[SÉRIES] Game of Thrones – 7×05: Eastwatch (resenha)

[SÉRIES] Game of Thrones – 7×05: Eastwatch (resenha)

Há dois episódios para o fim da temporada, a chegada do Exército dos Mortos volta a ter protagonismo em Game of Thrones. Passada a demonstração do poderio de Daenerys (Emilia Clarke) aos reforços de Cersei (Lena Headey), em Eastwatch é o momento de se preocupar com a ameaça do norte da Muralha, ainda que as desavenças do passado não possam ser esquecidas.

Desde que chegou a Westeros, Daenerys tem espalhado o medo de que repita os passos de seu pai, o rei louco (David Rintoul). Seu discurso de salvação e libertação é colocado à prova diante da impiedade de suas ações. Ganhada a batalha do último episódio, é dado como certo para os personagens que Daenerys, independentemente da falta de apoio das grandes casas, possui força suficiente para derrotar Cersei. A preocupação gira em torno do modo como ela lidará com seus adversários durante e ao fim da guerra. Mais uma vez os dragões são utilizados para aplicar punições dolorosas, as quais, talvez, ultrapassem os limites do tolerável em questões de “justiça”. Assim, Randyll (James Faulkner) e Dickon Tarly (Tom Hopper) são queimados por se recusarem a ajoelhar perante a rainha.

Game of Thrones - 7x05

A insanidade imposta pelo enredo às rainhas mulheres

Novamente retorna o questionamento sobre a insanidade imposta pelo enredo às rainhas mulheres. O poder leva à loucura ou à loucura é um recurso aplicado mais comumente às mulheres? Game of Thrones, de fato, apresentou mulheres em posições de liderança que não apresentavam o estereótipo, tais como Olenna (Diana Rigg) e Ellaria (Indira Varma). Todavia, as posições ocupadas pelas personagens recebiam menos destaque e eram menos influentes que as posições de Daenerys e Cersei. Também é certo que reis foram apresentados como insanos, como o Rei Louco e Joffrey Baratheon (Jack Gleeson). A diferença? Nenhum dos homens possuía um conselho formado quase exclusivamente por mulheres para lhes fazer conscientes.

Daenerys, por exemplo, conta, atualmente, como única conselheira mulher, com Missandei (Nathalie Emmanuel), que não aparece no episódio. A tarefa de sopesar suas atitudes repousa, durante o episódio, nas mãos de Tyrion (Peter Dinklage), Varys (Conleth Hill), Jon Snow (Kit Harrington) e de Jorah Mormont (Iain Glen), que retorna de sua jornada pela cura da escamagris.

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Tão logo, porém, ao menos dois destes homens partem, para a evidente tristeza de Daenerys, cujo sentimentalismo é apenas demonstrado em relação a Jon Snow e Jorah Mormont. Os dois personagens partem em direção ao norte da muralha, após uma notícia de Bran (Isaac Hempstead-Wright) de que o Exército dos Mortos se aproxima. A missão é capturar um dos caminhantes brancos como evidência para Daenerys e para Cersei.

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Enquanto isso, Tyrion, não mais culpado pelo assassinato de Joffrey após a confissão de Olenna, vai a Porto Real para convencer Jaime (Nikolaj Coster Waldau) de que Cersei deveria fazer um acordo com Daenerys em virtude da ameaça do norte. Jaime, embora aterrorizado com a capacidade de Daenerys, não é um entusiasta da proposta de Tyrion, que retorna para Pedra do Dragão com Davos (Liam Cunningham) e Gendry (Joe Dempsie), o comumente esquecido filho bastardo de Robert Baratheon (Mark Addy)

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Em seguida, Jaime relata o encontro à sua irmã e amante, Cersei. Ainda que considerada louca – ou em vias de tornar-se uma – Cersei é boa em ter controle sobre seu reino e já tinha conhecimento da chegada de Tyrion. Todavia, revela que, na impossibilidade de vencer Daenerys pela força, ela optou por outras estratégias. Revela, ainda, que está grávida de Jaime, de modo a reforçar o apoio recebido por ele. Seria mais uma vez a gravidez utilizada como estratégia de manipulação feminina? Sendo ou não verdadeira a gravidez, ainda não se pode ter noção completa das intenções por trás da novidade.

Em Winterfell mais jogos de poder ocorrem. Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turner) entram em atrito em razão de divergências quanto à forma de governo de Sansa. Sansa prefere governar o norte por meio de estratégias políticas, as quais, muitas vezes, exigem dissimulações e alianças desagradáveis. Arya, por sua vez, é movida pela violência e pelo desejo de medidas drásticas em prol da honra. Os modos da irmã relembram Arya daquela ambiciosa Sansa das primeiras temporadas, que desejava viver pelas aparências. E ela a acusa de querer tomar para si o poder que pertence a Jon.

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Instigada a desvendar as tramas políticas ocorrentes em Winterfell, segue Littlefinger (Aidan Gillen), mesmo sem saber que está sendo manipulada por ele. Ao fim, encontra um pergaminho propositalmente deixado por ele. O pergaminho é datado da primeira temporada, e foi escrito por Sansa na tentativa de salvar seu pai Ned Stark, condenado por traição. As palavras, porém, foram ditadas por Cersei, e levam a pensar que Sansa ignorava a lealdade familiar.

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Rivalidade entre mulheres

Arya, que conviveu somente com uma versão mais fútil e imatura de Sansa, é, então, levada a crer que a irmã deseja, realmente, o poder a qualquer custo. E, assim, mais conflitos entre mulheres são facilmente promovidos na televisão. Na primeira temporada, Robb Stark e Maester Luwin reconheceram imediatamente que as palavras da jovem Stark eram manipuladas. Não é surpresa, no entanto, que a rivalidade entre duas mulheres seja colocada não somente como plano de fundo, mas também como ponto de partida para a fácil manipulação delas, mesmo quando tudo aponta em outro sentido.

Na Cidadela, Sam (John Bradley-West) discorda dos demais mestres quanto às medidas a serem tomadas para derrotar o Exército dos Mortos. Gilly (Hannah Murray) encontra um registro de que o príncipe Rhaegar Targaryen teria anulado seu casamento e se casado novamente em uma pequena cerimônia em Dorne. Todavia, a personagem é interrompida antes que se possa ter certeza de que se trata do registro de casamento de Rhaegar com Lianna Stark e do posterior nascimento de Jon Snow. Um Sam aflito a impede de continuar, decidido a sair do local com alguns livros para ajudar na batalha contra os caminhantes brancos.

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O episódio termina, enfim, com a chegada do grupo de Jon Snow – com Davos, Gendry, Thormund (Kristofer Hivju), The Hound (Rory McCann), Thoros de Myr (Paul Kaye) e outros membros da irmandade – ao norte da muralha, fato que deve ser o foco do próximo episódio.

O quinto episódio não diversifica tanto os pontos, uma tendência para a finalização da série. Todavia, incomoda a velocidade com que a série tem caminhado. A rapidez com que os personagens se locomovem ou recebem notícias tem sido criticada, mas a velocidade mencionada aqui não se refere a isto. Talvez os fatos e sentimentos narrados tenham sido intensificados demais. Uma batalha, por exemplo, serviu para minar toda a confiança que Cersei tinha ganhado desde o início da temporada. Daenerys, que perdeu todos os seus aliados, precisou apenas de uma pequena batalha para amedrontar Cersei e Jaime. A relação de confiança entre Daenerys e Jon também mudou muito nos episódios. Pode ser, contudo, que a sensação de afobação decorra justamente da convergência final dos eventos.

Por fim, é um bom episódio, em termos de entretenimento, apesar das críticas à representação das personagens femininas. Apresenta surpresas e fatos impactantes ao enredo, e instiga no tocante aos rumos que a série tomará.

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Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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