The Last of Us: um game verdadeiramente merecedor de prêmios

The Last of Us: um game verdadeiramente merecedor de prêmios

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Com o impressionante gameplay mostrado de The Last of Us Part II na E3 2018, resolvemos revisitar seu predecessor, lançado exclusivamente para PlayStation 3, em 2013, e com versão remasterizada para o PlayStation 4, em 2014.

Para quem não conhece, The Last of Us é um jogo de sobrevivência e ação, e se passa em um mundo parecido com o nosso, tirando o fato de boa parte da população mundial ter sido dizimada por uma infecção fúngica que as transforma em zumbis. A história começa justamente no início da epidemia, mas boa parte dela acontece anos depois, e podemos ver como a sociedade teve que se adaptar a esse colapso.

O protagonista, Joel, é um contrabandista e fica responsável por levar Ellie para fora da cidade e encontrar um grupo de milícia, os Vaga-Lumes, a pedido da líder Marlene, a fim de poder descobrir uma cura para infecção, já que Ellie é imune aos efeitos transformativos do fungo. A história é bem linear, sem alterações provocadas pela jogadora ou diferentes finais dependendo de suas escolhas, mas está longe de ser considerado apenas um filme “jogável”, já que os personagens são bem construídos e o enredo é marcante.

The Last of Us

Ao longo do jogo, a jogadora irá enfrentar zumbis e humanos, mas definitivamente não é um jogo apenas sobre violência, já que o game encoraja muito que você utilize bastante as mecânicas de furtividade, considerando que munições e recursos de cura são bastantes escassos. Nesse sentido, The Last of Us é excelente por proporcionar um desafio para a jogadora. Mesmo nas dificuldades iniciais, o game demonstra realismo, o que possibilita maior imersão no jogo.

A versão remasterizada conta com gráficos melhorados e alguns dos cenários de paisagem são impressionantes. Isso, associado com a qualidade das animações dos personagens, dá a impressão de que o game poderia facilmente ser um filme.

Alerta de spoilers:

The Last of Us

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Joel é o protagonista masculino do game, mas isso não significa que a história seja apenas sobre ele. Ao longo de The Last of Us, Ellie evolui bastante, passando de uma mera sidekick para uma personagem muito bem construída, especialmente após ter que matar pela sua sobrevivência.

Em determinado momento do jogo, passamos a jogar como Ellie, e ficamos sem acesso a uma gama de estratégias de combate, justamente porque ela é apenas uma jovem de 14 anos; enquanto Joel é alguém já acostumado com combate corpo-a-corpo. Isso acrescenta maior sensação de perigo durante os combates e torna o jogo mais interessante durante as partes em que jogamos como Ellie.

Durante essa fase de The Last of Us, Ellie quase é morta por um inimigo durante as cutscenes, mas é ela quem derrota esse inimigo, o que marca seu crescimento como protagonista. É verdade que, antes desse momento na história, Ellie parecia uma “mochila” para Joel, visto que muitas vezes o game utilizou a personagem como um “obstáculo” para a jogadora, já que Joel deve ajudá-la a subir e atravessar corpos na água – pois ela não sabe nadar – além de ser utilizada para abrir portas para Joel. Mas acreditamos que o game foi bem sucedido em desenvolver Ellie para mais do que uma “abridora de portas”. 

The Last of Us

Para quem ficou mais interessada na personagem, vale a pena jogar a DLC The Last of Us: Left Behind, já incluída na versão remasterizada. A expansão ocorre antes da apresentação de Ellie em The Last of Us e durante o período em que Joel está ferido.

A trama é principalmente sobre o reencontro de Ellie com Riley, sua amiga que desapareceu por um tempo para se juntar aos Vaga-Lumes. A expansão traz um certo alívio para quem estava acostumado com a tensão do jogo, já que as partes com Riley não têm combate ou perigo. No entanto, ao mesmo tempo que as cenas são doces por mostrarem duas adolescentes podendo se divertir, também são amargas, já que o mundo de The Last of Us é sombrio e não permite muita esperança.

The Last of Us

No final da expansão, as duas são mordidas ao escapar de infectados, e como apenas Ellie é imune, fica bem claro que Riley não sobrevive. Durante esta história, Ellie acaba se envolvendo com Riley e as duas se beijam nas cenas finais, de forma bastante orgânica e condizente com o relacionamento construído entre elas durante a DLC. A Naughty Dog já deixou claro que Ellie é lésbica e esta faceta da personagem será melhor explorada na sequência, considerando o trailer de The Last of Us Part II.

No entanto, devemos apontar que existem poucas personagens femininas no geral, fato que fica mais destacado quando a filha de Joel, Sarah, é morta no prólogo, repetindo a síndrome de “mulheres na geladeira”  – quando uma personagem feminina morre para explicar a dor ou motivar a história do personagem masculino – Tess morre logo no começo do jogo e Marlene é morta por Joel no fim da história. Estas últimas são duas personagens muito interessantes e que gostaríamos de que tivessem sido melhor utilizadas durante o enredo. Também devemos notar que Marlene, junto com Henry e Sam são os únicos personagens negros com falas e aliados, mas nenhum deles sobrevive até o final do jogo. 

Além de combate desafiador, um mundo envolvente e belos cenários, o jogo também traz um enredo emocionante e personagens mais humanos e relacionáveis. The Last of Us ganhou 139 prêmios, e concordamos que o game possui altíssima qualidade, mostrando que definitivamente merece estar na lista de games inesquecíveis da história.


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Já era interessada em ficção científica desde criança, tem um relacionamento recheado de idas e vindas com The Sims e é capaz de falar horas sobre Mass Effect. Quando não está ganhando mais troféus na PSN, pode ser encontrada com seu Kindle na mão.
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