Mulheres nos Quadrinhos: Fefê Torquato

Mulheres nos Quadrinhos: Fefê Torquato

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Nascida em Santa Catarina e curitibana de coração, Fefê Torquato tem 35 anos e é formada em música pela escola de Belas Artes do Paraná. Talvez isso explique o fato de que a maior parte das suas referências são da área da música. Hoje, trabalha com ilustração e quadrinhos, além de cuidar dos seus 11 animais de estimação – isso tudo quando não está inventando mais coisa pra fazer: “[…] tenho uma pilha acumulada de ideias pra quadrinhos, projetos de papelaria, de ilustração, quero testar novos materiais, estilos… muitas coisas!”.

A jornada artística de Fefê Torquato e as referências no ramo

Como todo mundo, ela começou a desenhar quando criança, “a diferença é que eu não parei”. Na produção de quadrinhos e ilustração, ela lista os nomes das artistas brasileiras que são suas influências.

“Tem muita artista brasileira de excelente qualidade trabalhando no Brasil, algumas: Samanta Floor, Mika Takahashi, Lila Cruz, Manu Cunhas, Gabriela Masson (Lovelove6), Lu Cafaggi. T.S Carmo, Bianca Pinheiro, Laura Athayde, Bilquis, Ana Koehler, Catharina Baltazar, Cris Peter, Ma Matiazi, Mary Cagnin e muitas outras que eu não devo ter mencionado. É um momento muito bonito dos quadrinhos no que diz respeito à criação e grande parte da responsabilidade disso é dessas mulheres aqui.”

Fefê Torquato conta que não consegue guardar o nome de artistas que são suas referências. Aqueles que gosta e admira ficam registrados em sua mente. “Tem dois ilustradores que eu invejo muito (é bem essa a palavra) que por acaso são russos, um deles é o Roman Muradov e a outra chama Victoria Semykina. Se eu pudesse escolher um estilo de ilustração seria uma mistura dos dois, mas não posso, então mantenho meu próprio caminho, no caso bem oposto ao deles…”.

E o caminho de Fefê é buscar inspirações em todo lugar, do nada. O tema das histórias é determinado quando está escrevendo. “Em geral quando eu tô no banheiro, lavando louça ou na estrada viajando. Duas coisas que eu não gosto de fazer e uma que sim, tire suas conclusões sobre qual”. Segundo ela, a melhor coisa a se fazer para ter ideias e encontrar histórias é sair e ver gente. “Não é nem gente que você gosta ou conhece, qualquer tipo de gente, sentar num banco em alguma área de circulação, mercado, ônibus, praça, e escutar papos”. 

Esse processo, da ideia para o quadrinho e ilustração, acontece primeiro com um roteiro. Depois, ela faz alguns “garranchos” que chama de “storyboard autodestrutivo”: se não desenhar em poucos dias, não consegue mais entendê-lo. “Então desenho tudo no computador, hoje no Procreate, imprimo, transfiro pro papel bom e finalizo tradicionalmente, com nanquim, grafite ou tinta, no caso aquarela”. 

Fefê Torquato
Ilustrações de Fefê Torquato (Imagem: reprodução)

Fefê Torquato e “Tina”: uma parceria que deu mais que certo

Fefê conta que, num dia de domingo, recebeu uma ligação de Sidney Gusman, jornalista e um dos maiores especialistas em quadrinhos do Brasil, o qual desde 2006 é responsável pelo Planejamento Editorial da Maurício de Sousa Produções. Fefê Torquato conta: “Eu quase tive um derrame. Ele procurava algum artista pra fazer a GN [graphic novel] da Tina e tava buscando nomes, quem passou o meu nome foi o Vitor Cafaggi, e o Sidney só conhecia meu trabalho em preto e branco, com a GG e Estranhos, então ele checou o meu Instagram com as minhas aquarelas e gostou muito, segundo ele”.

Em 2009, foi lançado o projeto Graphic MSP. Nele, as personagens do estúdio Maurício de Sousa estão sendo lançados em revistas no formado de graphic novel. É o caso da revista “Turma da Mônica – Laços, de Lu e Victor Cafaggi, que foi usada como inspiração para o filme lançado no mês passado. Ainda sobre a ligação de Gusman:

“Ele me falou sobre a Tina e qual o caminho que gostariam que ela seguisse nessa graphic novel, e me perguntou se eu tinha interesse em fazer só a arte ou o roteiro também. E claro que eu queria fazer o roteiro, porque a arte pra mim é só uma consequência da história que eu quero contar. Ele me pediu pra mandar algumas ideias pra ele durante a semana pra poder confirmar e eu fiz isso. Ele gostou e agora estamos aí!”

Tina, no universo Maurício de Sousa, não tem exatamente uma ligação com a Turma da Mônica. Uma das primeiras criações com um visual mais teen e suas primeiras aparições são com um look meio hippie. Suas histórias eram ligadas à história de seu irmão, Toneco. Com o tempo, “Tina ganha espaço e sua própria turma (Turma da Tina). A graphic novel tem previsão de ser lançada em setembro de 2019.

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O anúncio da participação de Fefê foi feito na CCXP do ano passado. Foi a primeira edição que Fefê participou – e já começou com tudo!

“A CCXP foi muito emocionante, foi a primeira que eu participei, conheci ao vivo pela primeira vez a minha amiga Lila Cruz, tive a sorte de achar uma parceira de mesa perfeita que é a Manu Cunhas e conhecer a Mônica ao vivo e o Maurício de Souza! Também vi (só vi porque sou jeca) a Rebecca Sugar no camarim, então foi legal”. 

Evolução nos quadrinhos, origens de suas histórias e planos futuros

Fefê Torquato vê muitas mudanças na evolução na sua produção de quadrinhos e ilustração. Sua primeira HQ, “Gata Garota”, foi lançada em 2015 e fala sobre uma garota que é metade gato. Quando começou a escrever a história, ela conta que só tinha três gatos – hoje ela tem seis. Entretanto, sempre se identificou com a personalidade felina de ser, um pouco introvertida e desconfiada. 

Fefe Torquato - ilustrações
Ilustração de Fefê Torquato (Imagem: reprodução)

Amante do clima noir das histórias de detetive e do team DC, adora a adaptação de “Batman – O Retorno”: “amo muito aquele filme e a origem da Mulher Gato que eles criaram. Mas convivendo com gatos eu sempre achei que ela não agia suficientemente como uma. Só pegaram toda essa aura sexy mas nada dos maneirismos engraçados. Eu imaginava como seria legal se tivessem feito isso”. Percebe que desviou do caminho dos quadrinhos e estava focada na ilustração, mas hoje, com o projeto da Tina, está de volta e seus planos futuros envolvem exclusivamente quadrinhos. 

“Meus planos agora depois que entregar a Tina estão com a Gata Garota. Quero finalizar o segundo volume e tentar convencer a Editora Nemo a publicá-lo nos mesmos moldes ainda esse ano. Legal se fosse na CCXP. Então se alguém por aí tiver interesse em ler o segundo livro da GG e quiser dar uma força, manda um #PublicaGGNemo pra @editoranemo no instagram. Isso pode dar muito certo se eles resolverem publicar ou muito errado se eles notarem que eu não tenho leitores suficientes (risos). Tentar não custa nada. De qualquer maneira, eu tenho grandes planos pra série, com muito spin-offs, então livros não vão faltar.”

Para acompanhar os trabalhos da Fefê Torquato, você pode seguir seu Instagram ou acompanhá-la no Twitter.


Edição realizada por Gabriela Prado.


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Formada em Direito e estudando Jornalismo, já esteve muito perdida na vida, agora talvez esteja um pouco menos. Metade Frankie e metade Grace, segue escrevendo, tentando cumprir as metas de leitura e ouvindo podcast. Acredita fortemente que um dia vai tomar rumo nessa vida.
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