My Roommate is a Cat: emoção e leveza para sua quarentena

My Roommate is a Cat: emoção e leveza para sua quarentena

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Gatinhos fofos e pessoas introvertidas, duas criaturas feitas uma para outra. Mas será que é assim mesmo? No anime recém lançado em janeiro deste ano, “My Roommate is a Cat, a relação entre um escritor ermitão (alguém aí ainda usa essa palavra? rs) e a gatinha Haru – que ele encontrou no cemitério e decide levar para sua casa – coloca à prova essa premissa inicial.

De uma maneira bem-humorada e leve, a série desenvolve a relação entre gato e ser-humano sem perder o norte emocional da narrativa: mas afinal, quais as razões e nuances da mente de um introvertido? Um mistério que muitas vezes acomete a eles próprios.

O melhor amigo dos introvertidos

Subaru e Haru em cena de “My Roommate is a Cat”.
Subaru e Haru em cena de “My Roommate is a Cat”. (Imagem: divulgação)

No caso de Subaru, o escritor protagonista desta história, a introspecção se apresenta de forma clássica, indiscutível e, às vezes, extrema. Ele é profundamente antissocial, não gosta de sair de casa (hello, quarentener nato alert!), é desajustado socialmente e gosta mais de viver no mundo dos livros do que na vida real. Um exemplo perfeito de personagem hikikomori. Sua inabilidade e preguiça para com outros seres humanos é tanta, que até com os próprios pais ele tinha dificuldade de conviver, preferindo ficar sozinho em casa do que viajar com eles. Até que numa dessas viagens, eles não voltaram mais.

A morte de seus pais é claramente o que guia grande parte de suas ações e é muito do que alimenta, por incrível que pareça, sua própria introspecção. Ao mesmo tempo em que ela é a causa, pois já estava presente antes do acidente de seus pais, ela é retroalimentada em sua recusa em buscar novos relacionamentos. Ou seja, a introversão é a causa da sua culpa e, ao mesmo tempo, seu mecanismo de defesa. Doido, né?

A gatinha Haru está rodeada por cerejeiras em “My Roommate is a Cat”.
Haru em cena de “My Roommate is a Cat”. (Imagem: divulgação)

Culpa e redenção em “My Roommate is a Cat”

Não é a toa que ele achou Haru, a gatinha que resolveu levar para casa, num cemitério. O encontro meio ocasional (e fruto de leves arrependimentos depois) tem tudo a ver com o seu relacionamento com seus falecidos pais. Suas interações com a gatinha, meio desajeitadas e mal compreendidas, funcionam como um belo microcosmos que reflete sua comunicação com outros seres humanos. Arisca e desconfiada, Haru parece ao início querer recuar de toda e qualquer manifestação de afeto. Sem saber o que o outro está pensando, ambos se manifestam de maneira ininteligível entre si. Diversas vezes, ele confunde desconfiança com agressividade, quando na verdade tudo o que Haru quer é protegê-lo e compensar pela generosidade que recebeu. 

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GIF da gatinha Haru se espreguiçando em cima de um notebook
Cena de “My Roommate is a Cat”. (Imagem: divulgação)

De fora, nós conseguimos enxergar esse impasse graças à versão de Haru que é contada em um segmento separado. Ou seja, vemos exatamente os mesmos acontecimentos do ponto de vista dela e do escritor – e suas hilárias contradições. Esse é o toque de gênio desse anime e de onde vem seus melhores momentos. À medida em que ele descobre como cuidar e se “comunicar” com Haru, ele também vai se tornando uma pessoa melhor e estabelecendo melhores relacionamentos com as pessoas que restam ao seu redor.

Adaptado do mangá homônimo escrito por Minatsuki e ilustrada por Asu Futatsuya, este anime é um exemplo perfeito de slice of life raiz. As peripécias de Subaru e Haru, embora feitas para desanuviar e trazer leveza para o seu dia, carregam emoção o suficiente para nos despertar interesse e nos manter engajados com os personagens. Além disso, a arte e o estilo da obra original foram bem adaptadas para as telas, mesmo sem apresentar nada de muito especial nesse quesito. 

Subaru e Haru em "My Roommate is a Cat".
Subaru e Haru em “My Roommate is a Cat”. (Imagem: divulgação)

Em resumo, este é um ótimo programa para trazer emoção e leveza para sua quarentena. Diversão sem culpa e sem perigo. Talvez só o risco de querer adotar um gatinho depois!


Edição/revisão por Mariana Teixeira.


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Criança que queria ser bailarina, depois foi querer virar oceanógrafa, que depois sonhou em ser fotógrafa da National Geografic, para depois querer ser escritora. Acabou virando jornalista (no diploma) e professora (na carteira de trabalho – RIP). Adulta, só daqui uns anos.
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