Celeste: uma jornada para conhecer e superar a si mesma

Celeste: uma jornada para conhecer e superar a si mesma

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Já adiantamos: Celeste é lindo! Com delicadeza e sensibilidade certeiras, o game de plataforma lançado em janeiro de 2018, pela desenvolvedora canadense Matt Makes Games (do jogo TowerFall), fala sobre saúde mental e depressão, mas principalmente sobre superação e olhar para si com um pouco mais de carinho.

Celeste é também repleto de metáforas sobre a vida: simples e bonita à primeira vista, mas às vezes muito difícil, extremamente frustrante e cheia de obstáculos que precisam ser superados, para que se consiga avançar e chegar a algum lugar. Além da narrativa incrível, Celeste é protagonizado por uma personagem feminina, a fofíssima, impetuosa e super cativante Madeline. E se você quer mais um motivo para conhecer Celeste, saiba que as artes do jogo são assinadas pelos brasileiros Amora Bettany e Pedro Medeiros, do estúdio MiniBoss!

Celeste

Simples, mas não tão simples…

A princípio Celeste é apenas a montanha mágica que dá nome ao jogo, mas não se engane, ela é fundamental para a história de Madeline, que parte em uma aventura com o objetivo de chegar ao seu topo. No início, ninguém sabe o porquê, aparentemente nem a protagonista, mas isso é o de menos.

À medida que a jogadora vai conhecendo Madeline, torna-se impossível não torcer por ela e fazer o necessário para vencer a escalada. E para isso é preciso muita destreza, atenção e às vezes paciência, pois apesar das mecânicas simples (agarrar/escalar, pular e realizar um dash), errar o timing ou a direção pode te levar de volta ao início de cada tela.

Mesmo na jogabilidade, reside a primeira alegoria sobre a vida: superar os obstáculos – independente de quais sejam – até alcançar aquilo que deseja. Às vezes você erra e dá com a cara em paredes espinhosas, “morre” mas levanta, volta pro início e então tenta de novo. Recomeça de outras formas, talvez inúmeras vezes, apesar da vontade de desistir… E Celeste também ensina que está tudo bem ficar cansada. Em alguns momentos Madeline precisa fazer uma pausa para recuperar o fôlego e rever a melhor trajetória antes de continuar, e às vezes essa é a melhor solução!

Celeste

Saúde mental é importante, sim!

Ao longo da escalada a jogadora descobre mais sobre a depressão, a ansiedade e os ataques de pânico que impedem Madeline de ter uma vida “normal”, e que seu desejo de aventurar-se na montanha Celeste é uma tentativa de superar tudo que a impede de seguir adiante. Ainda que esse tudo seja ela mesma, ou melhor, outra versão de si… E então temos mais uma metáfora sobre ela, a vida: às vezes é preciso abraçar aquela parte ruim que vive dentro da gente para entender os motivos que nos levam à autossabotagem, e enfim poder superar e seguir em frente. Apesar de tão fofa quanto a original, a versão ~gótica suave~ de Madeline tenta impedi-la de seguir escalando durante boa parte do jogo, mas quando Madeline aceita e tenta compreender seu outro eu é que as coisas começam a ficar mais fáceis.

Madeline fala sobre seus problemas e inquietações de uma forma muito honesta. Quem já teve que lidar, em algum momento da vida, com problemas relacionados à saúde mental vai se identificar com a trajetória de Madeline. É transformador perceber que independente do gatilho, muito de nossos transtornos são alimentados por nós e pela cobrança em ser uma pessoa “boa o suficiente” para alguém ou para fazer algo. Resumindo, para ser “aceita”.

Enxergar que a sensação ao falhar miseravelmente – porque a gente falha mesmo nisso – contribui muito para que nossos monstros continuem nos assombrando, também transforma. Se Madeline expõe a vulnerabilidade a que estamos sujeitas, também ensina que a ajuda para lidar com isso é fundamental! MESMO! Por mais que seja um monstro só seu, por mais forte que você seja, depressão e outros transtornos psicológicos são monstros reais e a gente precisa de ajuda especializada.

Celeste

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Uma grande jornada não se faz sozinha

Celeste também conta com outros personagens que participam dessa luta interna de Madeline, seja representando a vida nos jogando pra baixo ou aqueles que vão deixar o caminho menos difícil. A vovó que insiste para que ela não suba a montanha, avisando sobre os poderes mágicos de Celeste, e o fantasma do Sr. Oshiro, que faz de tudo para que Madeline fique um pouco mais em seu ~maravilhoso~ hotel, lembram aquelas pessoas que insistem em ficar na zona de conforto – e que, de alguma forma, não querem que a gente saia dela também.

O fotógrafo Theo, por outro lado, com suas histórias e apoio (sem nunca julgar Madeline) oferece outros pontos de vista para a protagonista entender a si mesma e seus motivos para estar ali. E claro, a versão dark de Madeline é aquela parte de nós que às vezes não é muito legal para os outros ou para nós, mas que precisa sim ser superada e vencida.

Celeste

Madeline, portanto, é um show à parte. A fofura de sua arte, seus gráficos, a honestidade para falar daquilo que a atormenta, além de seus momentos de fragilidade, são equilibrados com doses certeiras de um humor ácido. As conversas e os momentos em que ela insiste que precisa sim chegar ao topo da montanha, emocionam e cativam. Muito bem construídos, cada um à sua maneira, eles ajudam a protagonista em sua jornada ao topo, e Madeline mesmo sem saber os ajuda também.

Celeste mostra de uma forma única que as pessoas podem te lembrar o quanto você é importante, te acolher e te ouvir sem julgar, mas que a cura está em você. Muitas vezes a gente vai precisar de companhia e ajuda especializada mais ainda, e está tudo bem nisso! O jogo traz uma importante lição que o primeiro passo precisa partir da gente.

Celeste

Aclamado pela crítica, pelo público, indicado e vencedor de prêmios… você quer @?

Além da narrativa incrível, das mensagens essenciais que nos fazem refletir, e da abordagem delicada sobre saúde mental, Celeste tem ótimas artes com gráficos pixelados em mais de 700 telas de plataforma! E se quer desafio, o jogo conta com as fitas Lado B que desbloqueiam capítulos mais ousados para as jovens alpinistas.

A música e os efeitos sonoros também são maravilhosos, proporcionando uma imersão muito grande para quem acha que jogos de plataforma são simples demais – tão maravilhosos que renderam uma indicação para “Excelência em áudio”, pelo Independent Games Festival Awards, no qual também ganhou o prêmio “Escolha do público”. Celeste também recebeu notas altas em vários veículos especializados, incluindo 10/10 no Destructoid, IGN e Nintendo World Report, e 9/10 pela Game Informer e GameSpot.

Celeste

A montanha Celeste, com todas as suas metáforas sobre a vida, é cheia de obstáculos visíveis e palpáveis (que você sabe de antemão que precisa superar), e outros tantos invisíveis, inesperados e frutos de nós mesmos (mas tão reais quanto os outros). O jogo surpreende a cada tela, a cada diálogo, com uma narrativa que diz mais sobre autoconhecimento e superação pessoal do que chegar a algum lugar ou ao topo, propriamente dito.

A protagonista é a Madeline, mas poderia ser qualquer uma de nós em algum momento da vida. Celeste é super aclamado, recomendado, emocionante e, cá entre nós, é um jogo lindo! <3


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No momento gamer casual. Em tempo (quase) integral Comunicadora, Relações Públicas e Pesquisadora. Pisciana e sonhadora, meio louca dos signos, meio louca dos gatos. Fã de tecnologia, games, e-sports e outras nerdices.
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