amor, porque eles morrem. Essa é a diferença com a vida, é uma estranha versão da vida e não-vida, realmente.

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O terror psicológico se confunde e se mistura com o elemento sobrenatural da história, parecendo uma referência à escrita de Stephen King. Ele foi uma de suas inspirações ao escrever Alena? Houve outras?

Quando eu era adolescente, o irmão mais velho de um amigo meu tinha uma coleção enorme de filmes de terror até a metade dos anos 90, e em um verão eu assisti a todos. E eles estão dentro de mim; eu não me lembro bem qual é qual, mas alguns eu vi diversas vezes, como Carrie – é uma história bem legal, com um equilíbrio entre comédia e terror. Eu também adoro A Profecia e Chucky – O Brinquedo Assassino; e houve um modo interessante de terror japonês com O Chamado.

Você sempre teve vontade de ser quadrinista?

Sim, mas eu não pensei que eu iria ser, ou que se poderia ser – pensava que era algo como ser astronauta. Depois da escola eu comecei a trabalhar com propaganda, e tinha uma boa carreira fazendo isso, mas minha mãe me lembrou do meu sonho de infância de virar quadrinista e eu resolvi tirar 1 ano do trabalho para frequentar uma escola de quadrinhos que há na Suécia, mas eu nunca voltei ao trabalho (risos).

Como é a cena de quadrinhos na Suécia?

Aqui os quadrinistas são, pelo menos, metade femininos, o que é muito bom. O que são considerados quadrinhos alternativos em outros países, são o regular na Suécia: autobiografias, preto e branco, sátiras, etc. E os quadrinhos que eu faço não são muito populares, mas eu construí uma base de fãs legal.

Nos seus trabalhos, e principalmente em Alena, há bastante do elemento punk que dizem ser uma marca registrada da Suécia.

Acho que há um elemento DIY nos quadrinhos suecos, e os quadrinhos que são realmente grandes na Suécia são, na verdade, preto e branco, políticos, feministas, satíricos; mas o tipo de quadrinho que eu faço é colorida, e cuidadosamente desenhada e com uma história completa, o que não é muito comum na Suécia, são poucos que fazem isso.

Na graphic novel, os traços dos personagens parecem ser propositalmente exagerados, passando ao leitor uma intensidade extrema sobre os sentimentos e sensações presentes na história. Esse foi o seu objetivo?

Eu não sei se é proposital, mas eu gosto, eu estou muito feliz com isso. Os europeus pensam que eu desenho de um jeito americano e os americanos acham que eu desenho de um jeito europeu, mas eu acho que estou no meio. Eu desenho de um jeito realista, mas não super-realista, existem coisas que os personagens fazem que humanos não podem fazer. Com as influências da Europa, dos EUA e do Japão, eu pude pegar o que eu considero o melhor deles e criar essa estranha mistura de todos eles.

Parece que em todas as suas histórias há uma forte representação feminina, não apenas das protagonistas – aqui incluo seu novo trabalho, Astrid – mas de todo o elenco, e de garotas fortes. É por sua base de fãs ser majoritariamente feminina que você adotou essa característica?

Elas não são só garotas fortes, elas são garotas. São fracas e tristes, elas são tudo. Eu não gosto dessa concepção de garotas fortes, mas apenas de garotas. O que eu vejo, quando as pessoas tentam atacar o fato de que as personagens femininas são fracas, é que elas criam um personagem masculino em um corpo feminino, e eu não gosto disso! Eu quero que meus personagens possam ter o que seria considerado traços femininos, e eu mesmo sou assim, acho que todos somos masculinos e femininos (ou sei lá). Mas sobre a questão do porque eu faço personagens femininas, existem três respostas: a política feminista (é importante para nós fazermos boas personagens femininas, mostrar que elas são boas, animadoras e não é preciso ser mulher para fazer isso, que elas são simplesmente legais e não têm que esperar anos pelos personagens masculinos – o criador tem essa responsabilidade), a pessoal (é fácil para mim me esconder atrás de personagens femininas: eu, como homem, também sou “vitima” das imposições sociais e com uma personagem feminina posso me conectar com meu lado “feminino” e me esconder atrás dela e me abrir com meus sentimentos pelos personagens) e a artística (eu prefiro desenhar garotas, eu não sei bem o porquê, mas me divirto mais desenhando garotas).

A adolescência apresentada em Alena é sombria e cruel, beirando até a um quase estupro, mas parece ser um retrato da nossa realidade. Em uma entrevista você disse que um evento parecido aconteceu na sua vida…

Foi inspirado por um evento na minha vida, mas nunca houve nenhum assédio ou estupro. Foi um evento interessante. Essa cena foi a última que eu coloquei no livro; os “episódios” (referindo-se aos volumes de Alena, antes de virar graphic novel) foram publicados e quando eu cheguei ao nº 5 eu percebi que não havia nenhum evento instigante nele. Eu queria que houvesse um evento assim em cada episódio, junto com o romance e com o terror e, pensando no que eu deveria fazer – e colocar – nesse volume, eu falei com uma colega minha e contei a ela sobre essa história de quando eu tinha 15 anos e fui convidado, junto com outro garoto, para o vestiário feminino por duas garotas populares. E ninguém fez nada, inclusive eu, e hoje eu vejo como isso foi errado. É meio estranho, mas é um evento meio que típico.

 Kim W. Andersson

É uma representação séria da sociedade real. Esse foi seu objetivo com a graphic novel e especialmente com essa cena?

Sim, se passa em uma escola bem legal e privada, mas eu criei esse mundo de fantasia, que não é a Suécia. Ninguém joga lacrosse na Suécia, mas quando as mulheres jogam lacrosse eu acho que elas parecem muito legais, pois elas têm a saia e a regata – roupas “femininas” – e os óculos e o protetor bucal, que transformam seus rostos para parecerem maus, e elas carregam uma arma, eu acho que esse contraste foi muito inspirador. Então foi por isso, essa é a única razão.

Em uma parte da graphic novel, há uma fala sobre imigrantes. É notável, porém, a falta de personagens não-brancos na história. Por quê?

Essa é, é claro, uma questão justa e é algo que nós levamos em consideração ao fazer o filme. Eu só olhei para a minha própria infância e adolescência e nós somos bastante brancos na Suécia, mas há uma questão de “raça” no livro, mas isso não se mostra através da cor da pele. Eu mesmo sou filho de uma imigrante polonesa e sofri bullying por isso, mas para mim o problema dessa herança nunca foi a cor da minha pele e é claro que é uma coisa importante. É uma coisa que eu escrevo sobre em Astrid, em que ela é metade humana e metade outra espécie (parecida com humana) e é tratada como humana, e seu amigo que também é meio humano meio alienígena, mas se parece com um alienígena, é tratado como alien. Mas esse experiencia relacionada à cor de pele não foi minha experiencia pessoal e acho que foi por isso que eu não a coloquei em Alena, mas em Astrid é algo que eu pincelo mais, pois é uma coisa importante e também muito visual, pois eles são alienígenas.

É talvez uma metáfora com a questão da raça?

Sim. Em Astrid, todos os humanos de diferentes cores de pele são tratados – no mundo de Astrid – como as pessoas brancas são tratadas no nosso mundo.

Então todos, no mundo de Astrid, são tratados do mesmo jeito por que são humanos – independentemente da cor de suas peles – contra a outra espécie que é alienígena.

Exato. E eu tentei ter, apesar de Astrid ser branca e ser tratada como humana, mesmo sendo metade alienígena, alguma diversidade de cores de pele dos personagens humanos. Eu não quis fazer Alena de novo, eu quis mostrar que humanos são humanos; na história sci-fi mostro todos – os humanos – se juntando, mas procurando um outro inimigo e ele será os alienígenas.

 Kim W. Andersson

Alena já foi transformada em filme, em 2015, e você já trabalhou na produção artística do filme O Círculo, baseado na série de livros de Sara Bergman Elfgren e Mats Strandberg. Como foi passar das páginas de papel para as telas? Foi algo que você sempre quis?

Bem, com certeza, foi uma surpresa, mas eu sempre fui um grande fã de filmes de terror. E eu entendo como foi fácil fazer um filme de Alena, ela é bastante parecida com um filme e é muito inspirada por filmes, especialmente por “Carrie – A Estranha”, mas por todos os filmes de terror que eu já assisti. Eles fizeram algumas mudanças para o filme, mas eu participei do processo, e eu acho que ficou muito bom; mas agora com Astrid, e com a sua sequência, eu quero fazer um quadrinho que é apenas um quadrinho, porque eles têm forças que filmes não têm.

Você acompanha ou já viu o trabalho de algum quadrinista brasileiro?

Eu não leio tantos quadrinhos quanto eu deveria, é assim que você consegue se manter interessado em quadrinhos. Eu ainda tenho que ler um de Gabriel Má e Fábio Moon chamado “Dois Irmãos”.

E existem planos de visitar o Brasil?

Eu espero que sim, adoraria ir ao Brasil, seria incrível. Minha editora brasileira disse que vai tentar conseguir dinheiro com a Embaixada da Suécia para me levar.

Kim W. Andersson

[ENGLISH VERSION]

First of all, congratulations on your work in Alena, it’s amazing. What do you think of it – your first graphic novel – coming to Brazil?

I’m very excited by it, actually I found out it’s the first swede comic book to ever be published in Brazil. And I’m very excited by it!

Unfortunately, your short stories, Love Hurts, have yet to arrive in Brazil, but we know they’re sort of a mix of horror and romance. How different are they from Alena?

The journey is that first I’ve made Love Hurts, that are shorter comic books, in which I used typical horror stories, but added my own touch on them, yet they were pretty small so I had to use simpler characters, archetypes. But I’ve also addapted them in my own way, trying a different approach of genres. When it was time to make Alena, I’ve already made a lot of Love Hurts comic books and they’ve been published in Sweden and I really liked them, because they’re dark, yet funny and Alena was me trying to make something more serious and real.

Why’d you wanted to make Alena darker than Love Hurts?

I don’t know. I think I wanted to make a more serious graphic novel, not just for kids, but more adult. Yet also, not adult as in grown up, since I’ve made the comic book for my readers, who are mainly teenage girls – since I got published with Love Hurts I’ve received this fan base – and I wanted to make a book for this girls, take them seriously, so that was Alena. But, of course, I’m Alena and all the girls from the story, this story and it’s different elements, are questions that I’ve fought with while I was growing up. It was a important book for me to make, it was therapeutic; I’ve read Alena some time later while we were making the movie and realised who made it was a sadder person.

You were in a dark place when you wrote Alena.

Yes, probably, but maybe the book has helped me to walk through it. It helped me, like a terapy.

You’re known for the romantic horror element in your stories. Was it something you were always interested in writting about?

I was always pretty interested about horror, I think is a genre we can get a lot from. And the mix of horror and romance comes naturally to me; I just think that if a story is truly romantic it needs to be tragic. That’s why Romeo and Juliet is the ultimate love story, because they die! That’s the difference between life, it’s a strange version of it and not life, itself.

The psychologic horror puzzles blends in with the supernatural element of the story, looking like a reference to Stephen King’s writting. Was he one of your inspirations for the graphic novel? Were there others?

When I was a teenager, the older brother of a friend of mine had a huge VHS collection of horror movies until the mid 90’s, and in one summer I’ve watched them all. And they’re inside me, I don’t really remember which one is each, but I’ve watched so many times, like Carrie, which has a very nice comedy-horror balance in it. I also love The Omen and Child’s Play; and there was an interesting way of japanese horror in The Ring.

You’ve always wanted to be a comic book artist?

Yes, but I didn’t thought I would, or that I could be – I thought it was something like being an astronaut. After school I’ve started to work in propaganda, and had a nice carrer doing it, but my mom reminded me of my childhood dream of becoming a comic book artist and I decided to take one year off from work to go to a Comic Book School in Sweden, and never came back to work.

How’s the comic scene in Sweden?

The comic book artists here are, at least, half female, what’s pretty awesome. What’s considered alternative comic books in other countries, it’s the usual in Sweden: autobiographies, black&white, satire, etc. And the comic books I make are not very popular, but I’ve built I nice fan base.

In your pieces, and especially in Alena, there’s a lot of that punk element said to be an swede trade mark. 

I think there’s a DIY for swede comic books, and the comic books which are really big in Sweden are, in fact, black&white, political, feminists, satiric ones: but the kind of comic book I do is colorful, and carefully drawn and with a complete story, what’s not very common in Sweden, only a handful of artists do it.

In the graphic novel, the drawing of the characters looks deliberately exaggerated, transmitting to the reader an extreme intensity on the feelings and sensations presented in the narrative. Was it your purpose?

I don’t know if it’s on purpose, but I like it, I’m very happy with it. The europeans think I draw in a american way and the americans think I draw in an european way, but I think I’m in the middle. I draw in a realistic way, but not super realistic, there are things the characters do that humans cannot do. With influences of Europe, USA and Japan, I could take what I think it was best from each and create this odd mix of them all.

 Kim W. Andersson

It seems that in all of your stories there’s a strong female representation, not only in the main characters – including in Astrid – but in the whole cast, and such strong girls. Is it because your fan base is majorly female you chose to have this trait in your stories?

They’re not just strong girls, they’re girls. They’re weak and sad, they’re everything. I don’t like this conception of strong girls, but only of girls. What I see, when people try to attack the fact that female characters are weak, is that they create a male character in an female body, and I don’t like it!I want my characters to have what’s considerate female traits, and even I am like this, I think we’re all male and famale (or whatever). Yet about the question as to why I make female characters, there are three answers: the political-feminist ( It’s important to us to make good female characters, show that they’re good, exciting and that you don’t need to be a woman to do it, that they’re pretty cool and don’t need to wait years for the male characters – the creator has this responsability), the personal (it’s easy for me to hide behind female characters: I, as a man, am “victim” of social impositions and with a female character I can connect with my “female” side and hide behind it and open with my feelings through the characters) and the artistic(I rather draw girls, I don’t quite know why, but I have more fun drawing girls).

The teenage years shown in Alena are dark and cruel, with even an almost rape being displayed, it seems, however, as a representation of our reality. Was it you goal with the graphic novel and especially with this scene?

It was inspired by an event of my life, but that was never any assault or rape. It was an interesting event. This scene was the last I’ve put on the book: the “episodes” (Alena’s volumes, before the graphic novel edition) were published and when the nº5 came up I realised there was nothing exciting in it. I wanted an event like that in each episode, together with the romance and the horror and, thinking about what I should do – and put – in this volume, I spoke with a coleague of mine and told her this story about when I was 15 and was invited, together with another boy, to the girls’ locker room by two popular girls. And no one done anything, including me, and today I see how that was wrong. It’s kind of weird, but is kind of a typical event.

It’s a serious representation of the real life society. Was it your goal with the graphic novel and especially with this scene?

Yes, it happens in a very cool and private school, but I created that fantasy world, which’s not Sweden. No one plays lacrosse in Sweden, but when woman play it I think they look very cool, ‘cause they have this tanks and skirts – “feminine” clothes – and the glasses and the mouth protector, that make their faces look bad, and they carry a weapon, I think that contrast was very inspiring. So that’s why, that’s the only reason.

In a section of the graphic novel, there’s a line about immigrants. It’s notable, nonetheless, the lack of non-white characters. Why?

That is, of course, a fair question and it’s something we’ve taken in consideration in the making of the movie. I just looked at my own growing up and we’re pretty white in Sweden, though there’s a question of “race” in the book, it’s not shown through skin color. I, myself, am the son of a polish immigrant and suffered bullying for it, yet for me the problem of this heritage was never my skin color and of course that’s something important. That’s something I write about in Astrid, in wich she’s half human and half another species (that looks like human) and is treated as human, and her friend, who’s also half human and half another species, but looks like that other species, is treated like an alien. But this experience related to the skin color wasn’t my personal experience and I think that’s why I haven’t put it in Alena, but in Astrid that’s something I talk about more, ‘cause is something important and also very visual, because they’re aliens.

It’s perhabs a metaphor for race?

Yes. In Astrid, all humans of different skin colors are treated – in Astrid’s world – as white people are treated in ours.

So in Astrid’s world everybody is treated the same because they’re humans – despite their skin colors – against the other species, which is alien.

Exactly. And I’ve tried to have, despite Astrid being white and being treated as humam, even being half alien, some skin color diversity in the humans characters. I didn’t wanted to make Alena again, I wanted to show that humans are humans; in this sci-fi it shows all – humans – coming together, but looking for a different enemy and this is the aliens.

Alena has already been turned into a movie, in 2015, and you’ve already worked in the art department on The Circle movie, based on the book series by Sara Bergman Elfgren and Mats Strandberg. How was going from the paper pages to the screen? Was it something you’ve always wanted?

Well, for sure, it was a surprise, but I always were a big fan of horror movies. And I understand how easy it was to make a movie out of Alena, it is very movie-like and a lot of it’s inspiration came from movies, especially “Carrie”, but from all the horror movies I’ve ever watched. They’ve made some changes for the film, but I participated in the process, and I think it turned really good: though now with Astrid, and with it’s sequel, I want to make a comic book that’s just a comic book, because they have a strenght that movies don’t.

Do you keep up ou have already seen the work of any brazillian comic books artist?

I don’t read as much comic books as I should, ‘cause that’s how you keep interested in them. I still have to read the new from Gabriel Bá and Fábio Moon called “Two Brothers”.

And are there plans to visit Brazil?

I hope so, I’d love to come to Brazil, it’ll be amazing. My brazillian publisher said it’ll try to get money from the Swede Embassy to take me.

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