[QUADRINHOS] ALEX + ADA: Os limites da inteligência artificial (Resenha)

[QUADRINHOS] ALEX + ADA: Os limites da inteligência artificial (Resenha)

Lançada em português esse ano pelo selo Geektopia, da editora Novo Século, Alex + Ada é uma história cheia de indagações e repleta de ficção com drama. Já não é de hoje que a literatura se aventura em explorar o embate da inteligência artificial ou de androides interagindo com seres humanos. Partindo desse encontro entre tecnologia e humanidade, Sarah Vaughn e Jonathan Luna escreveram Alex + Ada.

Sinopse Oficial de Alex + Ada

A última coisa no mundo que o jovem e solitário Alex poderia querer era uma X5, a última palavra em androides realistas. Mas um inesperado presente de aniversário de sua avó faz Ada mergulhar em sua vida. Então ele descobre que ela é muito mais do que apenas um robô, levando-o a questionar tudo aquilo em que ele acredita.

ALEX + ADA explora as fronteiras do real num contundente drama de ficção científica ambientado num futuro não muito distante.

“A frase mais empolgante de ouvir em ciência, a que prenuncia novas descobertas, não é “Eureka!”, mas sim “Isso é estranho…” Isaac Asimov

ALEX + ADA

Quando o assunto é robótica, as pessoas costumam apresentar as mais diversas emoções. Algumas ficam em um misto de horror com medo, achando que uma inteligência artificial é capaz de tirar a autonomia de seres humanos ou até mesmo revoltar-se contra esses, e outras ficam fascinadas com a ideia de conhecer e interagir com um organismo robotizado. Mesmo com reações e sentimentos tão diversos em relação aos seres robóticos, a curiosidade sobre eles costuma intrigar a maioria das pessoas.

O primeiro relato da existência do termo “robô” encontra-se na Checoslováquia, atribuído à peça “R.U.”, de Karl Capek, encenada em 1921. Capek utilizou a palavra “robô” querendo referir-se ao “trabalho compulsório”. Como já dissemos, Asimov é o pai dos robôs e foi o primeiro escritor a preocupar-se a escrever seriamente sobre robôs. Assim como outras literaturas, ALEX + ADA aborda a temática de inteligência artificial frente a frente com outros seres viventes.

[Contém pequenos spoilers que não estragam a leitura]

Em ALEX + ADA o jovem e solitário Alex tem sua vida transformada ao receber de presente uma Tanaka X5, último lançamento de androide e o mais utilizado como acompanhante amoroso. Assim como os outros modelos Tanaka X5, Ada é uma androide que consegue aprender a agradar seu proprietário observando suas ações e modificando-se para agradá-lo.

Na HQ, ao mesmo tempo em que podemos encontrar a batida história de homem triste encontrando uma androide, existe a crítica velada à necessidade de aceitação, mesmo que seja vinda de um organismo robótico.

A avó de Alex, que foi responsável por presenteá-lo com Ada, possui seu próprio Tanaka X5 em sua casa. Sua avó, diferente de si, sempre gostou da ideia de seres robóticos que fariam ações previsíveis e seriam uteis para algum proposito, mas o mais importante, ela se animava com a ideia de seres que não iriam morrer e a deixariam sozinha.

“Quando todo mundo da sua idade tiver partido, você vai entender. Chega um ponto na vida em que você quer algo que não vá embora.”

ALEX + ADA

Mas, afinal, o que é inteligência artificial?

Bom, primeiramente temos que considerar que estamos em uma era das máquinas diferente. Com a revolução industrial as máquinas realizavam trabalhos manuais em grande escala, mas sem raciocinar sobre o que era feito, não envolvia tanto “esforço mental”. Porém, atualmente as máquinas são responsáveis por realizar tanto trabalhos manuais quanto mentais.

No filme Estrelas Além do Tempo observamos que computadores já foram pessoas que se dedicavam a calcular infinitos números todos os dias. Ou seja, diversas áreas em que somente seres humanos conseguiam executar uma tarefa, já acabou, pois, máquinas fazem grande parte dos trabalhos que foram executados por pessoas.

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Podemos dizer que inteligência artificial, é um supercérebro computadorizado. E agora outra questão, será que inteligências artificiais podem ter consciência?

Em ALEX + ADA a robô não possui consciência, suas ações já são premeditadas e ela não expõe opiniões ou sentimentos. Alex começa a se incomodar com a sua não consciência e procura grupos ativistas das inteligências artificiais, onde encontra pessoas e A.Is que militam a favor da consciência dos robôs.

Sabemos que uma tendência humana é antropomorfizar tudo ao nosso redor. Atribuir sentimentos e ações humanas desde objetos a nossa volta, à natureza ou até mesmo em computadores. Quem aqui não lembra do “Sued”? Um programa de computador que oferecia respostas pejorativas para as pessoas, um programa que diversas pessoas acreditavam ser o próprio “diabo” falando.

ALEX + ADA

Enfim, tanto o Sued quanto outros programas que oferecem respostas já possuem suas ações direcionadas para o que dizer, não são capazes, por exemplo, de aprender uma informação nova por conta própria.

Uma inteligência artificial com consciência conseguiria produzir novas informações, reagir de diferentes maneiras em diversos contextos, aprender todos os tipos de informações, dentre outras coisas. Nessa dúvida de “robôs com consciência”, ALEX + ADA em seu primeiro volume lançado em português nos mostra um preludio à resposta, para possuirmos a resposta completa, só lendo os próximos volumes da HQ.

Lado positivo da HQ

A discussão sobre inteligência artificial ganha uma forte importância em ALEX + ADA. Podemos acompanhar de perto um androide descobrindo como interagir com humanos, e mais: um androide descobrindo aos poucos sentimentos que não foram programados para sentir.

Quem gosta de discutir sobre futuros distópicos onde robôs dominam a humanidade, vai se impressionar com a HQ, que oferece outro olhar. Um futuro onde a humanidade usa e abusa dos robôs, porém esses não possuem poder para revidar. Uma realidade onde robôs são usados para servir em todos os meios e de todas as maneiras.

Vale também destacar os diálogos presentes na HQ, onde encontramos novamente dúvidas ligadas à humanidade: até onde os seres humanos influenciam positivamente e negativamente aos outros ao seu redor e claro, será que a tecnologia é realmente uma ameaça?

Lado negativo da HQ

Homem triste e sozinho que conhece uma A.I. Já somos familiarizadas com a velha “fórmula de homem triste”, que sofreu uma desilusão amorosa, tem um trabalho monótono e de repente conhece uma inteligência artificial que transforma sua vida.

Vale de exemplos os filmes: Ex Machina, Her e até o querido Blade Runner. Quando inteligências artificiais são retratadas correspondentes ao gênero feminino, é comum esse modelo de “cara solitário que tem a vida transformada por uma robô”, muito similar ao estereótipo hollywoodiano de caras feios com minas gatas, já que as robôs costumam ser retratadas como mulheres extremamente bonitas.

O que vemos é a HQ reproduzindo um padrão ao retratar androides femininas, colocando que a A.I não possuía emoção e levava uma vida monótona até encontrar com o homem que começa dar sentido em sua vida robótica. Tirando essa reprodução já usada e reutilizada, ALEX + ADA não perde pontos em sua narrativa envolvente ou mesmo em suas ilustrações.

ALEX + ADA

Sobre a autora e autor

Sarah Vaughn é escritora e artista, foi artista da webcomic SPARKSHOOTER, de Troy Brownfield.  ALEX + ADA é o primeiro quadrinho de Sarah como escritora.

Jonathan Luna criou e ilustrou THE SWORD, GIRLS e ULTRA com seu irmão, Joshua Luna. Seu trabalho tambpem inclui as ilustrações para SPIDER-WOMAN: ORIGIN (Marvel Comics), escrito por Brian Michael Bendis e Brian Reed.


Alex + Ada – Volume 1

Editora Geektopia / Novo Século

128 páginas; capa dura

Este quadrinho foi cedido pela editora para resenha

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Escrito por:

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Feminista e estudante de serviço social. Ama Star Wars e é viciada em gatos. Adora conversar sobre gênero e brinca de ser gamer nas horas vagas. Nunca superou o fim de The Smiths.
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