A série de livros Vilões, da americana Serena Valentino, já vem sendo publicada há muitos anos no Brasil pela Disney. Atualmente, conta com 11 volumes lançados e um 12º já confirmado pela autora, sem previsão de encerramento.
Cada livro reconta a história de um vilão clássico da Disney a partir de sua própria perspectiva, redimindo ou, ao menos, explicando suas ações.
Os vilões contemplados até agora incluem:
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Grimhilde, a Rainha Má de Branca de Neve;
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O Príncipe Fera;
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Úrsula;
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Malévola;
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Gothel;
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Cruella de Vil;
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A Madrasta Tremaine, de Cinderela;
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O Capitão Gancho;
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Hades;
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Gaston;
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E as Irmãs Esquisitas, personagens originais criadas por Valentino.
As Irmãs Esquisitas — Lucinda, Ruby e Martha — são inspiradas em figuras míticas como as Moiras e as Bruxas de Macbeth. O próximo livro, ao que tudo indica, será focado na Rainha de Copas, do universo de Alice no País das Maravilhas.

Spin-offs e o universo expandido dos vilões
A ideia de recontar histórias sob a ótica dos vilões não é nova. A própria Disney já vem explorando origens de seus personagens há anos. Ainda assim, a série de Valentino se destaca pela execução e originalidade, conectando as narrativas entre si e apresentando um universo coeso com novos personagens.
Entre as criações de Serena Valentino estão:
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Circe, irmã mais nova das Irmãs Esquisitas;
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A gata Pflanze;
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As Bruxas dos Mortos — Néstis, Manea, Hazel e Primrose;
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Sir Jacob, o morto-vivo;
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A Princesa Tulipa Morningstar;
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O Príncipe Poppinjay;
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Oberon, o rei das fadas;
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E a misteriosa Babá, também conhecida como Aquela das Lendas.
Suas histórias não têm ligação com os filmes live-action como Malévola ou Cruella, sendo versões completamente distintas e mais literárias das origens dos personagens.
Passados trágicos dos vilões
Os livros de Serena Valentino são surpreendentemente interessantes. Apesar de voltados ao público juvenil, carregam temas emocionais e sombrios, explorando traumas, abusos e tragédias que moldaram seus personagens.
Em muitos casos, a leitora se vê torcendo pelos vilões, que aparecem como vítimas das circunstâncias — muitas vezes manipuladas pelas próprias Irmãs Esquisitas.

Finais tristes e a moral dos contos clássicos
A maioria dos livros termina de forma trágica, reforçando o destino dos contos de fadas originais, onde o mal é derrotado.
Esses desfechos melancólicos são raros em obras middle grade, mas justamente por isso conquistaram uma base de fãs adultos fiéis.
A premissa é simples: as bruxas trigêmeas — e extremamente malvadas — Lucinda, Martha e Ruby, conhecidas coletivamente como as Irmãs Esquisitas, narram as histórias dos vilões — nas quais, com frequência, acabam se intrometendo. Todas se passam nos Muitos Reinos, registradas em seu Livro dos Contos de Fadas, que a princípio apresenta essas figuras como entidades isoladas.
Com o passar dos volumes, porém, Serena Valentino revela uma intrincada rede de relações entre os personagens, mostrando que boa parte de suas desgraças está ligada a um trágico e complexo drama familiar cujo centro são justamente as três irmãs — que, nem sempre, foram assim tão más.
Once Upon a Time: contos de fadas para adultos
Em muitos aspectos, Vilões lembra a série televisiva Once Upon a Time, sucesso da ABC (também da Disney). Por sete temporadas, a produção explorou vidas e conflitos de personagens de contos de fadas de forma madura, com doses de violência, temas familiares complexos e um tom mais adulto.
A série terminou há alguns anos e, desde então, nenhuma produção similar surgiu para ocupar esse espaço.

Se bem adaptada, a obra de Serena Valentino poderia preencher essa lacuna, combinando o tom sombrio com o apelo familiar que caracteriza a Disney.
Uma sucessora do sucesso da ABC?
A premissa de Once Upon a Time difere o suficiente para justificar uma nova adaptação, mas há paralelos notáveis.
Enquanto a série da ABC alternava entre o reino encantado e o mundo real de Storybrooke, Vilões permanece no campo mítico dos Muitos Reinos, interligando personagens e destinos.
Ambas as obras compartilham:
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Tramas familiares complexas;
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Conflitos morais;
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E o uso de um livro mágico como elemento central da narrativa.
Em Once Upon a Time, o centro dramático é a família de Branca de Neve. Em Vilões, esse papel cabe às Irmãs Esquisitas, que, curiosamente, são primas da própria Branca. Essa conexão familiar dá força e coesão às narrativas — e cria um rico terreno para uma adaptação televisiva.

A solução para a crise dos live-actions da Disney
A Disney ainda não demonstrou nenhum sinal de que pretende adaptar Vilões para a TV, mas deveria. Em uma época em que os live actions da empresa são cada vez mais criticados pela falta de originalidade e por mudanças sem sentido em relação ao material original, o público está cada vez mais cansado desse modelo de cinema que a Disney insiste em manter.
Os números comprovam o desgaste: A Pequena Sereia (2023), por exemplo, mal conseguiu se pagar, gerando lucros pífios para a companhia. Nesse cenário, uma nova série ao estilo de Once Upon a Time poderia ser a resposta para o dilema da Disney — a busca por reimaginar seus contos de fadas e clássicos para um público mais velho, sem perder a essência que conquistou gerações.
Diferente dos live actions, que se propõem a adaptar literalmente as animações, Vilões funcionaria como um universo paralelo: habitado pelos mesmos personagens, mas reconstruído sob novas perspectivas e com histórias reimaginadas.
Esse formato teria terreno fértil e um público interessado, especialmente em um momento em que não há nada similar sendo produzido.

Um novo conto de fadas para o público moderno
A estrutura, no entanto, precisaria ser adaptada. Enquanto Serena Valentino dedica um livro a cada vilão, muitos dos eventos ocorrem simultaneamente, e as histórias se desenrolam ao longo de anos.
Uma abordagem ao menos semi-cronológica permitiria explorar as tramas de vários personagens ao mesmo tempo, tornando a narrativa mais compreensível e envolvente — sem abrir mão das surpresas que o público espera encontrar pelo caminho.
Mesmo com ajustes, os livros de Valentino oferecem um enorme potencial. Eles já estabelecem uma base sólida para algumas temporadas e, como a autora não dá sinais de encerrar a saga tão cedo, o universo poderia continuar crescendo por bastante tempo.
Vilões certamente tem potencial para se tornar um sucesso televisivo, caso a Disney decidisse seguir por esse caminho. A série preencheria o espaço deixado por Once Upon a Time e responderia à crescente demanda por narrativas que revisitam contos de fadas de forma criativa.
Com personagens cativantes e um universo cheio de reviravoltas, a obra de Valentino poderia servir como alicerce para uma adaptação envolvente — capaz de revitalizar o interesse do público pelos projetos em live action da Disney.
Em tempos de críticas e desgastes, apostar na complexidade de vilões e protagonistas talvez seja justamente o que o público espera.

