[QUADRINHOS] Piteco – Ingá: Thuga e o protagonismo feminino

[QUADRINHOS] Piteco – Ingá: Thuga e o protagonismo feminino

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É correto dizer que o quadrinho se trata de uma aventura vivida por Piteco, mas mais correto seria dizer que quem a vivencia em si é Thuga. Terceiro quadrinho da Graphic MSP, Piteco: Ingá (2013) se destaca pela construção do roteiro e pelas aquarelas que ilustram a edição, ambas creditadas ao artista Shiko. Porém, um ponto que deve ser analisado é a ressignificação que Thuga ganhou pelas mãos do autor.

Para quem está familiarizado com os personagens idealizados por Mauricio de Sousa, é perceptível que logo no início Shiko é certeiro na releitura das personagens. A trama traz Thuga como a feiticeira mensageira do povo de Lem, totalmente o oposto da mulher que nos quadrinhos regulares é conhecida por inventar mil planos para tentar casar-se com Piteco.

No decorrer, Thuga acaba sendo levada como refém da tribo dos Homens-Tigre, e é então que novamente somos surpreendidas pelo autor. “Ingá” pode ser considerado um dos volumes mais criativos do selo MSP, pois além do arco principal, temos o desenvolvimento de um background sobre o povo de Lem, de Ur e dos Homens-Tigre, todos apresentando características culturais e territoriais diferenciadas – é recomendado à leitora que dedique um pouco de sua atenção para a quantidade de detalhes presentes no conjunto visual da obra: é de tirar o fôlego.

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Embora possa passar uma ideia de “herói que salva a mocinha”, a realidade é que a graphic nos mostra que sem trabalho em conjunto, nada poderia ter sido realizado. Um dos exemplos disso é que se não fosse por Ogra e Beléleu – personagens que soam quase que satirizados nos quadrinhos – Piteco não teria conseguido sobreviver nem ao começo de sua busca por Thuga, já que é caçador e não guerreiro como Ogra (!), e muito menos inventor como Beleléu.

Outro ponto interessante é que Shiko faz com que muito do Brasil esteja presente em sua obra. A Pedra do Ingá, que dá título à obra, existe e é paraibana como o artista, contando com inscrições rupestres que nunca foram traduzidas. Lendas indígenas estão presentes na criação de seres como Arapó-Paco (Curipira), M-Buantan (Boitatá) e o Anhanguera, pterossauro encontrado no Brasil e na Europa.

Piteco

Concluindo, a graphic se classifica como uma das melhores obras da Graphic MSP, tanto pela qualidade artística quanto pela importância que dá a personagens que acabam limitados na turma da pré-história. A ideia de transformar Thuga em uma mulher respeitada por seu povo e crucial para sua sobrevivência foi formidável – mesmo o romance entre os personagens é retratado de forma madura.

Com aquarelas que remetem aos quadrinhos europeus, ideais de igualdade na dose certa e tom adulto, Piteco: Ingá é ótima pedida para quem gostaria de ver uma versão alternativa dos personagens já queridos pelos fãs da Turma da Mônica.

Sinopse: O povo de Lem se vê obrigado a migrar porque o rio próximo à aldeia secou. Mas o valente caçador Piteco decide não ir, pois precisa resgatar Thuga, que foi raptada pela tribo dos homens-tigre. Nesta releitura inusitada e repleta de ação, o paraibano Shiko (pseudônimo do artista plástico e quadrinista Francisco José de Souto Leite) acerta em cheio ao misturar a sua origem nordestina à essência do homem das cavernas criado por Mauricio de Sousa.


PitecoPiteco: Ingá

Shiko

Graphic MSP

84 páginas

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Autora

Estudante de Produção Cultural, social media na Cérebro Surdo Produções e colunista no portal Timbre. Também proprietária das melhores fotografias em cafés.
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