Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes: 100 mulheres que todos deveriam conhecer

Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes: 100 mulheres que todos deveriam conhecer

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“Era uma vez…”. Assim começa a maior parte das histórias contadas para as meninas antes de dormir. E quase todas terminam em um felizes para sempre. E quase todas inserem em seu conteúdo a figura de um príncipe que rouba a cena. Mas e se houvesse um livro que contasse não somente às jovens meninas, mas às crianças de modo geral, que as histórias podem ser diferentes? O que seria do mundo se desde cedo as crianças aprendessem que existem personagens femininas fortes, que marcaram a história da humanidade sem a ajuda de um príncipe ou o estereótipo da princesa e que, principalmente, foram ou são reais? É o que nos mostra Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes.

Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes, publicado no Brasil pela V&R, é resultado de um projeto idealizado por Elena Favilli e Francesca Cavallo, que juntas fundaram o Timbutko Labs, um laboratório de inovação em mídias infantis. A ideia das fundadoras é levar novas ferramentas de mídia para as crianças de forma a unir design, tecnologia e reflexão.

E por meio do teor reflexivo, o livro, que contou com financiamento coletivo – o maior valor arrecadado na história do financiamento coletivo -, não se limita ao universo infantil. Ainda que a linguagem seja mais simples em razão do público-alvo, é um livro para leitores de qualquer idade. Folhear uma obra com este conteúdo é emocionante, sobretudo para aqueles que cresceram sem conhecer figuras femininas como referência e que ainda vivem em mundo dominado pela cultura de ocultamento da mulher.

Como as autoras escrevem no prefácio, no tocante à confiança que os apoiadores depositaram nelas:

“Essa confiança não é algo que as mulheres têm chance de experimentar com frequência. Como poderíamos? A maioria das mulheres retratadas neste livro nunca experimentou esse tipo de convicção. Independentemente da importância das suas descobertas, da audácia das suas aventuras e da extensão da sua genialidade, elas foram constantemente menosprezadas, esquecidas, e, em alguns casos, quase excluídas da história.”

 

Através de 100 histórias curtas, elas revelam o poder da resistência – rebeldia – em uma sociedade machista. Em ordem alfabética, cada página conta a história de uma mulher significativa, seguida sempre por uma linda ilustração feita por outra mulher e uma citação. Assim, há figuras conhecidas da literatura como Jane Austen, Virginia Woolf, as irmãs Brontë e a brasileira Cora Coralina.

Há figuras conhecidas da história como a rainha Elizabeth I e Catarina, a Grande. Há ativistas como Rosa Parks. Há cientistas, matemáticas, biólogas, atletas, guerreiras, etc. Há mulheres brancas, negras e orientais. Mulheres trans e mulheres cis. Mulheres de séculos atrás e mulheres desta geração. Mulheres que poderiam ser qualquer mulher se mais vozes femininas fossem ouvidas.

Ao final de Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes, resta uma sensação mista. Unido à emoção de ler sobre mulheres fantásticas está o sentimento de não saber quantas mulheres incríveis ainda se escondem sob uma história registrada pelos homens. É difícil fazer parte da memória coletiva quando tão pequeno é o incentivo e tão grande é a barreira imposta.

A capacidade de realizar e de se fazer ser reconhecido não é limitada pelo gênero, mas pelo lado para o qual as pessoas são ensinadas a dirigir seu olhar. E esse livro desmistifica todos os argumentos de que mulheres não são citadas porque não praticaram atos tão importantes quanto os dos homens. Elas praticaram, mas foram omitidas.

A proposta de Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes é instaurar a rebeldia no sentido de promover a libertação. É uma obra encantadora sobre como as mulheres reais, aquelas em quem as pessoas podem se inspirar, foram apagadas da história, enquanto os heróis masculinos se promoviam. Mulheres sempre enfrentaram dificuldades, mas essas dificuldades nunca foram justificativas para não lutar. E aí está a mensagem mais importante do livro.

Nada será fácil. Não aparecerá uma fada madrinha que instaurará a igualdade. O mundo não dirá magicamente que você pode ser quem você quiser por ser mulher. A sociedade colocará barreiras na sua luta por ser mais do que um objeto, mais do que uma princesa a ser salva por um herói masculino.

Porém, assim como as mulheres desse livro, você poderá se rebelar. Você poderá lutar para ser quem você quiser ser. Você poderá voar como Amelia Earhart, ser juíza da suprema corte como Ruth Bader Ginsburg ou uma guerreira como Lozen. E você poderá ler essas histórias, dormir, sonhar que você pode ser bem mais do que o designam a você pelo seu gênero, acordar e fazer esses sonhos se tornarem reais.

“Para as garotas rebeldes de todo o mundo:

Sonhe grande

Mire distante

Lute com bravura

E, na dúvida, lembre-se:

Você está certa.”

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Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes

Por Elena Favilli e Francesca Cavallo

Editora: Vergara & Riba

220 páginas; capa dura

Onde comprar: AMAZON


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Autora

135 Posts

Mestra em Teoria e História do Direito e redatora de conteúdo jurídico. Escritora de gaveta. Feminista. Sarcástica por natureza. Crítica por educação. Amante de livros, filmes, séries e tudo o que possa ser convertido em uma grande análise e reflexão.
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