Resident Evil: a força das mulheres em um apocalipse zumbi

Resident Evil: a força das mulheres em um apocalipse zumbi

Criada por Shinji Mikami e produzida pela Capcom, Resident Evil é uma franquia de survival horror, lançada em 1996. Jogado em terceira pessoa na maioria de seus títulos, hoje também ocupa espaço no gênero ação e já vendeu mais de 80 milhões de cópias. E Resident Evil não faz sucesso apenas nos consoles: histórias em quadrinhos, mangás, filmes, livros e guias de estratégias compõem um universo complexo, com uma história principal consistente e diversas narrativas paralelas complementares. Para as mulheres gamers, apesar de um ou outro detalhe, é um deleite poder jogar com personagens femininas fortes, independentes e que não perdem em nada pra homem nenhum. E agora você confere uma análise das mulheres de Resident Evil nos jogos da série principal.

Jill Valentine e Rebecca Chambers

A história de Resident Evil começa com uma série de assassinatos envolvendo canibalismo em Arklay Mountain, nos arredores de Raccoon City, em 1998. A equipe Bravo, do esquadrão de elite S.T.A.R.S., é enviada para investigar mas desaparece misteriosamente, e então a equipe Alpha parte em seu resgate. Também atacada por criaturas desconhecidas, seus sobreviventes fogem até chegar a uma mansão, onde começam a desvendar os segredos da Umbrella Corporation, responsável por experimentos com um vírus geneticamente modificado.

Resident Evil

Neste primeiro Resident Evil é possível jogar com Jill Valentine, acompanhada por Barry Burton, ou com Chris Redfield e sua parceira Rebecca Chambers. Jill atira e se esquiva dos zumbis assim como Chris. Ela tem facilidade para arrombar portas porque utiliza uma lockpick, mas é um pouco mais frágil e precisa ser salva inúmeras vezes, até então o maior problema da série: na primeira cena são cães infectados; na mansão é salva de zumbis, de uma armadilha mortal, de um monstro com tentáculos… Parece que Jill está muito abalada com a situação, o que é compreensível, mas Chris não demonstra tanto pavor ou aparece em situações de perigo, nas quais a ajuda de sua parceira seja fundamental. Aliás, parece que Rebecca está ali só para curá-lo mesmo.

Resident Evil

Se a primeira participação de Rebecca foi mais passiva do que deveria, em Resident Evil Zero (2002) houve uma leve melhora: muito inteligente, especialista em química e com formação médica, Rebecca divide o protagonismo com Billy Coen, em uma aventura que culminará nos acontecimentos do primeiro jogo. Ela também é mais frágil que Billy, muito forte e resistente à dano, mas as habilidades de ambos são necessárias para que a dupla sobreviva e avance. Jill, por outro lado, torna-se mais forte e consistente, acompanhando o amadurecimento da trama.

Em Resident Evil 3: Nemesis (1999), no qual é a única protagonista e personagem jogável, Jill está mais fria, sagaz e destemida, tentando sair de Raccoon City. Depois de ser infectada pelo T-vírus, Jill desvenda mais segredos sobre os experimentos da Umbrella, derrota o inimigo mais famoso da franquia, e termina sua campanha obstinada a expor os responsáveis pela infestação zumbi.

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Claire Redfield e Sherry Birkin

Resident Evil 2, lançado em 1998 e aclamado pela crítica, também conta com dois protagonistas, Leon Scott Kennedy e Claire Redfield. E jogar com a Claire é ótimo! Ela é muito corajosa, durona e se vira bem sozinha, apesar da pouca idade e inexperiência. Dois meses após os eventos do primeiro jogo, Claire está em busca de seu irmão Chris Redfield, quando conhece Leon e a pequena Sherry Birkin, filha de cientistas da Umbrella. Eles salvam Sherry de experimentos realizados por seus pais, enquanto buscam provas contra a organização e tentam escapar da infestada Raccoon City.

Sherry volta em Resident Evil 6 (2012), co-protagonizando uma campanha: seu corpo desenvolveu uma espécie de imunidade e regeneração extraordinária após a infecção pelo G-vírus quando criança, e agora adulta e agente especial do governo, Sherry passa a lutar contra os experimentos e a venda de armas biológicas.

Resident Evil

Claire também volta em mais um título da série, Resident Evil CODE: Veronica (2001), no qual se envolve em uma trama que desvenda os mistérios de um vírus geneticamente modificado e ainda mais poderoso, o T-Veronica, enquanto procura por Chris. Claire está mais carismática e é a protagonista na primeira parte do jogo, até ser encontrada por seu irmão. Apesar de ser capturada duas vezes, mostra sua coragem e esperteza ao fugir de uma ilha infestada por zumbis. Tanto Sherry como Claire são muito queridas pelos fãs de Resident Evil, e é interessante ver que elas poderiam só se afastar dessa loucura, mas resolveram tornar o mundo um lugar melhor: Sherry como agente do governo e Claire como ativista contra o bioterrorismo pela ONG TerraSave.

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Ada Wong

Ainda em Resident Evil 2, a jogadora é apresentada à Ada Wong, a personagem mais enigmática de toda a série. Ela aparece procurando seu namorado no cenário de Leon, mas ao longo do jogo descobre-se que, na verdade, Ada é uma espiã trabalhando para uma organização rival à Umbrella. Ela também volta em Resident Evil 4 (2005), desta vez atrás de uma amostra do vírus Las Plagas, e mais uma vez ajuda Leon, que estava em missão para resgatar Ashley Graham. Em Resident Evil 6, Ada salva os protagonistas em alguns momentos, mas deixa mais perguntas que respostas e foge logo em seguida.

Ada é a femme fatale do jogo, mas é muito interessante ver que a sensualidade faz parte da construção da personagem. Assim como Sherry é inocente e frágil, por ser criança e vítima das circunstâncias, Ada é fria, irônica e tem aquela aura de mistério típica de personagens sedutores. Mas trazendo muito mais que sedução, as aparições de Ada ajudam a construir a narrativa e o suspense do jogo, pois nunca se sabe o que esperar quando ela surge. Ada tem suas próprias ambições, ela ajuda ou atrapalha de acordo com suas necessidades, e sai sem dar explicações quando menos se espera. De longe uma das personagens mais interessantes, apesar de protagonizar somente uma campanha e apenas no Resident Evil 6.

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Sheva Alomar

Resident Evil 5, lançado em 2009, ficou mais conhecido por colocar o jogo definitivamente dentro do gênero ação e disponibilizar o modo cooperativo. Chris Redfield está de volta, agora enviado à África, e com Sheva Alomar tenta evitar a venda de uma arma biológica. Jill também retorna, mas sob controle dos bandidos graças a um dispositivo implantado em seu peito.

É uma boa história por contar o que aconteceu com Jill – considerada morta depois de um embate com Wesker, o maior vilão da franquia – e por mostrar a luta contra o bioterrorismo pelo mundo, mas Sheva poderia ser melhor aproveitada. Seus pais morreram devido aos experimentos da Umbrella, e ainda criança ela se une aos guerrilheiros de seu país. Sheva cresce, começa a questionar se o caminho da guerrilha é correto, e mais tarde é convidada a participar da BSAA – organização para a qual Chris trabalha atualmente. Apesar da história, da personalidade forte e de ótimas habilidades de combate, a impressão é que Sheva está ali apenas para ocupar a vaga de parceira que sobrou. Aliás, no modo cooperativo ela é a opção para a segunda jogadora e só é liberada como personagem principal após zerar o jogo com Chris.

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Helena Harper

Lançado em 2012, Resident Evil 6 também possui modo cooperativo e 4 campanhas, com histórias que formam um dos enredos mais misteriosos da franquia: é possível jogar com Jake, o filho do vilão Wesker; um Chris traumatizado com os acontecimentos dos últimos anos; Ada destruindo um laboratório onde clones eram produzidos; e Leon envolvido em uma trama com o presidente dos Estados Unidos, infectado pelo C-vírus. Helena Harper participa do cenário de Leon – o principal protagonista – e é uma agente da CIA com personalidade explosiva.

No início, Helena parece bastante emotiva, demonstrando muita instabilidade na primeira vez que precisa matar um zumbi, e frieza ao se recusar a ajudar outras pessoas pelo caminho. Mas depois quando se entende o motivo, Helena parece até bem racional. Em questão de jogabilidade ela é apenas um apoio de Leon, mas para muitos é a verdadeira protagonista, por desencadear fatos essenciais para a narrativa.

Resident Evil

No geral, é ótimo ver como todos(a) os(a) personagens evoluem com os acontecimentos. Desde o terror e a confusão ao descobrir a ameaça zumbi, até a incredulidade e busca por justiça ao perceber que existe uma conspiração a nível mundial, envolvendo experimentos com vírus e humanos. Os homens de Resident Evil parecem mais preparados em um primeiro momento, mas a frieza crescente ao longo da série para lidar com a infestação zumbi é evidente em todos, homens ou mulheres. Pensando no protagonismo feminino, um survival horror com tantas personagens femininas fortes é um ganho enorme para os gamers, principalmente para as mulheres, no quesito representatividade.

É claro que elas poderiam ser mais diversas fisicamente: com exceção de Sheva e Ada, respectivamente de origem africana e asiática, elas são magras, de cabelos castanhos ou loiros, com corpos bonitos e curvas bem definidas. Mas a construção de cada uma compensa essa falha, pois elas são independentes, corajosas, inteligentes, carismáticas e estão inseridas no enredo de acordo com sua função ou especialidade, e não pela aparência. E claro, a possibilidade de jogar com mais de um personagem e de quase sempre ter uma mulher como opção, já vale o investimento! A imersão ao jogar a mesma história com pontos de vista diferentes, sabendo que um não é melhor que o outro, significa muito. As personagens de Resident Evil mostram exatamente isso, que os atributos de cada um não deveriam ser uma questão de “ser homem ou mulher”, mas sim sobre sua personalidade ou capacidade de realizar algo.

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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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