Rocketman: grande repertório musical e artístico, diversidade e muita emoção!

Rocketman: grande repertório musical e artístico, diversidade e muita emoção!

Rocketman”, filme lançado pela Paramount Pictures e dirigido por Dexter Fletcher, estreia nos cinemas nesta quinta feira, dia 30 de maio, contando de forma grandiosa e empolgante a trajetória do músico e cantor Elton John (Taron Egerton)A história é marcada pelos principais momentos da vida pessoal e artística do músico até os dias de hoje. Contado em primeira pessoa, o filme se desenvolve a partir de uma sessão de terapia em grupo. Elton John atravessa um momento em que o uso abusivo de drogas, álcool e sexo chega a um ponto insustentável e ele acaba se internando para tratamento.

A partir dos encontros com o grupo terapêutico, Elton vai visitando cada fase de sua vida desde a infância, relatando suas dificuldades em crescer em uma família disfuncional e como se tornou um astro da música, de forma bem humorada e brilhantemente contagiante.

Rocketman
Elton John (Taron Egerton) em “Rocketman”(Imagem: divulgação/Paramount Pictures)

Relevância das memórias e o cuidado em suas narrativas

Desde a primeira cena até seu prólogo, o filme envolve a telespectadora com cenas coloridas de números musicais e dança, com a múltipla presença de bailarinas (os) de origens variadas e arranjos que trouxeram frescor e valorizaram ainda mais os maiores hits de Elton John. É impossível ficar indiferente a músicas como “The Bitch is Back”, executada pelos próprios atores, sendo que neste primeiro número musical o pequeno Regi (Kit Connor) divide a cena com Elton John adulto, numa espécie de confronto do músico com seus fantasmas do passado. A cada relato seu, uma cena musical ilustra um evento de sua vida, trazendo leveza e fantasia a fases difíceis e dolorosas que enfrentou.

Elton John, nascido como Reginald Dwight, nasceu em 1947 na região de Pinner, Londres. Autodidata, descobriu aos três anos de idade que sabia tocar piano apenas ouvindo uma canção. Filho de Sheila Eileen (Bryce Dallas Howard) e Stanley Dwight (Steven Mackintosh), Regi passou por vários problemas com sua família e a música sempre esteve presente em sua vida. 

Seu pai era um colecionador de discos de jazz, mas nunca permitia que o filho dividisse o gosto pela música com ele. O pai, antigo tenente da RAF, é retratado no filme como um homem frio e indiferente que tratava o filho com severidade e incapaz de demonstrar afeto. Sua mãe, por sua vez, apesar de apoiar os dotes naturais do filho como músico, despertar e incentivar seu interesse por moda e, de certa forma, demonstrar carinho por ele, é retratada (em muitos momentos do filme) como uma mulher egoísta e frívola que trata o filho muito mais como um irmão. Já a avó Ivy (a maravilhosa Gemma Jones) é amorosa e dedicada ao neto. Carinhosa e presente, ela o apoia e o incentiva a ingressar na Royal Academy of Music, aos 11 anos, após ter conseguido uma bolsa de estudos.

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Bryce Dallas Howard interpreta Sheila, Gemma Jones interpreta Ivy, Taron Egerton interpreta Elton John e Jamie Bell interpreta Bernie em “Rocketman” (Imagem: divulgação/Paramount Pictures)

Relacionamentos profissionais e pessoais em um contexto conflituoso

O grande parceiro musical de Elton foi Bernie Taupin (Jamie Bell), que tornou-se seu amigo e companheiro inseparável até os dias de hoje; talvez tenha sido o primeiro amor (platônico) da vida de John. Quase todas as canções do astro foram compostas por Bernie.

Além da vida familiar difícil e o começo de sua carreira, o filme retrata, entre outras coisas, a relação que Elton teve com seu empresário John Reid (Richard Madden), um homem sedutor e refinado que se envolve afetivamente com John e passa a cuidar de sua carreira artística. Porém, o empresário se revela uma pessoa abusiva e dominadora que, em pouco tempo, transforma o artista em uma máquina de fazer dinheiro, incentivando-o a se drogar e beber para cumprir uma agenda cheia de compromissos e shows sem descanso.

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O filme não deixa claro se sua orientação sexual (evidenciada no filme de forma positiva) é o grande entrave na sua relação com o pai, mas fica subentendido que há um desconforto dele com o fato do garoto se interessar pelas revistas femininas da mãe e apresentar trejeitos peculiares. Apesar de não aprofundar no tema, o filme não se esquiva em assumir a orientação sexual de John e nem de apresentar (mesmo que timidamente) algumas questões em sua vida artísticas relacionados a esse fato, como na cena [TRECHO COM SPOILER] em que Rider sugere que John mantenha uma namorada fake para não causar polêmica sobre sua homossexualidade com seu público.

Se o pai se incomodava ou não com a sexualidade do filho não está claro, mas o próprio Elton destina uma sessão de terapia para tratar essa questão com a mãe, isso porque, em muitos momentos de seu processo de descoberta e revisitação ao passado, ele revela insegurança a respeito do amor que sua família tem por ele e tivemos a sensação de que, apesar de ter se tornado um astro, de ser bilionário e um homem extremamente bem sucedido e influente em seu meio, Elton pudesse ter culpa e ao mesmo tempo não se sentir digno do afeto e admiração de seus entes queridos.

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John Reid (Richard Madden) e Elton John (Taron Egerton) em “Rocketman” (Imagem: divulgação/Paramount Pictures)

Delicadeza, realidade e inspiração

Ao longo de sua vida, Elton tenta o suicídio várias vezes e relata em sua terapia que a grande ausência de um pai carinhoso e presente, somado ao relacionamento dúbio com sua mãe, causa imenso sofrimento e a busca constante por esse afeto e acolhimento que não identifica em sua família. Vale fazer menção ao fato de que os atores executam as músicas do filme brilhantemente, com grande destaque à performance de Taron Egerton, que assume com destreza o perfil performático e bem humorado do músico.

Elton John e Taron Egerton
Elton John e o ator Taron Egerton (Imagem: reprodução)

O filme é, sem dúvida, bem sucedido e grandioso e nos revela uma porção da vida desse astro da música que consegue superar seus desafios  e conquistar o mundo todo com seu carisma e talento. Usando Regi (Elton criança), o filme permite que Elton (adulto) debata com sua criança interior e aprenda a se amar e respeitar-se pelo que é e não pela expectativa que ele imagina que todos têm dele. As mulheres não têm grande protagonismo em “Rocketman”, mas fica claro sua importância e fator decisório na vida de Elton John, sendo ambas mãe e avó inspiração e conflito durante sua vida.

Rocketman” é um filme divertido, com grandes cenas de dança e que empolga não somente pela estética fantasiosa, mas pelo glorioso repertório musical. Super recomendamos!


Edição realizada por Gabriela Prado e revisão por Isabelle Simões.

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Mulher, mãe, profissional e devoradora de filmes. Graduada em Psicologia pela Universidade Metodista de São Paulo, trabalhando com Gestão de Patrocínios e Parceiras. Geniosa por natureza e determinada por opção.
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