[CINEMA] Guardiões da Galáxia vol.2: Muitas cores, relações familiares e explosões espaciais! (Crítica)

[CINEMA] Guardiões da Galáxia vol.2: Muitas cores, relações familiares e explosões espaciais! (Crítica)

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Nesta última quinta-feira, 27 de abril, estreou nos cinemas brasileiros Guardiões da Galáxia vol.2. O filme, escrito e dirigido por James Gunn, traz a segunda aventura do agora famoso grupo de heróis disfuncionais da Marvel, formado por Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (referência no estúdio feita por Sean Gunn e dublado originalmente por Bradley Cooper) e Baby Groot (dublado originalmente por Vin Diesel).

[Contém pequenos spoilers]

 Guardiões da Galáxia

Usando bem o conceito de que esse filme se trata de uma sequência direta de Guardiões da Galáxia, James Gunn consegue estabelecer bem as relações dentro do grupo e nos fazer acreditar nele como uma família (disfuncional e diferente, mas uma família) e essa é uma das chaves do filme: cada perda, briga ou momento introspectivo do filme realmente importa para o espectador que, já habituado com o grupo por causa do filme anterior, quer ver o desenrolar da trama.

Junto a isso, Gunn utiliza um visual maravilhoso, muito mais impressionante do que o de outros filmes do estúdio (incluindo o aclamado Doutor Estranho), por realmente conseguir aliar a narrativa à paleta de cores, aos truques (sendo que dois dos personagens principais do grupo são feitos inteiramente de computação gráfica) e à maquiagem prostética, criando as bases para o universo intergalático da Marvel, que aliás será utilizado mais uma vez esse ano em Thor: Ragnarok.

 Guardiões da Galáxia

A aprovação do filme pelo Teste de Bechdel é aqui menos relevante, já que duas das três personagens femininas do grupo não são exatamente exemplos de construção de personagem. Mantis (Pom Klementieff), introduzida no começo do filme junto com o pai de Quill, Ego (Kurt Russell), como mostrado nos trailers, é muito mais uma ferramenta de roteiro do que um personagem em si, apesar de dividir momentos muito engraçados com Drax. Ela é basicamente utilizada para explicar o que está acontecendo e para utilizar seus poderes em um momento específico na batalha do terceiro ato, depois disso ela passa a maior parte do terceiro ato inconsciente.

Da mesma maneira Gamora, que nos quadrinhos é conhecida como A mulher Mais Perigosa do Universo, não apresenta perigo para ninguém, com exceção de uma pequena cena na abertura de créditos do filme. Mero interesse de Quill e em constante preocupação com todos os outros personagens do grupo, Gamora não tem um papel relevante no enredo do filme para além de sua relação com Quill, com a exceção de sua interação com a personagem feminina mais interessante da trama, sua “irmã” Nebula (chamada de Nebulosa, aqui no Brasil; interpretada por Karen Gillan).

 Guardiões da Galáxia

Nebula, que acaba se aproximando dos Guardiões da Galáxia ao longo do filme (contra sua vontade e a do grupo), e além de participar de diversas cenas de ação que mostram suas habilidades e o quão incrível ela se apresenta na posição de anti-heroína, ela é ainda a maior representante de um dos subtextos da trama: o tratamento dado a crianças em ambientes familiares.

Toda história de Nebula e sua rixa com Gamora está associada ao abuso sofrido pelas duas nas mãos de seu “pai”, Thanos, especialmente se tratando de suas deformações físicas aplicadas para que ficasse mais forte, e é de maneira bem interessante como a revelação desse tratamento distorcido dispensado por Thanos a suas “filhas” (que, como mostrado no primeiro filme, foram na verdade sequestradas) é trabalhada no filme de maneira sutil, mas relevante.

Essa subtrama é ainda colocada a partir da relação de Yondu (Michael Rooker) e Peter Quill, e deste com seu pai Ego; mas é tratada principalmente no contraponto das relações ruins com a criação dada pelos Guardiões ao pequeno Baby Groot. Para além das piadas muito bem colocadas, a relação dos outros membros do grupo com seu integrante que não passa de uma criança é uma boa mostra de como famílias são constituídas das mais diferentes formas, independente dos laços sanguíneos.  

 Guardiões da Galáxia

James Gunn conseguiu fazer uma sequência com uma trama bem fechada e trabalhada, ao mesmo tempo que estabeleceu parâmetros para a exploração do universo espacial da Marvel, fazendo um filme a altura do sucesso do primeiro, com um bom visual, ótima trilha sonora (que mais uma vez tem uma relação interna com o filme, na presença do Awesome Mix vol.2), e com direção e atuações competentes, provando o merecimento dos US$ 101 milhões arrecadados nos 37 países que estreou até o momento, com a previsão de uma estreia grandiosa nos EUA, onde o primeiro filme fez um enorme sucesso.

Uma das continuações mais sólidas dentro do MCU, Guardiões da Galáxia vol.2 apresenta mais referências aos quadrinhos, mais explosões, e mais dancinhas do Baby Groot do que o primeiro filme, mas não se perde tentando ser somente uma versão maior de si mesmo, sendo uma das melhores produções do estúdio desde Soldado Invernal.

 Guardiões da Galáxia


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Bat-fã, que ama cachorros, quadrinhos, chocolates e coisas velhas. Formada em História pela Universidade de São Paulo; tem como metas de vida trabalhar com arquivo histórico e HQs (de preferência ao mesmo tempo), e convencer sua irmã mais velha de que a Canário Negro venceria em um combate corpo a corpo contra a Caçadora.
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