[X JANELA] Balanço do Dia: A estreia de Carla Simón em “Verão 1993” e último programa de curtas nacionais

[X JANELA] Balanço do Dia: A estreia de Carla Simón em “Verão 1993” e último programa de curtas nacionais

O dia de quarta-feira no X Janela Internacional de Cinema do Recife deu continuidade à mostra competitiva de curtas brasileiros e teve exibição do filme Verão 1993, de Carla Simón, como parte da competição de longa-metragens. O programa “Nada Será Como Antes”, último da mostra de curtas, exibiu Pele Suja Minha Carne, de Bruno Ribeiro, Retratos Para Vocês, de Pedro Nishi, Cachorro, de Gustavo Vinagre, As Melhores Noites de Veroni e Nada, de Gabriel Martins. A mostra apresentou curtas que tratam, de alguma forma, sobre rupturas e mudanças

Em Nada, de Gabriel Martins, Bia, personagem vivida por Clara Lima, está no último ano de escola e sofre pressão por parte de sua família e de professores para que ela decida qual curso quer fazer. Porém, Bia não quer fazer vestibular e muito menos seguir uma carreira pré-estabelecida. Esse embate de Bia contra pais e professores nos mostra a coragem da personagem em bater de frente e se desviar de um caminho naturalmente trilhado por muitos jovens.

Cena de “Nada”. Fotografia por Diogo Lisboa e Rick Mello.

Bia é criativa e faz rap, seus pais dão todo o apoio para que ela siga a carreira que quiser, mas ela quer viajar. Ela ainda conta com a pressão de ser a primeira integrante de sua família a ter a possibilidade de entrar em uma Universidade (fato ressaltado pelo seu pai). A atuação de Clara, Rejane Farias e Carlos Francisco (que fazem o papel de pais) é impecável. Em nenhum momento duvidamos que se trata de uma família de verdade, tamanho entrosamento entre as atrizes e o ator.

Gabriel Martins conta que muitos momentos mostrados no curta foram improvisados – como o “Parabéns a Você”, em um rap debochado feito pelos pais de Bia. Ele diz também que a qualidade dos atores ajudou bastante na realização do filme. Sem dúvida, é impossível não nos identificarmos com Bia e seu 18 anos recém feitos, sendo pressionada a fazer uma coisa para a qual não se sente preparada e que é tão importante: decidir a profissão que, teoricamente, deve ser definitiva. Nada fez sua estreia na Semana dos Realizadores de Cannes.

Cena de “As Melhores Noites de Veroni”

Também fez parte do programa o curta As Melhores Noites de Veroni, de Ulisses Arthur, que nos traz a personagem Veroni (Lais Lira) que é uma cantora da noite de Maceió enquanto seu marido passa dias trabalhando como caminhoneiro. Veroni se divide entre cuidar da filha, da casa e cantar na noite. Ela quer o retorno de seu amado ou pretende viajar junto com ele, vivendo em seu caminhão, ideia que é veementemente recusada por ele.

Veroni acaba usando a música como válvula de escape para essas frustrações cotidianas. O curta de Ulisses nos mostra uma personagem bastante incomodada, mas não nos permite um aprofundamento em seus pensamentos. Veroni é interessante, uma mulher forte e independente até certo ponto, mas a trama pouco nos mostra o motivo de existência do curta. As Melhores Noites de Veroni teve sua estreia na mostra competitiva do Festival de Brasília de 2017.

Verão 1933
“Verão 1933”

No Cinema do Museu houve a reprise de Verão 1993 (Estiu 1933), primeiro longa-metragem da diretora Carla Simón. O filme é o representante da Espanha para o Oscar e nos conta a história da pequena Frida (Laia Artigas), que é forçada a mudar de cidade para morar com seus tios e sua prima após a morte de seus pais, fato que ainda não compreende completamente.

Em Verão 1993, acompanhamos Frida em sua nova vida, tendo que se acostumar a uma vida bucólica no interior, diferentemente de seu lugar de origem, a agitada Barcelona onde recebia mimos de seus avós constantemente. Diversos pedaços vão se unindo em um mosaico, que procura mostrar a dificuldade que Frida sente em se adequar ao lugar, além da saudade que sente de seus pais.

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Durante o dia, ela se distrai brincando com a prima pequena, sem deixar de lado certa malícia que prega peças na menor, e à noite se esgueira pela casa angariando presentes para deixar aos pés de uma santa, para que sejam entregues à mãe, além de rezar, aprendizado tido com sua avó. A câmera está sempre posta na altura de Frida, o que explicita o foco do filme.

A diretora não fez um filme de crianças, mas sobre uma criança. A compreensão da história não é nos dada simplesmente. Muito deve ser elogiada a atuação de Laia, com seu silêncio e olhar expressivo. A menina é colocada muitas vezes em isolamento e consegue se expressar muito bem, mesmo sem precisar verbalizar nada. Leia a nossa crítica completa do filme AQUI.

>> Confira aqui nossa cobertura completa do X Janela!

Imagem destacada: cena de Verão 1933.

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Gaúcha moradora do Recife. Estudante de jornalismo com um pé (ou quase o corpo todo) nas artes. Acha que falar sobre si mesma na terceira pessoa é muito estranho.
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