Star Wars - Legado de Sangue: protagonismo feminino e resistência!
Star Wars – Legado de Sangue: política, protagonismo feminino e resistência!

Star Wars – Legado de Sangue: política, protagonismo feminino e resistência!

Todo mundo ama a Princesa Leia Organa. Ou melhor, a Senadora Leia Organa. Ou ainda: a rebelde da resistência Leia Organa! “Star Wars – Legado de Sangue” aborda toda essa pluralidade da vida de Leia, em uma trama cheia de politicagem e ação no que podemos desde já afirmar ser um dos melhores livros das dezenas de Star Wars lançados pela Editora Aleph até o momento.

Não bastasse ser um grandioso entretenimento que enche os olhos e corações de qualquer fã de Star Wars, a trama ainda cabe como uma luva no atual contexto político polarizado brasileiro e serve como uma reflexão e um aviso.

AVISO: resenha livre de spoilers, leia sem medo!

Sinopse de “Star Wars – Legado de Sangue (esta sinopse resume bem o clima do livro, portanto sugerimos a leitura para a devida contextualização): Quando a Aliança Rebelde derrubou o Império, a princesa Leia acreditava que um longo período de paz iria começar. Mas o que se seguiram foram décadas de brigas sem fim e rixas partidárias no senado da Nova República. Leia, agora uma senadora influente, está perdendo a fé na política enquanto vê seus colegas no senado, desesperados por mudanças, tomarem medidas que podem destruir o governo igualitário recém-criado.

A última princesa de Alderaan torna-se a única esperança da democracia em seu momento mais frágil, mas o passado e o futuro com o lado sombrio da Força a perseguem. O treinamento Jedi de seu filho Ben a preocupa, especialmente depois que ele e Luke param de lhe mandar mensagens, e um dos maiores segredos da família pode vir à tona e colocar em cheque sua credibilidade. Situada pouco antes do Episódio VII: O Despertar da Força, esta obra da aclamada escritora Claudia Gray apresenta o surgimento da primeira ordem e do clima que impera na galáxia nos novos filmes, além de aprofundar os conflitos de sua protagonista, a princesa Leia.

Star Wars - Legado de Sangue (resenha)
Capa de “Star Wars – Legado de Sangue”. (Imagem: Aleph / divulgação)

A história de Star Wars – Legado de Sangue

Leia está cansada. Longe do filho, do irmão e do marido, as lutas que ela trava agora são puramente burocráticas. O senado, com seus milhares de membros, está polarizado entre centristas e populistas (o equivalente ao que ocorre no Brasil entre o que convencionou-se popularmente chamar-se de direita e esquerda) e afundou-se em burocracia e debates intermináveis que quase nada tem de solução prática e que não proporcionam nenhuma mudança.

Em “Star Wars – Legado de Sangue“, além da saudade da família, Leia perdeu a fé na política e sente que é mais difícil conseguir conquistar algo eficaz no senado do que vencer uma guerra. Desanimada e prestes a renunciar, ela vê certas irregularidades em um planeta e resolve investigar, com o aval do senado. O que serve também como uma desculpa para sair um pouco da monotonia e da rotina da qual está cansada.

No entanto, ela deve viajar juntamente com um membro da oposição, o jovem prepotente e orgulhoso Ransolm Casterfo. Dicotomia semelhante à que ocorre na história de “Star Wars – Estrelas Perdidas“, que também trata do relacionamento entre duas pessoas que se encontram de lados políticos diferentes. Casterfo é o que podemos chamar de conservador. Admira a época do império pelo seu poderio militar e pela ordem, mas repudia a figura de Darth Vader, de Palpatine e de qualquer outro que corrompeu o Império e abusou do povo em nome de suas próprias vontades. Casterfo, até com certa ingenuidade, acredita realmente que um governo autoritário e militarmente forte pode manter a ordem, a paz e ainda fazer a galáxia prosperar.

Leia, sendo o oposto de seu jovem acompanhante, não consegue sentir nenhuma empatia imediata por ele e, ao contrário, sente raiva ao descobrir sua paixão saudosista pelo império. A relação entre os dois ao longo do livro passa por várias reviravoltas e é um dos melhores pontos da obra. Em todas as suas interações, a autora Claudia Gray não dá espaço para bait. Não há romantização, desejos ou segundas intenções. Há, isso sim, um relacionamento sincero entre duas pessoas com ideologias opostas, mas que são inteligentes o bastante para saber que honra, honestidade e dignidade estão além de qualquer visão política.

Star Wars - Legado de Sangue - pôster
Pôster que recebemos de cortesia da Editora ALEPH junto com o exemplar do livro.

Só neste aspecto a obra já deixa uma básica e valiosa lição: é preciso conviver com a diferença. Vivemos em um mundo onde clamamos diariamente por aceitação, espaço e representatividade, mas, no entanto, muitas vezes tentamos silenciar e extinguir o diferente. Queremos democracia, mas muitas vezes nossa ideia de democracia abarca somente aquilo que achamos correto.

Ideologia não constrói caráter

Ainda sobre este aspecto de “Star Wars – Legado de Sangue“, uma pequena digressão: ideologia não constrói caráter. Sabemos que existem, por exemplo, esquerdo-machos. Mas isso vai muito além: se ser de esquerda não é um atestado de que a pessoa pensa em igualdade de gêneros, semelhante reflexão serve para qualquer tipo de ideologia. Não é toda feminista que luta também por igualdade social e racial, por exemplo, o que pode incorrer no absurdo e bizarro comportamento de alguém que critica o machismo, mas quer trata a empregada negra como lixo. Mas voltemos à obra…

A viagem dos dois senadores é o começo de uma trama que envolve algo grandioso e obscuro e que pode, mais uma vez, ameaçar toda a galáxia, após muitos anos de paz. Sim, estamos falando da Primeira Ordem! Em Star Wars – Legado de Sangue, sabemos com a Primeira Ordem surgiu e quem está por trás desta tentativa de reformar o Império. O livro cumpre bem seu papel de servir como ponte entre o Episódio VI e o Episódio VII, mas vai muito além.

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Representação feminina na história

Temos, além de Leia, outras personagens femininas de destaque ao longo de toda a obra, entre protagonistas e antagonistas (a senadora Lady Carise, as duas ajudantes de Leia – a piloto Greer e a estagiária Korr, além de uma antagonista que se revela na segunda metade do livro).

Os homens, no desenrolar da história, tentam proteger as garotas e tomar o protagonismo, mas elas sempre (com exceção de um clichê totalmente dispensável envolvendo Han Solo) os colocam em seus devidos lugares e mostram que são muito mais capazes de cumprir com seus objetivos.

Vale ressaltar que as cenas em que essas coisas ocorrem são naturais e leves, nada de proselitismo ou de situações didáticas. Claudia Gray já se provou uma grande escritora com Estrelas Caídas, e em Star Wars – Legado de Sangue ela nos brinda com mais uma obra literária de altíssima qualidade.

Como é bom acompanhar Leia fazendo o que realmente ama: lutar por um mundo melhor! Cada cena com ela é um verdadeiro deleite. A imponência e a coragem de Leia são lendárias. É uma mulher respeitada até pelos seus piores inimigos e venerada em planetas distantes, onde é conhecida como A Matadora de Hutts. Ela se envolve sozinha em situações extremamente perigosas e quase suicidas, mas sempre consegue cumprir seus objetivos e sair com vida.

Conclusão de Star Wars – Legado de Sangue

O final de “Star Wars – Legado de Sangue” é épico, grandioso e catártico, tanto que provoca arrepios e emoção. Quem já leu “Estrelas Perdidas” sabe do que falamos. Claudia Gray consegue fazer grandes e impactantes finais como poucos!

O livro é altamente indicado, tanto para antigos fãs quanto para quem quer começar a ler os livros da franquia e não tem certeza de onde começar. A lição final e mais importante que “Legado de Sangue” nos passa é que em tempos de relativa paz, forças ocultas rastejam pelas sombras enquanto se fortalecem e tentam tomar o poder. Mas, se por um lado isso ocorre, por outro, sempre haverá uma Resistência Rebelde disposta a lutar até o fim por um mundo melhor.


Legado de SangueStar Wars – Legado de Sangue

Autora: Claudia Gray

Editora ALEPH

360 páginas

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Escrito por:

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Fundadora e editora-chefe do Delirium Nerd. Revisora. Apaixonada por gatos, café, cinema do oriente médio, quadrinhos e animações japonesas. Ouve muito Harry Styles e cantoras melancólicas.
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