[LIVROS] 8 livros de pesquisadoras feministas para conhecer a história das mulheres

[LIVROS] 8 livros de pesquisadoras feministas para conhecer a história das mulheres

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Para comemorar a importância simbólica do Dia Internacional de Luta das Mulheres e honrar a história de mulheres, famosas e anônimas, que nos precederam e abriram caminhos, selecionamos oito livros que tratam da História das mulheres. Foram escolhidos livros que são fruto da pesquisa de mulheres historiadoras. Não estão incluídos livros com viés histórico escritos por pesquisadoras de outras áreas – o que não significa que estes tenham um valor menor. O objetivo é reconhecer o trabalho de pesquisadoras que trabalham com a historiografia feminista e que desbravam e mantém viva a memória do movimento feminista, de suas líderes e das que lutam e lutaram anonimamente em suas fileiras.

Minha história das mulheres – Michelle Perrot; Editora Contexto, 2007

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Neste livro, a historiadora francesa relata de forma pessoal e apaixonada o seu pioneirismo em introduzir, na Universidade de Paris, em 1973, o primeiro curso acadêmico sobre História das Mulheres de que se tem notícia. Em seguida, atravessa os séculos e narra os feitos das mulheres como escritoras, jornalistas, artistas, operárias, prostitutas, militantes, camponesas, operárias, bruxas, mães, crianças, adolescentes, mulheres maduras e idosas, vítimas de violência, sobreviventes e agentes da mudança. Ao longo da obra, Perrot discute a dificuldade de se encontrar fontes históricas sobre as mulheres – quando existem, são quase sempre de autoria masculina – e traz à luz o fato de que História, mais do que fatos, são os relatos ditos e escritos sobre os fatos. Um clássico que deve ser lido por toda feminista.

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Por que não houve grande mulheres artistas? – Linda Nochlin, Edições Aurora, 2016

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Imagem: Edições Aurora (Reprodução)

Em 1971, Linda Nochlin fez a pergunta que mudaria para sempre a relação entre as mulheres e a arte. Percorreu a história da arte e investigou a vida dos grandes artistas para mostrar que genialidade não era um conceito inato, mas antes fruto de convenções sociais que beneficiavam os homens e alienavam as mulheres. O ensaio “Por que é que não houve grandes artistas mulheres?” colocou em perspectiva o que se entendia como belo, grande e genial e descortinou a discriminação sexista que impediu muitas artistas mulheres de terem reconhecimento. Se hoje nós criticamos e denunciamos os privilégios masculinos em qualquer campo artístico, isso se deve em grande parte a Nochlin, que morreu em outubro do ano passado, aos 86 anos.

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Mulher, Estado e Revolução – Wendy Goldman; Editora Boitempo, 2014

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Que papel tiveram as mulheres na Revolução Russa de 1917 e após? Qual foi a contribuição das trabalhadoras soviéticas para o movimento feminista do século XX e XXI? Afinal, quão receptivos foram os homens de esquerda às pautas e reivindicações de suas colegas de luta? Estas e outras questões são abordadas pela historiadora estadunidense Wendy Goldman, especialista em história da União Soviética sob o ponto de vista das mulheres. Na obra, lançada numa edição belíssima pela Editora Boitempo, Goldman narra como as mulheres foram instrumentalizadas e depois traídas pelos “esquerdomachos” de seu tempo, enquanto narra o pensamento inovador e pioneiro daquelas mulheres, que defendiam a legalização do aborto, a coletivização do trabalho doméstico e do cuidado das crianças e o divórcio como forma de emancipar verdadeiramente a mulher e liberá-la para a vida pública e política.

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Mulheres dos anos dourados – Carla Bassanezi Pinsky; Editora Contexto, 2014

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Nos últimos anos, temos visto uma reviravolta nas revistas intituladas femininas. De conselheiras das mulheres a respeito de como emagrecer, manter a forma após o parto e conquistar um homem para si com mil e uma posições sexuais, tais veículos começam a apoiar a descriminalização do aborto, a humanização do parto, o fim da gordofobia, a igualdade no mundo do trabalho e a erradicação da cultura do estupro e da violência doméstica. Foi um longo caminho, como mostra a obra de Carla Pinsky, sobre as revistas femininas publicadas no país entre 1945 e 1965. Por meio de publicações como “Jornal das moças”, “Cláudia”, “Querida” e “O cruzeiro”, a historiadora retrata a mulher dos chamados anos dourados, a mulher que, segundo essas revistas, deveria colocar a harmonia conjugal à frente das traições do marido, manter-se virgem até o casamento e, obviamente, perseguir a maternidade a todo custo.

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História das mulheres no Brasil – Mary Del Priore (org.); Editora Contexto, 2004

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Esta obra, organizada pela historiadora carioca Mary Del Priore, não trata de um assunto só, mas de várias temáticas ligadas à histórias das mulheres. Os artigos, de viés acadêmico, são didáticos, trazem inúmeras fontes que permitem ir atrás de leitura complementar e traçam um panorama fascinante e emocionante da trajetória da mulher brasileira, da época colonial até os nossos dias. Lá estão as indígenas discriminadas pela religião, as lésbicas perseguidas pelo Santo Ofício, as diagnosticadas como loucas e feiticeiras, as burguesas, as sertanejas, mineiras e nordestinas, as professoras, escritoras e donas de casa, as colonas, freiras e boias-frias, entre outas personagens reais e batalhadoras que ajudaram a construir e a moldar o país.

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A aventura de contar-se: feminismos, escritas de si e invenções da subjetividade – Margareth Rago; Editora da Unicamp, 2013

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A historiadora, militante feminista e professora de História da Unicamp Margareth Rago é uma das maiores especialistas na história do feminismo brasileiro, e seus livros, artigos e entrevistas merecem a atenção de quem deseja conhecer melhor o protagonismo das mulheres brasileiras na luta por direitos. Neste livro, Rago aborda especificamente o ato de falar de si por meio da escrita, a valorização da própria história e o desafio de dar voz a si mesma quando as mulheres pouco falavam de si, ofuscadas pelos companheiros homens. Partindo da narrativa autobiográfica de sete mulheres brasileiras nascidas nos anos 40 e 50 e militantes durante a Ditadura Civil-Militar (1964-1985), Rago aborda tanto a questão feminista e a coragem dessas mulheres naquela época, como a própria questão da subjetividade, hoje um tema corrente no campo da historiografia, mas que durante muito tempo foi relegado a um segundo plano ou sequer considerado, ainda mais quando envolvia a vida das mulheres. Nisso, tal livro em muito dialoga com as questões colocadas pela historiadora francesa Michelle Perrot, que analisa a questão das mulheres como fontes e a importância dos diários, cartas e memórias das mesmas para o relato histórico.

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Condição feminina e formas de violência – mulheres pobres e ordem urbana 1820-1920 – Rachel Soihet, Editora Forense Universitária, 1989

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Este livro da historiadora Rachel Soihet, fruto de sua tese de doutorado, é um relato pungente, fascinante, doloroso e pautado pela resistência. Por meio de processos criminais, reconstrói a trajetória de vida de mulheres pobres que viviam nas cidades. Eram mães trabalhadoras, que viviam de trabalhos precários, por vezes enfrentando a criminalização e a patologização e vítimas de violência doméstica e outras agressões misóginas. Uma versão sucinta desta obra, em formato de artigo, está presente no livro “História das mulheres no Brasil”, mas vale a pena investir tempo para lê-la na íntegra. Afinal, não apenas por seu valor histórico, mas também porque a realidade não mudou tanto assim, e, infelizmente, num momento de supressão de direitos, as mulheres, em especial as pobres e negras, continuam a ser as mais vitimadas pela pobreza. Fazer a ligação entre passado e presente é tarefa essencial para as feministas de agora.

Visões do feminino: a medicina da mulher nos séculos XIX e XX – Ana Paula Vosne Martins; Editora Fiocruz, 2004.

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O nascimento da Ginecologia e da Obstetrícia está intimamente ligado ao aprofundamento do controle patriarcal institucionalizado sobre os corpos das mulheres e ao reforço de uma série de representações estereotipadas que pesam fortemente sobre nós até hoje. A historiadora Ana Paula Vosne Martins, professora de História da UFPR, vai às origens desse pensamento, por meio da análise do discurso médico europeu e também brasileiro – um discurso, obviamente, criado e reproduzido por homens. Um tema muito importante de ser conhecido e discutido, dada a sua intersecção com inúmeras violências que atravessam os corpos das mulheres ainda hoje, como a violência obstétrica, o estupro, a precariedade do atendimento em saúde para meninas e mulheres, o racismo que responde pela alta taxa de mortalidade de mulheres negras no parto e no puerpério, entre outras violações de direitos.

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