[QUADRINHOS] O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos: A necessidade de relembrar o passado

[QUADRINHOS] O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos: A necessidade de relembrar o passado

Talvez o mais famoso relato da 2ª Guerra Mundial, uma das páginas mais sangrentas e desumanas da história da humanidade, foi adaptado para os quadrinhos nesta releitura brasileira da obra “O anexo: notas do diário de 12 de junho de 1942 a 1º de agosto de 1944”. O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos, da autora mineira Mirella Spinelli, foi lançado no início do ano pela Editora Nemo.

É sempre um desafio arriscar uma releitura de clássicos literários e, nesse caso, históricos, tal qual a autobiografia da menina judia de 13 anos de idade, Anne Frank, vítima da perseguição nazista que atingiu grande parte da Europa entre 1930-1945*. Nessa adaptação, porém, a opção por quadrinhos leva essa história a um novo público, em uma nova era de extremismos e, também, nos cativa com ilustrações tão delicadas quanto a história em si.

O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

Aqui, não vemos os gráficos violentos, típicos de imagens da 2ª Guerra Mundial, mas o relato pessoal de uma pré-adolescente obrigada a viver escondida por sua religião e “raça”, fazendo, ela mesma, uma analogia em que compara a si, e aos outros escondidos, com ratos, obrigada a se esconder em frestas e a não fazer um barulho sequer. O medo constante expressado por Anne nos dias em que fica no “Anexo Secreto” é palpável e ainda mais perceptível através dos quadros ilustrados do livro.

O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

É impossível não comparar esse sentimento de Anne Frank com aquele sentido pelos diversos grupos minoritários perseguidos – mesmo que não com a mesma intensidade vista durante a 2ª Guerra Mundial – hoje em dia. Embora a maioria, talvez, não esteja vivendo em esconderijos como ratos, ainda possuem o mesmo sentimento de medo retratado no quadrinho, estando constantemente com a sensação de morte e perigo latentes e ao bater de uma porta.

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O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

Ler O Diário de Anne Frank em quadrinhos nos passa, talvez mais ainda que medo, uma sensação de frustração absoluta, em que nos vemos no lugar de Anne, e dos demais habitantes do “Anexo Secreto”, sendo privados da sequer possibilidade de ir ao mundo externo, de viver como um ser humano normal, e não de apenas sobreviver, tal qual um fugitivo.

O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

A quantidade de sensações, sentimentos e sacrifícios que atinge não apenas aos adultos, mas também as crianças, em especial a narradora, é imensurável e extremamente triste, tanto que, começa a afetar a saúde mental dos habitantes do anexo, atingindo até a sempre alegre Anne Frank. Em meio ao que se passa, a infelicidade da narradora vai sendo percebida, sendo colorida por retratos não apenas de frustração, mas de culpa e impotência por aqueles presentes – ou que Anne Frank imagina estarem presentes – nos campos de concentração, como sua grande amiga Hanneli.

Infelicidade, culpa e impotência que se dividem com o amadurecimento precoce imposto a Anne Frank diante da situação, algo que se reflete, entre outros momentos, em “(…) de que somos judeus acorrentados, de que não temos direitos, mas, sim, milhares de deveres. ”. Tal sentimento, porém, parece se dispersar próximo do fim, quando, curiosamente, o clímax da história se aproxima.

O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

Mesmo já conhecendo o relato, ao longo das 95 páginas do quadrinho, criamos a esperança de sobrevivência da comunidade do “Anexo Secreto”. Vemos, acima de tudo, suas respectivas humanidades em contraponto com a desumanidade nazista, traço que se intensifica com as imagens que ilustram os dias passados no anexo, as lembranças e a imaginação de Anne Frank.

Não há nenhuma novidade na versão de Mirella Spinelli do relato de Anne Frank, porém, acreditamos nem haver necessidade disso, tão universal e necessária é esta história até hoje.

O notável fica a cargo das ilustrações apresentadas, que conseguem combinar lindamente com o retratado no diário, de forma a tornar a leitura deste, em forma de quadrinho, tão fácil quanto natural.

O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

O Diário de Anne Frank em quadrinhos não é algo inovador, nem particularmente novo, sendo uma releitura bastante fiel ao relato original e mesmo ao livro já publicado. Diante da importância da história de Anne Frank, entretanto, é essencial que sua história chegue à maior quantidade possível de pessoas, de qualquer forma existente, e cremos ser esta a proposta da adaptação para quadrinho de Mirella Spinelli.

O Diário de Anne Frank Em Quadrinhos

Assim, seja em formas clássicas de literatura, como livros, como em formas mais contemporâneas, como quadrinhos, o relato de Anne deve atingir a todos e, desta forma, ela terá, pelo menos, conseguido realizar um de seus desejos: o de permanecer viva mesmo após a sua morte.

Sobre a autora:

Mirella Spinelli é mineira de São João del-Rei, cidade onde cresceu dividindo seu tempo entre as brincadeiras com as crianças da rua em que morava e a emocionante descoberta dos clássicos da literatura. Com o tempo, essa experiência se transformou em um grande interesse pelas artes plásticas e pela ilustração. Formou-se em Desenho pela Escola de Belas Artes da UFMG e deu continuidade à sua constante curiosidade por meio de muita leitura e da busca de todas as fontes de informação que surgissem. Fez pós-graduação em Arte Contemporânea na PUC Minas e em História da Cultura e da Arte na UFMG. Além de ser ilustradora e artista plástica, escreve livros de arte e foi professora de ensino superior de Desenho e de Teoria da Cor. Publicou em 2014, pela editora Nemo, o quadrinho Leonardo da Vinci, da série Mestres da Arte em Quadrinhos.


Anne Frank

O Diário de Anne Frank em quadrinhos

Autora: Mirella Spinelli

Editora Nemo

Onde comprar: Amazon

Esta obra foi cedida pela editora para resenha.

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