[SÉRIE] “Black Mirror” – 1×01: The National Anthem (resenha)

[SÉRIE] “Black Mirror” – 1×01: The National Anthem (resenha)

Black Mirror” é uma série britânica criada por Charlie Brooker, e teve sua estreia em 2011 na Channel 4. A série possui o formato de antologia, por isso os episódios são histórias fechadas sem continuidade, mas todas elas giram em torno de um mesmo conceito: o impacto que a tecnologia tem na sociedade atual. 

Black Mirror encontra-se disponível no catálogo da Netflix com três temporadas completas até o momento.

Este texto trata-se do primeiro episódio da 1ª temporada, chamado  “The National Anthem”.

Spoilers adiante

Esse episódio tem 45 minutos, e nele somos apresentados ao Primeiro Ministro Michael Callow (Rory Kinnear), que é acordado de madrugada por sua equipe de assessores do governo para que assista a um vídeo postado no YouTube.

No vídeo aparece a princesa Susannah (Lydia Wilson), queridinha dos britânicos, dizendo que foi sequestrada e que o Primeiro Ministro deve obedecer a uma ordem para que ela seja libertada com vida. Ao ouvir o que o sequestrador impõe, Michael fica em choque e logo hesita em fazer, pois a exigência para que a princesa seja posta em liberdade é que o Primeiro Ministro, em cadeia nacional de televisão, faça sexo com uma porca e também impõe padrões sobre como essa transmissão deve ser feita, com detalhamentos de ângulos de câmera, cenário e vestuário, para que não haja possibilidade de fraude. Mesmo com a retirada quase imediata do vídeo da internet, centenas de milhares de réplicas começam a aparecer e logo a notícia se espalha. A partir desse ponto a assessoria do governo, junto com as forças de defesa, tenta encontrar o sequestrador, primeiramente tentando localizar o IP do computador usado para colocar o vídeo no YouTube. Enquanto isso a regra é que nenhuma emissora de TV fale sobre o assunto, o que se mostra inútil já que na internet, a terceira tela, o assunto já é o principal nas maiores redes sociais do mundo todo.

twitter

Os assessores começam a pensar em uma alternativa para caso a busca da polícia falhe, e pensam em usar um ator pornô especialista em zoofilia para o ato e apenas substituir a sua cabeça na imagem pela de Michael. Todas essas tentativas dão errado. O criminoso descobre a tentativa de fraude e envia um dedo decepado com um anel que supostamente é da princesa e isso causa um grande alvoroço, deixando a opinião pública, que antes era a favor do Ministro, contra ele.

Equipe

Quando vemos o desenrolar da história é impossível não pensar nos nomes famosos da monarquia britânica e do parlamento como Tony Blair, Gordon Brown e até David Cameron que acabou de deixar o cargo de Primeiro Ministro e também nos faz pensar em Lady Diana e Kate Middleton, já que as duas são nomes muito queridos pelo povo inglês e possuem grande força midiática.

O Primeiro Ministro é obrigado acatar a ordem do sequestrador, para manter o país longe de um caos político e então vemos a população em polvorosa à espera da exibição na TV do ato de Michael Callow para salvar a princesa Susannah. Muitos se reúnem em bares, faltam ao trabalho e até os trabalhadores de um hospital ficam em frente à TV aguardando o tão polêmico momento, tudo estimulado por uma curiosidade mórbida e sadismo alimentados pelo sensacionalismo dos meios de comunicação.

O gosto da população pelo sensacionalismo atinge um número muito maior de pessoas conforme o alcance da internet aumenta e a série trata muito dessa relação da influência e impacto que Youtube, Twitter e a internet no geral causa, já que em questão de horas o vídeo que o sequestrador postou nas redes foi disseminado por todo o mundo e tornou impraticável a estratégia de defesa do governo. As piadas (hoje em dia seriam memes) sobre o outro se proliferam, sem considerar em como aquilo pode estar fazendo mal e como pode acabar não só com a imagem do político, figura pública, mas também do “homem de família”. E não é exatamente isso que vemos quase todos os dias em sites e nas redes sociais? Ainda hoje ouvimos falar de um jornalista que expôs atletas homossexuais via internet, sem considerar o risco para as carreiras dessas pessoas e até mesmo para a vida delas, já que em muitos lugares a punição para a homossexualidade é a morte.

Na série, depois de muitas piadas a respeito, começa então a transmissão com um aviso que pede para que todos desliguem a televisão para não verem o que será exibido e que o conteúdo não deve ser gravado e propagado, ninguém desliga a TV, alguns ligam seus aparelhos para gravar a transmissão e a cena vai ao ar ao vivo. Todos ficam chocados com a imagem, muitos se enojam e logo o ato perde a graça. Antes da exibição, um psicólogo pede a Michael que vá com calma, pois se terminar muito rápido passaria a impressão de que ele teve prazer em transar com o animal e mais de uma hora se passa.

Porco
Acontece que antes que o show de horrores termine, Susannah é libertada, e seu sequestrador se mata mesmo sem ver se o político cumpriria sua parte no trato.  O episódio termina mostrando como a popularidade do Primeiro Ministro cresceu após o ato e como ele se tornou um herói popular, mesmo que isso tenha custado sua vida privada com a esposa.

TV

Esse primeiro episódio nos faz pensar que, apesar do grande poder de informação que temos ao nosso dispor com a internet e as redes sociais, acabamos utilizando essas ferramentas para fomentar assuntos sensacionalistas, alimentando a necessidade das pessoas pela desgraça alheia, seja de pessoas famosas ou não.

Texto escrito com colaboração de Marcela Tang.

Escrito por:

Formada em Rádio e TV, maratonista e viciada em séries, eterna amante de um bom filme, escreve desde quando só conseguia usar desenhos para contar suas histórias, apaixonada por “Titanic” e uma quase bailarina que aprendeu muita coreografia em clipe da MTV. Sonha em morar no Canadá, escrever um livro, ter filhos, ser doula e conseguir colocar suas séries em dia.
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