[LIVROS] 11 obras com histórias de mulheres reais para começar a ler neste mês

[LIVROS] 11 obras com histórias de mulheres reais para começar a ler neste mês

São histórias em quadrinhos, biografias e livros sobre mulheres que fizeram história e que nos inspiram até os dias atuais. Destacamos 11 obras literárias para conhecer histórias reais de mulheres que lutaram e desafiaram as desigualdade e as dificuldades impostas pela sociedade. Mulheres que lidaram com Síndrome de Asperger, racismo, machismo e que passaram por violações e perigos decorrentes do seu gênero, mas que apesar de tudo isso, continuam desafiando as opressões para a construção de uma sociedade mais igualitária. São obras que não recomendamos apenas para o Mês da Mulher, mas para ler desde já e sempre!

QUADRINHO: A Diferença Invisível (De Julie Dachez e Mademoiselle Caroline)

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Marguerite é uma mulher de 27 anos levando uma rotina normal no coração da França; tem seu trabalho, apartamento, namorado e animais de estimação que tanto ama. Os dias passam e, apesar da aparente tranquilidade externa, Marguerite fica esgotada facilmente ao ter de socializar com muitas pessoas ao mesmo tempo ou mudar um pouco a rotina. Fora isto, ela leva muito do que lhe é dito ao pé da letra, não compreendendo segundas intenções, e também é muito sensível aos barulhos que teimam em incomodá-la.

Numa rápida busca pela Internet, ela descobre que estes sintomas podem estar ligados à Síndrome de Asperger, um dos espectros do autismo que reflete na socialização de quem a possui. A partir disto, Marguerite dá início a um tratamento clínico, buscando por autoconhecimento e paz interior.

A Síndrome de Asperger não é muito difundida e reconhecida por mostrar-se em sintomas que algumas vezes passam despercebidos até mesmo por seus portadores, vindo o diagnóstico a acontecer tardiamente ou, até mesmo, nunca. Em mulheres, o diagnóstico da Síndrome de Asperger é ainda mais difícil de ser feito, pelo fato de um comportamento mais contido ser esperado e incentivado pela sociedade (e também porque mulheres adaptam-se muito mais facilmente às problemáticas de um ambiente que pode lhes ser hostil).

O trabalho autobiográfico da roteirista francesa e ativista pela visibilidade autista Jullie Dachez, junto à ilustradora Mademoiselle Caroline, resultaram em um quadrinho sensível, libertador, informativo e extremamente importante nos dias atuais.

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LIVRO: Esse Cabelo (De Djaimilia Pereira de Almeida)

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A autora Djaimilia é personagem principal desta linda obra acerca da aceitação e representatividade da mulher negra: em Esse Cabelo, as leitoras acompanham as aventuras da meninice à vida adulta de Mila, uma menina que sai de Luanda com a família para morar em Lisboa, vindo a encarar, além de uma nova cultura, a forma como a sociedade a trataria por conta de suas raízes. Toda a narrativa, escrita em forma de prosa poética, tem como fio condutor o próprio cabelo crespo da protagonista, um personagem que constantemente é vítima de maus tratos, cortes e comentários desagradáveis.

Apesar de passar por diversos momentos ruins enquanto tentava colocar no mundo toda a sua essência, Djaimilia escreve suas memórias com muito carinho e de forma leve; é impossível não se apaixonar por sua história e escrita. Em cada página há um sopro de nostalgia e resistência acompanhando leitora e autora, que tornam-se apenas uma ao final da leitura.
Vencedor do Prêmio Novos – Literatura de 2016, o romance é o primeiro da autora.

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LIVRO: Clarice, (De Benjamin Moser)

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A vírgula que compõe o título da biografia diz muito sobre quem foi Clarice Lispector em vida: mulher multifacetada, Clarice é uma das autoras brasileiras mais aclamadas e importantes de nossa literatura. Nascida na Ucrânia e fugindo de perseguições aos judeus aos dois anos, Clarice e a família chegam ao Brasil e estabelecem-se no nordeste e, alguns anos depois, a menina de aura mística e de olhar curioso começa a escrever seus primeiros contos.

Cercada por mulheres fortes, Clarice cresceu dona de uma personalidade marcante e encanta até hoje com seus textos acerca do íntimo feminino e das lutas que travamos todos os dias para sermos aceitas como realmente somos.
Benjamin Moser é um dos estudiosos e apreciadores da vida e da obra da autora e, em Clarice, apresenta diversos materiais importantes para que tenhamos uma visão anda mais profunda sobre a esfinge da literatura brasileira.

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LIVRO: Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes (De Elena Favilli e Francesca Cavallo)

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O que seria das mulheres se, desde crianças, ouvissem histórias diferentes do que os clichês contos de fada? Imagine-se crescendo sem a imposição do desejo de ser como uma princesa à espera de um herói masculino, mas com a possibilidade de ser a salvadora de sua própria história. Essa é a proposta de Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes, que se destaca como um dos primeiros livros publicados na tendência atual de evidenciar mulheres que contribuíram para o mundo, mas foram apagadas dos registros históricos e culturais. Elena Favilli e Francesca Cavallo reúnem breves histórias de 100 mulheres que também fizeram a diferença, acompanhadas de lidnas obras de ilustradoras femininas. Com uma linguagem fácil, direcionada ao público infantil, mostram que o mundo está repleto de exemplos femininos capazes de inspirarem as garotas e de conscientizarem de que uma mulher pode ser o que ela quiser. Ser mulher não é um restrição de possibilidades. Não é preciso esperar um príncipe para fazer a sua história. Cada garota pode ser a sua heroína, trajando vestidos, guerreando ou inventando – do mesmo modo que tantas mulheres fizeram e ainda tentam fazer. Revelam, o poder da resistência – rebeldia – em uma sociedade que ainda tenta restringir os sonhos de jovens meninas.

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LIVRO: Wonder Women: 25 mulheres inovadoras, inventoras e pioneiras que fizeram a diferença (De Sam Maggs)

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Todo ser humano deveria receber o reconhecimento merecido por seus feitos. No entanto, o registro histórico revela que, não somente alguns indivíduos foram ignorados da narrativa histórica, por seu gênero ou etnia, como seus feitos foram usurpados pelos grupos dominantes. “A história é escrita pelos vencedores”, como costumam dizer, o que não significa que não possa haver um movimento contrário, que estimule a memória acerca daqueles que foram propositalmente esquecidos. É através desse pensamento que Sam Maggs, com a colaboração da ilustradora Sophia Foster-Dimino, escreve o livro Wonder Women: 25 mulheres inovadoras, inventoras e pioneiras que fizeram a diferença. O livro traz fatos interessantes em pequenas biografias sobre mulheres que marcaram o mundo no exercício de profissões tipicamente “não femininas” – de acordo com uma visão social machista. A mulher é historicamente subestimada em sua capacidade racional, motivo pelo qual lhe foram atribuídas culturalmente atividades de submissão. Sam Maggs, porém, desconstrói esse mito e mostra que há – e sempre houve – muita mulher inteligente pelo mundo. O livro ainda conta com entrevistas ao final de cada capítulo, de modo a dar voz à quem culturalmente não possui.

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LIVRO: Mulheres Incríveis: artistas e atletas, piratas e punks, militantes e outras revolucionárias que moldaram a história do mundo (De Kate Schatz)

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Do mesmo modo que Wonder Women e Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes, Mulheres Incríveis: artistas e atletas, piratas e punks, militantes e outras revolucionárias que moldaram a história do mundo reúne a história de mulheres que fizeram a diferença. O livro prova que mulheres de todos os tempos e lugares sempre lutaram pela liberdade de ser quem desejavam ser, independentemente do seu gênero, e também pelos direitos que lhes foram suprimidos pelos grupos dominantes. O grande diferencial do livro é explorar as diversas regiões do globo para apresentar a variedade de biografias femininas. Tenta ultrapassar, assim, não somente as barreiras de uma sociedade culturalmente machista, mas também eurocêntrica e racista. Organizado por regiões, fornece às leitoras breves biografias de 40 mulheres, relacionando a história feminina às culturas e realidades locais. Apresenta, ainda, uma menção ás mulheres sem pátria, que, usualmente são ignoradas e encontram problemas ainda pouco discutidos. Assim, conecta as mulheres a um mundo marcado por guerras e opressão, mas sem perder a esperança de que se pode lutar por aquilo em que se acredita. Nas palavras da autora: “Tem uma frase famosa que diz que ‘a história é escrita pelos vencedores’. Eu concordo, mas também diria que a história é escrita pelos escritores – e eu sou uma. E é por isso que fiz este livro para você”.

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LIVRO: Eu sou Malala – A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (De Malala Yousafzai e Christina Lamb)

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O livro “Eu sou Malala” escrito por Malala Yousafzai em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, trata-se da biografia sobre Malala Yousafzai, uma jovem paquistanesa do Vale do Swat que desafiou o islamismo fundamentalista manipulado pelo Talibã ao defender o direito à educação para mulheres. O livro relata detalhadamente toda a trajetória de Malala, desde a sua infância como uma menina em um território cuja cultura é marcada por ser opressora e desigual em diversas esferas no que diz respeito à comunidade feminina, até a sua relação com a educação, que mesmo que fosse proibida para mulheres, sempre foi de interesse de Malala e nunca a impediu de aprender, tornando-a uma militante a favor do direito à educação para mulheres. O ativismo de Malala passou a ser mundialmente conhecido em 2012, quando a garota foi baleada na cabeça pelo Talibã enquanto voltava da escola dentro de um ônibus. Após o atentado, Malala teve uma recuperação milagrosa e a sua constante luta foi ainda mais reconhecida aos 17 anos quando se tornou vencedora do prêmio Nobel da Paz em 2014. Desde então, Malala continuou militando pela causa em que acredita e criou o “Malala Found”, uma organização sem fins lucrativos em prol do direito à educação para meninas. O livro recebeu o prêmio Goodreads Choice Awards de melhor Memoir & Autobiografia.

O livro “Eu sou Malala” é uma leitura importante por esclarecer a importância e o impacto da educação, seja individual ou coletivamente. Mas acima de tudo, a obra deve ser valorizada pelo seu caráter empoderador e feminista, que apresenta de maneira completa como a comunidade feminina é submetida a uma cultura fechada e rígida por um regime como o do Talibã, algo que muitas vezes não é mostrado com tantos detalhes na mídia e tampouco sob o olhar de uma mulher. “Eu sou Malala” é um livro inspirador e mostra como uma voz de uma garota é grandiosa e poderosa em meio ao caos.

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LIVRO: A Filha Favorita (De Fawzia Koofi)

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A afegã Fawzia Koofi tornou-se mundialmente conhecida por ter sido a primeira mulher a ocupar, em 2005, o cargo de vice-presidente do Parlamento de seu país, o berço do grupo terrorista e fundamentalista Talibã. Nascida em uma família com muito poder e dinheiro, Koofi foi uma filha renegada, deixada ao sol para morrer pela mãe, cansada das traições e violências do marido, pai da menina. Ela, porém, sobreviveu, e ao longo dos anos, viveria inúmeras provações, como a guerra-civil entre União Soviética e Afeganistão, o assassinato do pai pelos rebeldes que se o viam como um aliado dos soviéticos, a ascensão do talibã e sua misoginia cruel, assim como a guerra travada entre o grupo e os EUA que dizimou ainda mais sua terra natal, matando milhares de pessoas. O livro é uma autobiografia de Koofi, e a cada capítulo ela transcreve para a leitora as cartas que costuma escrever para as duas filhas. Esse hábito é fruto do medo que tem de morrer e deixar as filhas sem um exemplo e um acalento de que dias melhores virão para as mulheres do Afeganistão.

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LIVRO: Sorte – um caso de estupro (De Alice Sebold)

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A escritora e roteirista Alice Sebold se tornou famosa por conta de seu livro “Um olhar do paraíso”, estrelado pela atriz irlandesa Saoirse Ronan. A obra emocionou milhares de pessoas ao redor do mundo, ao contar a história de uma menina que é estuprada e morta pelo vizinho, que arma uma emboscada para a adolescente e a leva até a casa dele, onde o crime ocorre. Outro livro de Sebold, porém, é tão terrível e sensível quanto este, ainda que menos famoso. É “Sorte”, um relato autobiográfico em que ela narra a noite em que foi estuprada por um estranho, dentro de um túnel próximo ao campus onde estudava e morava, aos 18 anos. Além do crime, Sebold também relata a luta para reportar o crime à polícia, a coleta de provas de cada parte de seu corpo, a busca pelo estuprador, seu julgamento (em que ela é massacrada e humilhada pelo advogado de defesa do acusado) e o estupro de sua colga de quarto, que ela acredita ter sido um ato de vingança do agressor ou de um de seus amigos. Um relato cruel, avassalador, mas necessário, que demonstra, mais uma vez, a necessidade de se lutar contra a cultura do estupro e um sistema de justiça misógino.

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LIVRO: Minha vida na estrada – (De Gloria Steinem) 

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Se houve (e há) um mandamento fundamental seguido pela feminista estadunidense Gloria Steinem durante toda a sua vida adulta como militante da causa das mulheres, foi (é) o de que, para conhecer verdadeiramente a luta das mulheres, é preciso estar com elas, ir aonde elas estão, olhar em seus olhos e realizar o “corpo a corpo” que uma conversa virtual não é capaz de substituir. Neste livro, Gloria narra as viagens que realizou para estar com essas mulheres, em episódios fantásticos ou singelos, por vezes até inacreditáveis. São conversas com taxistas, comissárias de bordo, caminhoneiros, motociclistas e outros passageiros, além dos encontros com estudantes em centenas de campi universitários e um capítulo emocionante sobre sua vida nômade junto aos pais, ainda na infância, que moldou seu gosto por estar sempre em movimento.

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LIVRO: Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (De Maya Angelou)

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Descrever a trajetória da cantora atriz, ativista e poeta Maya Angelou não é tarefa fácil. Angelou realizou centenas de coisas maravilhosas, conheceu e foi amiga de muitas personagens-chave da História. Foi mãe solo muito jovem, dirigiu ônibus, trabalhou como cantora e dançarina em uma época em que tal profissão enfrentava enorme preconceito, foi amiga de Malcolm X, Martin Luther King e James Baldwin e pioneira da luta pelos direitos civis da população negra e, em especial, das mulheres negras. Esta autobiografia foca especialmente na sua infância, na época em que foi brutalmente estuprada pelo namorado da mãe. Após contar o episódio ao irmão, o homem foi preso e, pouco depois, morto. Angelou acreditou que o assassinato do homem ocorreu porque ela ousou falar, então, passou anos sem pronunciar uma palavra, com medo de “ferir” mais pessoas. Foi salva pela Literatura e pelo afeto de uma vizinha. Tal livro é descrito por muitas pessoas, homens e mulheres, brancas e negras, como o que mais influenciou suas vidas. Sobre ele disse Oprah Winfrey: “Eu nunca havia conhecido uma mulher negra que houvesse sido estuprada, como eu fui, e que tivesse falado sobre isso, até que eu li “eu sei por que o pássaro canta na gaiola”.

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Essa lista foi elaborada por Laís Fernandes, Athena Bastos, Letícia Lopes, Vanessa Fogaça.

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