Parasita: um dos melhores filmes do ano

Parasita: um dos melhores filmes do ano

Confirmando seu apreço pelos temas sobre desigualdade social, o diretor Bong Joon Ho (“Okja”) entrega em “Parasita” uma das melhores obras do ano, já premiada com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. 

Este é um filme que funciona como uma experiência, e melhor ainda se a espectadora souber pouco sobre a história antes de assistir (então vamos tentar ser econômicas sobre o enredo).

Duas famílias diametralmente opostas em “Parasita”

A família Kim é pobre, com todos os seus membros desempregados. Já a família Park é rica e privilegiada. Quando a primeira começa a trabalhar para a segunda, os abismos de classe ficam ainda mais evidentes. Evitando o maniqueísmo, “Parasita” não aponta culpados individuais, mas investiga como a estrutura social desigual opera de forma opressiva, independentemente da boa índole de seus membros. Essa índole, inclusive, pode ser corrompida pelas circunstâncias às quais as pessoas estão submetidas.

Parasita (2019) crítica
A família Kim. (Imagem: reprodução)
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É impressionante como a mise-en-scène extremamente habilidosa de Bong Joon Ho faz toda a diferença. Com um diretor menos competente, as coincidências e obviedades do roteiro de “Parasita” saltariam aos olhos. Porém, o passeio entre diferentes gêneros cinematográficos de forma muito eficiente – da comédia dark ao thriller – mantém nosso interesse a cada momento e nos faz comprar tudo que está na tela. A cada nova revelação, permanecemos mergulhadas nesse estranho emaranhado que se torna a relação das duas famílias.

Bong também faz uso de metáforas geográficas, como o nível inferior em que a casa da família Kim se situa – literalmente no porão – e níveis ainda mais profundos onde vários segredos se escondem. Novamente: obviedades que são aplacadas pela qualidade do filme e também por um certo senso de realismo e honestidade dos cenários retratados. A chuva também traz situações completamente diferentes para as duas famílias.

Parasita (2019) crítica
Cena de “Parasita”. (Imagem: reprodução)

Por fim, recomendamos que seja assistido no cinema, pois o desenho de som do filme completa a experiência de forma que seria difícil de reproduzir em casa. “Parasita” é um filme que deixa uma forte impressão por bastante tempo após ser visto.

O filme estreia nos cinemas dia 7 de novembro, e, no Petra Belas Artes, em São Paulo, a pré-estreia será gratuita e ocorre hoje, 6 de novembro, às 19:30, seguida de debate sobre o filme.


Edição e revisão realizada por Isabelle Simões.

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Cineasta, musicista e apaixonada por astronomia. Formada em Audiovisual, faz de tudo um pouco no cinema, mas sua paixão é direção de atores. Vocalista da banda Noite e compositora nas horas vagas. Também escreve sobre cinema em seu site Cine Medusa.
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