“Insecure” e as vivências das mulheres negras de trinta e poucos anos

“Insecure” e as vivências das mulheres negras de trinta e poucos anos

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Insecure é uma série da HBO que estreou, sem muito alarde, em 2016, mas que já entrou no hall das melhores produções da emissora. Criada e protagonizada pela comediante, produtora e roteirista Issa Rae, juntamente com Larry Wilmore, a série trata das questões de Issa Dee (Issa Rae) e Molly (Yvonne Orji), duas mulheres negras chegando na casa dos trinta anos e que continuam cheias de dilemas e inseguranças.

Issa trabalha em uma ONG, onde atua com crianças da periferia, mas pensa que poderia fazer outras coisas da vida. Enquanto Molly é uma advogada bonita e bem sucedida no trabalho, mas com uma série de problemas na sua vida pessoal.

Insecure

Insecure já está em sua terceira temporada e com uma quarta confirmada para 2019. A série é uma produção muito bem-vinda em um universo carente de histórias com mulheres negras, na casa dos trinta anos, que estão apenas vivendo a vida e lidando com os dramas do cotidiano de qualquer mulher dessa idade. Alguns exemplos são: como encarar a realidade de um longo relacionamento que não parece ter mais futuro ou tentar fazer uma mudança na carreira. Perceber que você ganha menos que os seus colegas homens ou ter dificuldades para pagar o aluguel daquele mês. Todas situações muito comuns, mas pouco retratadas quando se fala da comunidade negra, que sempre fica em segundo plano na trama.

A série também trata de temas caros à comunidade negra sem parecer panfletária, como a masculinidade negra, a sexualização do homem negro, o racismo, a diferença salarial, gentrificação, entre outros assuntos que são parte da vida de muitas pessoas, mas raramente retratados na tela.

O problema de séries como Insecure é que elas acabam caindo na categoria de série de “nicho”, voltada apenas para o público negro, o que limita o alcance de temas tão importantes. Enquanto séries como Sex and The City e Girls (embora tenham a mesma temática) são consideradas universais por terem protagonistas brancas, Insecure ainda encara essa barreira, mesmo sendo uma produção que deveria ser assistida por todos.

Insecure

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Entre as muitas qualidades da série, podemos destacar a trilha sonora maravilhosa, com consultoria da cantora Solange; os figurinos das personagens, que estão sempre no melhor estilo; as participações especiais (nomes como Sterling K. Brown e Regina Hall já deram as caras nos episódios). A produção tem o público negro em mente: dos roteiristas ao figurino e até a fotografia, tudo é pensado tendo o ponto de vista da comunidade negra em primeiro lugar. Mesmo a iluminação no rosto dos personagens é feita de modo que a pele negra fique bem no vídeo.

Não podemos deixar de falar do talento de Issa Rae, que ficou conhecida pela sua série no Youtube The Misadventures of Awkward Black Girl e conseguiu com Insecure mostrar o seu trabalho para o grande público em uma emissora importante, como é o caso da HBO. Além de se destacar atuando, ela escreve o roteiro que passa por temas que são parte de sua vivência, como a amizade feminina, que é lindamente retratada na relação entre sua personagem, Issa, e sua amiga Molly.

Insecure é uma série importante para todos da nossa geração que cresceram sem ter protagonistas negras com quem pudéssemos nos relacionar e nos identificar na cultura pop.


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Formada em artes visuais e apaixonada por arte, música, livros e HQs. Atualmente pesquisa sobre mulheres negras no rock. Seu site é o Sopa Alternativa.
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