[GAMES] Overwatch e a diversidade de mulheres nos games

[GAMES] Overwatch e a diversidade de mulheres nos games

Overwatch é um shooter multiplayer em primeira pessoa, lançado em 2016 e desenvolvido pela Blizzard Entertainment. Com um cenário competitivo em expansão, a criação da Overwatch League, primeira liga profissional do jogo, financiada pela própria desenvolvedora, com eventos sazonais e lançamentos frequentes de personagens, mapas e modos de jogo, Overwatch também já coleciona muitos prêmios: ganhou em quatro categorias, das 6 indicações pelo The Game Awards 2016, inclusive o Game of the Year. E a comunidade de jogadores ganha também fora do jogo: são curtas de animação, histórias em quadrinhos e informações constantes que complementam a história de Overwatch. Mas para as mulheres gamers, o grande destaque é, sem sombra de dúvidas, a diversidade de suas personagens femininas.

Com 26 heróis jogáveis atualmente, Overwatch possui 12 heroínas para você jogar em todas as funções disponíveis (e não apenas como suporte). Com personalidade, origem, história de vida e representação física únicas, as heroínas do jogo conseguem fugir dos clássicos “princesa indefesa” ou “salvadora sedutora da pátria”. A partir daqui você fica com um pouquinho de cada personagem para se identificar, amar e dar uns tiros no universo de Overwatch.

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Meninas não vivem só de curar os outros

Se já está acostumada a jogar como suporte de uma forma mais tradicional, pode escolher a Mercy sem pensar duas vezes. Angela Ziegler é uma médica socorrista, cientista e defensora da paz, e em campo de batalha tem a função de curar e reviver seus aliados.

Mas se você prefere arriscar uma jogabilidade diferente existe também a Symmetra, uma arquiteta indiana que utiliza uma tecnologia chamada luz sólida para dobrar a realidade a sua volta, atuando estrategicamente na defesa ao criar portais, barreiras e sentinelas.

Agora, se você é ainda mais ousada, pode tentar jogar com a franco-atiradora de elite Ana Amari: a egípcia é uma das fundadoras da iniciativa Overwatch, além de caçadora de recompensas, a vovó do jogo, com seu rifle e granadas bióticas, cura os aliados e bota os inimigos pra dormir!

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E elas mostram que sabem o que é tancar

Se o seu lance é segurar dano, pode ficar tranquila, pois em Overwatch menina pode jogar de tanque! A D.Va é provavelmente o atual símbolo do Overwatch e dos e-sports, representando todas as meninas que um dia sonharam em viver de jogar videogame.

Hana Song tem apenas 19 anos, é sul-coreana, ex-jogadora profissional de StarCraft e pilota um mecha para proteger seus aliados (quem nunca quis pilotar um megazord, não é mesmo?). Mas se você prefere proteger a equipe no combate corpo a corpo, vai de Zarya.

Hoje, Aleksandra Zaryanova faz parte das Forças Defensivas Russas, mas antigamente era uma atleta e fisioculturista famosa no mundo todo. No campo de batalha em Overwatch, Zarya carrega um canhão de partículas e com ele cria barreiras para proteger a si mesma e também seus aliados.

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Estrategicamente na defensiva

Na linha de defesa temos a pequena chinesa Mei, uma aventureira, ambientalista e climatologista que hibernou durante 9 anos em um observatório na Antártica, depois de um desastre que soterrou as instalações. Ela foi a única sobrevivente e quando acordou, criou uma arma de manipulação climática e salvou a própria vida.

Em campo, ela cria paredes de gelo, congela a si mesma para recuperar vida, e aos inimigos, para deixá-los lentos e incapacitados. Mas como foi dito no começo, se prefere papéis mais tradicionais, Overwatch tem a Widowmaker.

Amélie Lacroix é uma ex-bailarina, que após ser sequestrada e transformada em uma assassina fria, matou o próprio marido, um agente da iniciativa Overwatch. Hoje a femme fatale é uma franco-atiradora de elite, que em campo de batalha fica em pontos estratégicos, fora da vista do inimigo, e usa um rifle de precisão, armadilhas venenosas e visão infravermelho para não perder nem um tiro sequer.

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Na ofensiva elas também fazem bonito

Pharah também é egípcia, filha da Ana Amari, e depois de fazer parte do exército egípcio, passou a atuar como chefe de segurança na Helix Segurança Internacional. Voando com sua armadura de combate, Pharah atira foguetes lá do alto e aniquila seus inimigos.

A Sombra é uma personagem muito carismática, apesar de fazer parte do time dos malvados: ela é uma hacker mexicana, com habilidades furtivas e que pode hackear todos os objetos do mapa e quem estiver nele também. Além disso, sua história é muito legal: a Sombra foi uma órfã da Crise Ômnica e usou suas habilidades na computação para sobreviver, até crescer e fazer parte da gangue mexicana Los Muertos, lutando contra o governo, em busca de condições melhores para os habitantes de seu país. Mais tarde entrou para a Talon, organização inimiga da iniciativa Overwatch.

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Representatividade importa, sim!

Por fim, mas não menos importante, temos três personagens necessárias para questionar o papel das mulheres e meninas em games.

A Tracer, que foi a cara e o carro-chefe de Overwatch desde o primeiro anúncio do jogo, é uma aventureira inglesa, extremamente despojada e brincalhona, que tem o poder de avançar e voltar no tempo, se teleportando no espaço. Mais tarde, foi anunciado em uma história em quadrinhos que ela tem uma namorada, o que gerou muita polêmica, mas a desenvolvedora não voltou atrás em momento algum. E o cuidado com a integridade dos personagens é bem anterior a isso.

Em um episódio que envolveu poses de vitória dentro do jogo, os fãs reclamaram que a pose da Tracer estava sexualizada e isso não condizia com sua personalidade, que tem mais a ver com uma criança hiperativa (a Tracer conquistou a comunidade por ser campeã em fazer pegadinhas com seus aliados, e até com os inimigos). A Blizzard prontamente pediu desculpas, admitiu que retratar a Tracer de uma forma mais sensual não fazia sentido e corrigiu a arte final.

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Overwatch também mostra que sim, meninas podem ser o que quiser! A personagem jogável Orisa, uma robô guardiã, foi criada por Efi Oladele, uma menina negra de apenas 11 anos e que é um gênio da robótica, com uma carreira curta, mas muito premiada. Ela criou Orisa a partir de peças de robôs desativados, com a intenção de proteger a sua cidade natal, abandonada após a Crise Ômnica.

Infelizmente não dá para jogar com a Efi, mas só de mostrar que com o incentivo certo as meninas podem ser especialistas em qualquer coisa que quiserem, os desenvolvedores do jogo já acertaram. Em 2017 foi lançada a personagem Moira, uma geneticista obstinada, sem limites, quase a típica cientista louca, também do time dos bandidos. Mas a principal controvérsia refere-se a sua aparência e a sua identidade de gênero: Moira possui traços andróginos, e na ocasião de seu lançamento muitos não souberam dizer se era uma mulher ou um homem.

Apesar de sua história envolvente, no fórum oficial, a pergunta que reinava era “a Moira é trans???”. A Blizzard ainda não confirmou essa informação, mas seria muito legal, de verdade, pois a personagem foi muito bem recebida pela comunidade.

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Como podem ver, Overwatch é um jogo complexo, amplo e com muita história pra contar. Além de ter personagens com origens de todos os cantos do planeta e profissões que fogem dos estereótipos femininos, a aparência de cada heroína condiz com a sua personalidade.

A Zarya é toda musculosa, por ser atleta e fisioculturista; a Mei é uma cientista baixinha e até mais gordinha; a D.Va parece mais uma adolescente viciada em games e junk food; e a Ana, apesar de estar em ótima forma, já tem os cabelos brancos que refletem seus 60 anos. Até mesmo a Widowmaker, ainda que haja controvérsias, não é apenas fan service e ela como um todo segue uma lógica: ela era uma bailarina francesa, portanto magra, alta e esguia. Depois de matar o próprio marido, deixa de sentir emoções, se torna uma assassina calculista, encarna a viúva-negra e passa a trabalhar em definitivo para os bandidos.

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Além de ter opção pra todo mundo, seja na jogabilidade, na aparência ou até mesmo na história das personagens, Overwatch tem uma heroína pra cada menina e mulher gamer se identificar, todas com narrativas coerentes. E nesse ponto, Overwatch acertou em cheio, porque se tem uma coisa que torna este jogo tão legal para as jogadoras é isso, a diversidade de mulheres!

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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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