[LIVROS] O Bazar dos Sonhos Ruins: A mais recente coleção de contos de Stephen King (Resenha)

[LIVROS] O Bazar dos Sonhos Ruins: A mais recente coleção de contos de Stephen King (Resenha)

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Stephen King ficou conhecido como um escritor de grandes livros, tanto no sentido figurado quanto no literal, já que não são poucos os livros do autor que ultrapassam as 600 páginas. Mas o que talvez fuja à atenção de muitos é que alguns dos melhores trabalhos do autor se encontram no formato de histórias curtas, sejam as noveletas, como “Rita Hayworth e a redenção de Shawshank”, “O nevoeiro” e “O corpo”, que serviram de material base para as fantásticas adaptações cinematográficas que resultaram nos filmes “Um sonho de liberdade (Frank Darabont, 1994)”, “O Nevoeiro (Frank Darabont, 2007)” e “Conta comigo (Rob Reiner, 1986)”, sejam outros inúmeros contos que escreveu durante toda a sua carreira.

De temas variados, que vão do terror ao drama trágico, passando por jornadas de crescimento, as noveletas e contos de Stephen King já chegaram ao Brasil em diversas coletâneas, sendo a mais recente delas O Bazar dos Sonhos Ruins, que reúne 20 histórias e foi  publicada pela Suma de Letras em 2017.

Em O Bazar dos Sonhos Ruins, Stephen King flerta com o tema da morte em quase todas as histórias (até a própria capa faz referência ao fatídico encontro com o ceifador). Se na primeira história, “Milha 81”, as mortes dos personagens são brutais e carregadas de contatos com o sobrenatural, conforme o livro avança vemos que as situações começam a ficar mais corriqueiras: Um ataque cardíaco em uma loja, morte durante o sono, sem qualquer confusão, etc. 

O Bazar dos Sonhos Ruins

Em “Vida após a morte” o conto ganha contornos filosóficos quando o personagem Bill Andrews, após sua morte, se encontra em uma espécie de conjunto de escritórios (impossível não lembrar da empresa do Manny Calavera de Grim Fandango, até os tubos de memorando estão lá) onde enfrenta o dilema de simplesmente desaparecer para sempre, ou viver sua vida de novo exatamente da mesma forma, com os mesmos erros, mesmos arrependimentos. A leitora pode esperar a aparição de um monstro, de uma criatura sobrenatural que vai fazer o papel antagônico ao personagem, mas não; a falibilidade humana já é assustadora o suficiente.

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Destaque também  para “Garotinho Malvado”,  na qual um homem condenado pelo assassinato de uma criança conta sua versão dos fatos: O que ele matou não foi uma criança, mas alguma força sinistra, ou um demônio. Para o seu advogado de defesa é um claro caso de insanidade, entretanto, após a execução do prisioneiros, novas evidências aparecem e que talvez comprovem que ele estava dizendo a verdade. 

A já citada “Milha 81” é um clássico Stephen King. Na história, um garoto acaba descobrindo segredos de uma área de descanso abandonada na beira da estrada onde mortes sempre acontecem. Já os experimentos com poesia (“A Igreja do Osso” e Tommy) são facilmente esquecidas.

Outros contos focam na falibilidade humana dos personagens para causar transtorno nos leitores; é o caso de “Moralidade”, história em que um casal enfrenta uma grave crise após um pacto com o diabo.

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King também consegue criar alegorias que explicam a sociedade americana como ninguém, como é o caso de “Blockade Billy”, que conta a história do personagem título, jogador do time de baseball fictício, o Newark Titans, que desapareceu completamente dos anais da história do esporte.

A coletânea apresenta histórias efetivas que mostram toda a habilidade do autor em construir personagens profundos mesmo em poucas páginas, entretanto, a leitora pode sentir um pouco a falta de nivelamento entre as histórias. Enquanto algumas delas vão deixar os pelos dos braços arrepiados, outras vão fazer a leitora se perguntar se elas estão ali apenas para fazer volume à publicação, pensamento que dificilmente ocorreu a alguém que tenha lido coletâneas anteriores do autor, como “Quatro Estações” ou “Escuridão Total sem Estrelas”, que são mais constantes na qualidade dos contos.

Outro ponto interessante do livro são os pequenos comentários que o autor faz para cada conto explicando um pouco do processo que o levou a criar a história (quase uma continuação do que ele fez em “Sobre a Escrita“), desde a fonte da inspiração até os percalços de ter de reescrever uma história anos após o primeiro rascunho, mas talvez o lugar desses comentários fosse ao fim de cada um dos contos e não no começo, onde podem acabar matando o clima de imersão da leitora, uma morte mais sentida do que a das dezenas de personagens do livro.


O Bazar dos Sonhos RuinsO Bazar dos Sonhos Ruins

Autor: Stephen King

Suma de Letras / Companhia das Letras

527 páginas

Este livro foi cedido pela editora para resenha

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Formada em Comunicação Social, mãe de um rebelde de cabelos cor de fogo e cinco gatos. Apaixonou-se por arte sequencial ainda na infância quando colocou as mãos em uma revista do Batman nos anos 90. Gosta de filmes, mas prefere os seriados. Caso encontrasse uma máquina do tempo, voltaria ao passado e ganharia a vida escrevendo histórias de terror para revistas Pulp. Holden Caulfield é o melhor dos seus amigos imaginários.
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