Please Like Me: a comédia sobre saúde mental que você precisa conhecer!

Please Like Me: a comédia sobre saúde mental que você precisa conhecer!

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“Eu vou ficar bem”, nos diz a letra de “I’ll Be Fine“, música de abertura da série australiana Please Like Me. A série é sobre a vida de Josh, e Josh vai ficar bem. Ele tem vinte anos, uma namorada desde o colégio e divide uma casa com seu melhor amigo Tom. Um belo dia sua namorada termina com ele. O motivo? Bom, ela acha que provavelmente Josh é gay e até esse momento ele não havia se tocado disso. Pois é, o rapaz é meio desligado, mas é boa gente. Na verdade Josh é apaixonante. Aceita as adversidades e vai em frente. Logo no piloto acata a sugestão da ex namorada e sai do armário.  A forma que o roteiro encara a vida é uma das muitas coisas legais na série.

Criada e estrelada pelo comediante Josh Thomas, o show se baseia em fatos da vida dele. Estreou em 2013 e tem todas as quatros temporadas disponíveis na Netflix. Thomas desenvolveu a série por quatro anos até estrear. Primeiro como um drama, depois como comédia. Thomas Hard que vive Tom, é o co-roteirista e melhor amigo de Josh na vida real e no programa. Tom, é um bom motivo pra ver a série. Aliás, Please Like Me é tão adorável que não faltam motivos para assisti-la. Vamos logo fazer uma lista!

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1 – Todo mundo tem problema, mas ninguém enche muito saco por isso

Problemas fazem parte da vida. A mãe de Josh tenta o suicídio e é internada numa clínica. Isso é tratado com naturalidade porque a vida é assim. Se é em uma novela, a gente vê dois capítulos inteiros de personagens reagindo dramaticamente a alguma má notícia, em Please Like Me a reação é: “Ok, temos um problema, o que podemos fazer para resolver?” Próximo tema.

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“Você quer ser um drogado triste e preguiçoso sua vida inteira?”

2 – O melhor amigo hétero

Imagine dois boys. Eles são amigos desde os doze anos e dividem uma casa. Um belo dia um deles se descobre gay. Ele vai, conta para o amigo hétero e esse amigo o apoia. Esse amigo entende que não há chance de levar alguma cantada. Ele não tem problema com a sexualidade do outro. Ele não fica desconfortável. Não é lindo?  

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3 – Problemas mentais são normais

A vida é difícil e algumas pessoas são mais sensíveis a essas dificuldades. Elas desenvolvem problemas, mas está tudo bem quanto a isso. Elas se tratam e tentam levar a vida da melhor maneira que podem. Na série vemos três personagens lidando com problemas mentais e sendo aceitos de forma natural dentro de um grupo social.

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4 – Seus pais podem fazer parte de seu grupo de amigos

Uma festinha normal na casa de Josh é frequentada por seus amigos, seu pai, sua madrasta e sua mãe. Não há barreiras de idade. Não existe assunto que não possa ser falado na frente dos pais.

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5 – A trilha sonora é uma coisa linda

Vai da música de abertura, “I’ll be fine“, da banda Clairy Browne & The Bangin Rackettes; Kiss Me“, sucesso dos anos 90 da banda Sixpence None the Richer. Temos também: “Chandelier” da Sia, “Love is Strange” do filme Dirty Dancing, Backstreet Boys. Vale a pena seguir a playlist da série no Spotify.

6 – Adele, Beyoncé e Shakira

As galinhas. Eles criam galinhas. Não sabemos se é uma coisa da cultura australiana ou do universo da série. Mas lá é normal gente jovem e cosmopolita criar galinha no quintal de casa. Porém, uma dica: não se apegue.

7  –  A narrativa

O roteiro desenvolve uma linguagem inovadora que equilibra doçura, sarcasmo e realidade real. Oi? Isso existe? Sim, é a vida como ela é e não uma idealização da realidade feita pela ficção. É tudo sempre de uma forma natural e em nenhum momento o texto é didático ou preocupado em passar uma mensagem. É um programa de TV, não é uma aula e isso é ótimo. É um show que trata da individualidade de forma universal. E aí você aprende alguma coisa, porque você não é burro e está vendo aquilo, mas a moral da história não é esfregada na sua cara.

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8 – A abertura

Josh sempre começa o episódio cozinhando ao som da vinheta da série. É uma abertura nova por episódio e isso é divertido. Várias cenas importantes acontecem à mesa e geralmente o prato que se come é aquele que Josh estava cozinhando na abertura do capítulo. Parece bobo, mas é uma forma afetuosa de unir as pessoas através da refeição.

9 – Momentos feministas

Tem vários ao longo das temporadas. Num deles, uma personagem faz um aborto. A forma como o assunto é tratado nos mostra como o procedimento acontece de uma forma prática. A atendente precisa ter certeza que a moça não está sendo obrigada a fazer um aborto. Também vemos o cuidado que Josh tem com a amiga, ficando por perto na recuperação, mas respeitando o espaço dela.

Num outro momento mais cômico, Mae, a tailandesa que namora o pai de Josh, é pedida em casamento sem que essa possibilidade fosse discutida previamente pelo casal. Alan, o pai, achou que era só fazer uma surpresa, comprar um anel e chamar os pais da noiva que estava certo. Tudo lindo, mas que tal consultar a noiva antes e saber o que ela acha do casamento?

10 – Não existe divisão entre família e amigos

É isso. Amigos são a família que a gente escolhe e DNA não é prerrogativa de tratamento. Em fevereiro deste ano saiu a notícia que a série foi cancelada. Josh terminou seu amadurecimento e nós amadurecemos com ele. É difícil avaliar o final sem dar spoilers. Algumas tramas se fecham, mas ainda havia material para ser explorado. Não houve um final planejado e amarrado, mas nós podemos imaginar que Josh e seus amigos vão ficar bem.

 


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Candida Sastre é roteirista de humor e pesquisadora. Escreve artigo e entende dos paranauê acadêmico. Suas inspirações na crítica são Clement Greenberg (amém), Arthur Danto e a rainha Aracy de Almeida. Carioca, mother of cats, diferentona, tinha um blog chamado Sylvia. Faz parte do Gloria Steinem Futebol Clube. Escreve humor porque tem facilidade, mas queria mesmo ser o Daniel MacIvor.
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