Uncharted – The Lost Legacy: a importância de mulheres reais livres de estereótipos nos games

Uncharted – The Lost Legacy: a importância de mulheres reais livres de estereótipos nos games

Uncharted – The Lost Legacy é o mais recente jogo de ação e aventura anunciado pela Naughty Dog, produtora da franquia Uncharted, protagonizada por Nathan Drake. Antes de ter sido anunciado oficialmente, o game era tido apenas como um novo conteúdo para download que viria para “Uncharted 4: A thief’s end. No entanto, muito além de uma mera expansão, o título será um standalone, isto é, um complemento que não precisa de uma história base para ser jogado.

Uncharted – The Lost Legacy traz como protagonistas duas personagens já conhecidas pelos fãs da franquia, Chloe Frazer e Nadine Ross. Apresentada pela primeira vez na franquia no segundo game da série, Chloe é uma caçadora de tesouros australiana que possui uma excelente reputação e uma personalidade muito bem construída e madura. A personagem ainda é representativa por ter descendência indiana, o que gerou todo um trabalho por parte do estúdio em cima de suas características hereditárias.

Uncharted - The Lost Legacy

Já Nadine Ross é uma mercenária sul africana e líder de uma organização paramilitar conhecida como Shoreline, introduzida no quarto game da franquia como antagonista. A vida marcada por guerras e confrontos fez com que se tornasse uma mulher corajosa, forte e muito capaz em sua função militar. Ela é recrutada por Chloe nessa nova história, devido suas habilidades perspicazes.

A trama se passa em terras indianas, entre seis a doze meses após os eventos finais de “Uncharted 4, num momento em que, apesar das indiferenças, Nadine e Chloe terão que trabalhar cooperativamente para sobreviverem nos Gates Ocidentais, que está sob guerra por um líder militar insurgente.  

Desde que maiores informações acerca de Uncharted – The Lost Legacy foram reveladas, muito se discute sobre o jogo ser ou não uma expansão da consagrada série da Naughty Dog. O fato é que, sendo um conteúdo extra ou um jogo independente, o game tem recebido pouca divulgação e atenção da mídia especializada, quando comparado ao próprio “Uncharted 4, por exemplo.

Pouquíssimas notícias e informações sobre o standalone têm sido encontradas ao buscar fontes na internet, o que suscita a questão da baixa publicidade quando se trata de produtos culturais que têm mulheres como protagonistas

Ainda que o anúncio dessa nova aventura tenha animado vários fãs da franquia, justamente por Chloe ser uma das personagens mais queridas, ao que parece, a franquia Uncharted não recebe muita atenção se não tiver Nathan Drake como principal.

Uncharted - The Lost Legacy

Muito se pode argumentar sobre o fato de que Uncharted – The Lost Legacy seja apenas uma dlc e, justamente por isso, tenha menos destaque. Porém, os próprios desenvolvedores enxergam como um game independente, com um roteiro e jogabilidade ricos – e perfeitamente comparável à história de Drake.

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Todos os anos na E3 (uma das principais feiras de games do mundo) é possível acompanhar um certo receio que permeia os desenvolvedores ao anunciar um novo game protagonizado por mulheres. Na época da divulgação do incrível Horizon Zero Dawn, a Guerrilla Games demonstrou medo com relação à reação do público ao introduzir Aloy e, além disso, a própria Naughty Dog teve medo de deixar somente Ellie na capa de “The Last of Us“.

Recentemente, alguns membros da equipe de desenvolvimento de Uncharted – The Lost Legacy revelaram que morreram de medo de que os fãs não reconhecessem Chloe no anúncio durante a Playstation Experience, supostamente devido ao envelhecimento da personagem. Claramente há uma certa apreensão que não envolve apenas agradar aos fãs, mas substituir Nate como rosto da franquia, uma vez que sua ausência na expansão tem sido questionada incessantemente.

Uncharted - The Lost Legacy

É importante frisar que neste novo jogo há um enfoque na relação entre duas mulheres que se assemelham de fato à mulheres reais, uma vez que não se encaixam nos padrões de beleza tradicionais, mas em padrões representativos. Outro ponto importante é que Chloe e Nadine não foram hipersexualizadas para que se tornassem mais atraentes em alguma instância.

São raros os jogos em que mulheres são protagonistas e ainda mais raros aqueles em que duas mulheres constroem uma relação conjunta de cooperação e confiança. Essa é uma das principais razões pelas quais Uncharted – The Lost Legacy será tão importante para a indústria de games esse ano, principalmente para as jogadoras, que podem se identificar com personagens femininas que fogem do estereótipo mais comum.

É preciso discutir mais acerca das representações femininas nas mídias culturais, principalmente nos games. Sobretudo, é preciso falar da falta de informação e da fraca divulgação de games protagonizados por mulheres. Faltam menos de dois meses para o lançamento dessa fantástica nova história de Uncharted e ainda se faz necessário exigir que os meios de comunicação valorizem os games com representatividade

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Hardcore gamer, punk e antissocial. Fã de RPG's de fantasia, ficção científica e quadrinhos independentes. Passa as horas vagas e as não vagas com seus consoles e PC.
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