Jill Thompson: entre o sombrio e o colorido, tudo o que uma garota pode ser

Jill Thompson: entre o sombrio e o colorido, tudo o que uma garota pode ser

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Jill Thompson é simplesmente um dos maiores nomes dos quadrinhos na atualidade. A roteirista, colorista, ilustradora e quadrinista norte-americana nasceu em 20 de novembro de 1966, na cidade de Forest Park, Illinois, e desde a década de 80 tem mostrado seu talento. Mas você sabia que suas habilidades vão muito além? Thompson escreve também para teatro, cinema e televisão, produz bonecas, posa para seus colegas ilustradores e tem muitos hobbies, com direito a título de Mestra! Sua arte única é facilmente reconhecida pelo colorido certeiro de cada história, desde a mais delicada até a mais sombria. Seu trabalhos mais notáveis são como ilustradora em Sandman, como autora da obra (estranhamente fofa) “Minha Madrinha Bruxa” e pelo recente e inovador “Wonder Woman – The True Amazon”.

E se por acaso você ainda não conhece o trabalho de Jill Thompson, a partir de agora você terá ótimos motivos para dar uma chance a essa artista incrível e recuperar o tempo perdido!

Jill Thompson
Imagem: reprodução

Em 1987 Thompson formou-se em Ilustração e Aquarela pela American Academy of Art, em Chicago, e desde então trabalhou para editoras importantes, como as extintas First Comics e Now Comics, e também em parceria com muitos artistas, ilustrando obras notórias como Invisíveis, Orquídea Negra, Monstro do Pântano, Finals, as séries The Dark Horse Book e Beasts of Burden, entre muitas outras. Já em 1990 destacou-se como ilustradora de Mulher-Maravilha, da DC Comics, em várias edições entre os números #45 e #64.

Em “Sandman“, de Neil Gaiman, ela foi um estrondoso sucesso: Jill Thompson ilustrou o arco Vidas Breves (1992-1993), entre as edições #41 a #49, e também a história O Parlamento das Gralhas, na edição #40 da coleção Fábulas e Reflexões. Foi aí que surgiram as versões infantis de Morte e Sonho, que levariam à criação de histórias de sua autoria: as graphic novels “Os Pequenos Perpétuos” (2001), que mostra a busca do cãozinho Barnabás pela Delirium perdida, e “A Festa de Delirium” (2011), onde a protagonista planeja um grande evento para alegrar sua irmã Desespero, destacam-se pela fofura das ilustrações e da narrativa.

Ainda no universo de Sandman ela escreveu e ilustrou as histórias “Morte: A Festa“, título no estilo mangá e um dos mais vendidos em 2003, que retrata os acontecimentos de Estação das Brumas pelos olhos da Morte, e “Dead Boy Detectives” (2005), graphic novel baseada nos personagens Charles Rowland e Edwin Paine, também de Estação das Brumas – lembram dos meninos mortos que se recusam a ir com a Morte para o pós-vida? Pois agora eles são detetives sobrenaturais!

Jill Thompson
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E em obras autorais ela também arrasa! A série Scary Godmother, no Brasil intitulada “Minha Madrinha Bruxa“, inicialmente foi publicada pela Sirius Entertainment e mais tarde pela Dark Horse Comics. O primeiro livro conta a história de Hanna Marie, uma menina muito medrosa que sai pela vizinhança para pedir doces durante o Halloween. Quando outras crianças lhe pregam uma peça, magicamente aparece sua Madrinha Bruxa pra ensinar-lhes uma lição.

O livro reúne cinco histórias lançadas entre 1997 e 2000 e há também uma série em quadrinhos lançadas entre 1998 e 2001. O sucesso foi tão grande que deu origem a dois especiais para a TV, o Scary Godmother, Halloween Spooktacular, lançado em 2003, e Scary Godmother: The Revenge of Jimmy, no ar em 2005.

Outro trabalho autoral de Jill Thompson é a série “Magic Trixie, da coleção Harper Collins Children’s Books. Com 3 títulos lançados entre 2008 e 2009, a série conta a história de Trixie, uma bruxinha que não é levada a sério, mas que tem uma mente muito fértil para planos muito mirabolantes. Além disso a coleção Harper Collins também tem mais 4 histórias nas quais Thompson foi ilustradora.

Jill Thompson
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Um de seus trabalhos mais recentes é “Wonder Woman – The True Amazon“, na qual Jill Thompson faz uma releitura da origem de Diana Prince. A obra, uma comemoração aos 75 anos da heroína, é muito fiel à trama original, mas diferente por mostrar o processo de amadurecimento da amazona. A Diana Prince de Thompson não “nasceu pronta”, ela precisou aprender de uma forma dolorosa a ser uma heroína! 

A autora também trouxe uma perspectiva de empoderamento para meninas e mulheres: ao receber o Eisner Award, Thompson dedicou o prêmio a “toda garota que ler Mulher-Maravilha pela primeira vez, inspirando-a a ser mais forte, fazendo coisas que pareçam difíceis ou que os outros digam que não podem ser feitas. Porque não há nada que uma garota não possa fazer, elas podem tudo”. Tem como não amar essa mulher?

Jill Thompson
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Além da carreira sólida nos quadrinhos, ela também surpreende em outras áreas: fã de O Senhor dos Anéis, Jill Thompson foi entrevistada para o filme Ringers: Lord of the Fans, sobre o fandom da obra de J.R.R.Tolkien, e participou do documentário She Makes Comics, que conta a história das mulheres na indústria de quadrinhos.

Thompson também estudou comédia de improviso em Chicago, nas companhias The Players Workshop e The Second City Training Center, atuou durante 4 anos com a Cleveland Improv Trupe, e trabalhou no filme Meet Me There (2014), no qual interpretou a tia Lindsay. E ela é super envolvida nos bastidores também! Jill Thompson participou de praticamente toda a produção da animação Scary Godmother. Já na versão para o teatro ela foi co-roteirista e diretora de arte.

Jill Thompson
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Thompson também é fã de jardinagem e tem até certificado de Mestra Jardineira. É modelo de corpo para outros artistas de quadrinhos e inclusive usa a si mesma como referência para vários personagens em seus trabalhos – como a Madrinha Bruxa, que ela criou especialmente para contar histórias de Halloween para sua sobrinha. Sua imagem foi usada por P. Craig Russell na graphic novel The Magic Flute e também em Batman: Legend of the Dark Knight, na história “Hothouse”, na qual ela foi modelo para um personagem maligno que manipulava a Poison Ivy, e ainda para a personagem Duela Dent, em Kingdom Come, de Alex Ross.

E respira que ainda não acabou! Jill Thompson desenha e produz bonecos! Com o sucesso dos Perpétuos em versão miniatura, além de muitas ilustrações ela também criou os bonecos de Morte e Sonho, com direito a vestido, capa e cabelo confeccionados à mão. Devido a euforia dos fãs e após muita pressão, a DC produziu os Pequenos Perpétuos em pelúcia, todos desenhados por Jill.

Em 2003 foram lançadas estátuas dos personagens de Sandman, também a partir de modelos e esboços criados por ela, em uma coleção de aquecer o coração de tão fofa. No mesmo ano, após financiamento coletivo pela Kickstarter, Thompson lançou uma boneca incrível e totalmente articulada de sua personagem Madrinha Bruxa (e que fica cada vez melhor!).

Para não deixar dúvidas do quanto é talentosa, foca nessa lista de prêmios que ela recebeu por seu trabalho primoroso: Jill Thompson já ganhou o Eisner Awards em 2001 (Melhor Colorista por Scary Godmother), em 2004 (Melhor Colorista e Artista Multimídia por Stray – Dark Horse Book of Hauntings), em 2005 (Melhor História Curta por Unfamiliar – The Dark Horse Book of the Dead, em parceria com Evan Dorkin) e e em 2017 ganhou 3 prêmios por Wonder Woman: The True Amazon e Beasts of Burden: What the Cat Dragged In.

Em 1999 foi a vencedora do Lulu of the Year, e em 2011 a National Cartoonist Society nomeou-a Melhor Artista de Quadrinhos por “Beasts of Burden“. Jill Thompson também ficou em 4º lugar na pesquisa Top 50 Female Illustrator da Comic Book Resources, em 2015, marcando definitivamente toda a sua relevância para a indústria de quadrinhos.

Jill Thompson
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Jill Thompson tem a habilidade certeira de misturar o sombrio das histórias de terror, com o colorido doce e ao mesmo tempo gritante de suas aquarelas. Suas personagens, muitas de narrativas profundas e até pesadas, conseguem encantar com uma sutileza difícil de imaginar em histórias de terror. Se pedissem um ponto de referência para seu trabalho, logo poderíamos citar Tim Burton, mas tem algo em seus traços e na forma de contar histórias que dão um toque único a sua arte: seja o gosto pelo esotérico e pelo sobrenatural, o tom de sua narrativa que lembra uma canção de ninar para crianças, ou ainda o humor e a esperteza infantis que garantem ótimas sacadas, Thompson deixa qualquer um encantado.

Além de todo o talento como roteirista, ilustradora e colorista, com seus outros hobbies e atividades ela prova que as mulheres podem fazer tudo o que quiser. Em um mundo que insiste em nos limitar e podar, que insiste em dizer que só devemos ser uma coisa ou outra (em geral para satisfazer desejos de outros), Jill Thompson nos mostra muita inspiração e um universo inteiro de possibilidades para que meninas e mulheres sejam tudo o que quiserem ser.


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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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